A médica ginecologista e obstetra Marcella Segato de Sousa Melo foi demitida do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), nesta quinta-feira (8/10). A profissional, que atuava como terceirizada na unidade, havia sido afastada da escala após enviar uma mensagem em um grupo interno de médicos antes do primeiro turno das eleições.
Na sexta-feira (2/10), Marcella escreveu no grupo: “Boa sexta a todos. Quem estiver na enfermaria no domingo, não é para dar alta para ninguém, a maioria é petista”.
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Hospital confirma demissão após mensagem em grupo de médicos
A informação sobre a demissão foi confirmada pelo Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara. Na quarta-feira (7/10), a unidade havia informado que Marcella estava afastada da escala e não retornaria às atividades. Nesta quinta, o hospital confirmou o desligamento.
Segundo a unidade, a médica utilizou um grupo interno de profissionais para fazer a manifestação. O hospital ressaltou que as opiniões políticas expressadas no espaço são de caráter pessoal e não representam a conduta adotada no atendimento aos pacientes.
“O hospital ressalta, ainda, que manifestações ou preferências políticas de caráter pessoal não se confundem com as condutas médicas e assistenciais adotadas na unidade”, informou a instituição.
Médica afirma que pacientes não tiveram alta negada
Após a repercussão do caso, Marcella pediu desculpas aos pacientes e familiares, além do hospital e dos colegas de trabalho.
Em nota à imprensa, a médica afirmou que a mensagem enviada no grupo não resultou em qualquer alteração no atendimento.
“Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada. Todas foram avaliadas e liberadas exclusivamente por critérios clínicos, como sempre ocorreu”, declarou.
Marcella também afirmou lamentar o conteúdo da mensagem e disse que as manifestações não representam sua atuação profissional.
“Lamento profundamente que minhas mensagens tenham destoado do compromisso que sempre orientou minha atuação profissional”, afirmou.
Mensagem recebeu reações de integrantes do grupo
Depois da mensagem enviada pela médica, um dos integrantes respondeu com uma figurinha com o rosto do ex-presidente Jair Bolsonaro fazendo sinal de positivo.
Outros 12 participantes reagiram à mensagem com emojis de risada, joinha e bandeira do Brasil.
O conteúdo da conversa veio a público durante o período eleitoral e levou à abertura de apurações sobre a conduta da profissional.
Caso é apurado pelo Ministério Público e pelo conselho de medicina
Marcella foi denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) em representação apresentada pelo advogado Alan Henrique Silva Marques.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) também informou que denúncias relacionadas à médica estão sendo apuradas. Segundo o conselho, os procedimentos tramitam sob sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico.
Até o momento, não há informação, no material disponibilizado, de conclusão das apurações pelo MPF ou pelo Cremego.