A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, desativou sua conta no X, antigo Twitter, após relatar uma nova sequência de ameaças de morte e estupro. Segundo a parlamentar eleita, os ataques se intensificaram na quinta-feira (8), depois que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou publicações atribuídas a ela com críticas a igrejas e líderes religiosos. Ana Elisa nega ser autora dos conteúdos e afirma que pretende recorrer à Justiça.
O episódio ampliou o confronto entre os dois políticos mineiros, que estão entre os mais votados para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. Enquanto Nikolas divulgou imagens de supostas postagens antigas da petista, Ana Elisa afirma que o material foi manipulado e que sua circulação contribuiu para o aumento das mensagens de intimidação. A autenticidade das publicações contestadas não foi comprovada de forma independente.
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Por que Ana Elisa e Nikolas Ferreira entraram em confronto?
A troca de acusações ganhou força na quinta-feira (8), quando Nikolas Ferreira divulgou nas redes sociais uma imagem atribuída a Ana Elisa, datada de abril de 2026, na qual a petista supostamente questionava a presença de padres nas plataformas digitais.
Outra publicação, atribuída a ela e datada de 2022, trazia uma suposta defesa do fechamento de igrejas evangélicas. A imagem também circulou entre outros políticos, incluindo a deputada federal eleita Marina Helena (Novo-SP).
Ao compartilhar um dos conteúdos, Nikolas escreveu: “Já virei voto demais com isso aqui”, em referência à repercussão política da publicação.
Ana Elisa negou a autoria das mensagens e classificou as imagens como falsas. A parlamentar eleita afirmou que está sendo alvo de uma campanha de difamação e anunciou que pretende levar o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Até o momento, não há confirmação pública de uma perícia que tenha estabelecido a autenticidade ou a falsificação das postagens. Por isso, os conteúdos não podem ser apresentados como declarações comprovadas da deputada eleita.

Deputada eleita relata ameaças de morte e estupro
Na manhã desta sexta-feira (9), Ana Elisa afirmou que sua equipe decidiu desativar o perfil no X diante do volume de ameaças recebidas. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela disse que as mensagens estavam chegando em intervalos de aproximadamente dois minutos.
“A minha equipe desativou a minha conta no Twitter porque nós estávamos recebendo ameaça de morte a cada dois minutos. Ameaça de morte e ameaça de estupro”, declarou.
A petista também afirmou estar preocupada com a própria segurança e a de seus familiares. Segundo ela, a situação se agravou após a divulgação das publicações contestadas.
Ana Elisa responsabilizou politicamente Nikolas Ferreira, Gleidson Azevedo (Republicanos) e Eduardo Azevedo (PL) pela disseminação dos conteúdos. Os dois últimos são irmãos do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Essa responsabilização é uma acusação feita pela parlamentar eleita. Não há comprovação pública de que os políticos mencionados tenham produzido as ameaças ou orientado terceiros a enviá-las.
Ameaças anteriores já são investigadas pela Polícia Civil
O episódio desta semana ocorre enquanto outra denúncia de ameaças contra Ana Elisa permanece sob investigação em Minas Gerais.
Em 5 de setembro, durante a campanha eleitoral, a então candidata recebeu mensagens com ofensas racistas e ameaças de morte e violência sexual. O remetente afirmava integrar um grupo supremacista branco e mencionava dados pessoais e familiares da petista.
O caso foi registrado junto às autoridades e passou a ser investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais. Na quinta-feira (8), a corporação informou que a apuração continuava em andamento, sem divulgar novos detalhes sobre a identificação do responsável.
A existência dessa investigação anterior não demonstra que as novas ameaças tenham a mesma autoria ou ligação direta com o embate entre Ana Elisa e Nikolas Ferreira.
Ana Elisa anuncia medidas contra publicações
Em resposta às acusações, Ana Elisa afirmou que pretende buscar providências na Justiça Eleitoral. A parlamentar eleita sustenta que as imagens divulgadas não correspondem a publicações feitas por ela e que sua circulação prejudica sua imagem pública.
As medidas anunciadas poderão levar à análise da origem dos conteúdos, de sua autenticidade e das circunstâncias em que foram compartilhados.
A divulgação de uma publicação contestada, por si só, não estabelece automaticamente a ocorrência de crime eleitoral. Eventuais responsabilidades dependem da análise das provas e da legislação aplicável.
O que acontece agora?
O caso poderá ter desdobramentos em duas frentes distintas: a investigação das ameaças recebidas por Ana Elisa e a análise judicial das publicações que deram origem ao confronto político.
A Polícia Civil de Minas Gerais já investiga as ameaças denunciadas em setembro. Quanto aos novos episódios, ainda é necessário esclarecer se houve registro de ocorrências adicionais e quais providências foram formalmente adotadas.
Também será necessário verificar se a contestação das publicações foi efetivamente protocolada no TSE e se haverá determinação judicial relacionada ao conteúdo divulgado.
Enquanto isso, permanece a divergência entre os envolvidos: Nikolas divulgou postagens atribuídas à adversária política, enquanto Ana Elisa nega a autoria e afirma que a repercussão colocou sua segurança em risco.
A apuração independente dos fatos é fundamental para esclarecer tanto a origem das mensagens quanto as responsabilidades pelos ataques.