O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu reforçar o comando de sua campanha à reeleição com três novos coordenadores após o desempenho no primeiro turno e uma sequência de críticas internas à organização da disputa. A reorganização envolve o ex-ministro Camilo Santana, o ex-ministro Rui Costa e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e deve reduzir a concentração de decisões nas mãos do presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (8) pela colunista Tatiana Farah, Lula chamou Camilo Santana para a coordenação política, Rui Costa para cuidar da agenda e Rafael Fonteles para atuar na comunicação. A mudança ocorre em meio à insatisfação de dirigentes e aliados com a estratégia adotada até o primeiro turno, especialmente depois de o presidente terminar a votação atrás de Flávio Bolsonaro (PL).
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Edinho Silva perde espaço após críticas à organização da campanha
A entrada dos três coordenadores representa uma redistribuição de responsabilidades no núcleo eleitoral. Edinho Silva, que vinha desempenhando papel central na condução da campanha, tornou-se um dos principais alvos de questionamentos dentro do PT.
Durante uma reunião com deputados na quarta-feira (7), Lula afirmou que a campanha de 2026 foi a menos organizada desde sua primeira candidatura à Presidência, em 1989. A avaliação foi feita diante de parlamentares e do próprio Edinho.
O presidente também reconheceu que a estrutura eleitoral ficou abaixo do que poderia apresentar. As reclamações envolvem problemas de articulação política, planejamento e comunicação com os eleitores.
Quem são os três nomes chamados para a coordenação?
Camilo Santana foi escolhido para reforçar a coordenação política, função ligada à articulação com lideranças partidárias, parlamentares e aliados. A movimentação busca ampliar a capacidade de mobilização da candidatura no segundo turno.
Rui Costa deverá assumir a organização da agenda, em um momento no qual a campanha pretende intensificar compromissos públicos, encontros políticos e atividades eleitorais.
Já Rafael Fonteles, governador do Piauí, foi chamado para fortalecer a comunicação. O objetivo é ampliar a presença do candidato nas redes sociais e adaptar a linguagem utilizada para alcançar diferentes públicos.
A distribuição das novas funções foi relatada pela coluna de Tatiana Farah. Até a publicação das informações, não havia detalhamento público sobre eventuais mudanças adicionais na estrutura da campanha.
Janja também enfrenta críticas de dirigentes
Além de Edinho Silva, a primeira-dama Janja passou a ser alvo de insatisfação de integrantes da campanha. Parte dos dirigentes questiona seu protagonismo em atos eleitorais e manifestações públicas, por avaliar que determinadas declarações podem provocar desgaste junto a segmentos do eleitorado.
A ex-ministra Kátia Abreu está entre as pessoas que manifestaram críticas à atuação da primeira-dama. Segundo relatos publicados pela imprensa, Janja afirmou que participa da campanha a pedido do próprio Lula.
Apesar das reclamações, não há indicação de que o presidente pretenda afastá-la das atividades eleitorais. Ao contrário, Lula reconheceu que deveria ter adotado anteriormente uma sugestão da primeira-dama para gravar vídeos mais espontâneos, em formato de selfie.
A proposta também vinha sendo defendida por integrantes da equipe de marketing e ganhou força após conversas com parlamentares jovens eleitos no primeiro turno.
Lula prepara vídeos mais diretos para as redes sociais
A mudança na comunicação deve incluir gravações frequentes com o próprio presidente, em linguagem menos formal e mais próxima do formato utilizado nas plataformas digitais.
O objetivo é complementar a propaganda tradicional com conteúdos que permitam ao candidato abordar assuntos do cotidiano e responder com maior rapidez aos temas que dominam o debate eleitoral.
As discussões sobre a comunicação também incluem críticas à estratégia do primeiro turno. Segundo relatos de dirigentes ouvidos pela imprensa, Lula teria priorizado a divulgação das realizações de seus governos, enquanto integrantes do marketing defendiam maior espaço para propostas voltadas ao futuro.
Segurança pública e fim da escala 6×1 ganham espaço
A reorganização não se limita à equipe de campanha. Lula também vem modificando os assuntos priorizados em seus discursos, com maior atenção à segurança pública e à proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1.
Na avaliação de integrantes da campanha, esses temas permitem ampliar o debate sobre políticas públicas e estabelecer diferenças entre as propostas apresentadas pelos candidatos no segundo turno.
O presidente também intensificou as críticas a Flávio Bolsonaro. Entre os assuntos explorados por aliados estão as políticas de combate ao crime organizado, embora acusações feitas durante a disputa eleitoral devam ser distinguidas de fatos comprovados.
Outra mudança é a ampliação das reuniões com governadores, deputados, dirigentes partidários e candidatos eleitos ou derrotados no primeiro turno. Os encontros buscam reorganizar os palanques estaduais e fortalecer a mobilização nas próximas semanas.
Resultado do primeiro turno aumentou pressão por mudanças
A revisão da estratégia começou depois que Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos, resultado que levou aliados do presidente a defender mudanças na coordenação, na comunicação e na mobilização regional.
Entre as prioridades discutidas estão ampliar a participação de eleitores que não compareceram às urnas, reforçar a campanha no Nordeste e aumentar a presença do presidente em debates e atividades públicas.
Segundo turno será disputado em 25 de outubro
Com a nova divisão de responsabilidades, a campanha terá pouco mais de duas semanas para colocar as mudanças em prática antes da votação de 25 de outubro.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão será retomada nesta sexta-feira (9), oferecendo um novo espaço para a apresentação das propostas e para o confronto político entre os candidatos.
A principal questão agora é como a reorganização será implementada e se os novos coordenadores conseguirão integrar a atuação política, a agenda e a comunicação da candidatura em um período reduzido.