A despedida de Lionel Messi da seleção argentina, realizada na última terça-feira (6), reacendeu uma discussão sobre o futuro da camisa 10. Apesar da trajetória histórica do atacante, a Associação do Futebol Argentino (AFA) não poderá retirar definitivamente o número das competições organizadas pela Fifa. O impedimento está relacionado às regras de numeração dos jogadores inscritos nos torneios internacionais.
O regulamento da Copa do Mundo de 2026, por exemplo, estabeleceu que os atletas deveriam receber números de 1 a 26, com a camisa 1 reservada a um goleiro. Dessa forma, a Argentina não pode simplesmente eliminar a 10 de sua lista em um Mundial. A situação já havia ocorrido em 2002, quando a federação tentou aposentar o número em homenagem a Diego Maradona.
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O que diz o regulamento da Fifa sobre a camisa 10?
A restrição não decorre de uma proibição expressa contra homenagens a jogadores históricos. O impedimento está nas exigências de identificação dos atletas estabelecidas para cada competição.
Na Copa do Mundo de 2026, o artigo 29.1 do regulamento determinou que somente os números de 1 a 26 poderiam ser atribuídos aos jogadores, com a numeração 1 reservada exclusivamente a um goleiro.
Isso significa que a Argentina não poderia retirar permanentemente a camisa 10 e deixar uma lacuna na numeração de um elenco completo de 26 atletas.
A regra também estabelece que os números devem aparecer nas camisas e nos calções, correspondendo aos registros oficiais apresentados pelas seleções.

Argentina já tentou aposentar a camisa 10 de Maradona
A discussão não é inédita. Após a despedida de Diego Maradona, em novembro de 2001, a Associação do Futebol Argentino decidiu que a camisa 10 deveria ser retirada em homenagem ao ex-jogador.
A entidade, então presidida por Julio Grondona, tentou obter uma autorização especial da Fifa para disputar a Copa do Mundo de 2002 sem utilizar o número.
O pedido foi rejeitado porque a numeração dos jogadores precisava respeitar o regulamento do torneio.
Com isso, a camisa 10 voltou a ser utilizada pela seleção argentina. Na Copa de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão, o responsável por vestir o número foi Ariel Ortega.
O episódio se tornou um dos exemplos mais conhecidos da diferença entre uma homenagem simbólica e a retirada definitiva de uma numeração em competições internacionais.

Argentina pode deixar a camisa 10 sem dono em amistosos?
Sim. A restrição não significa que a camisa 10 precise aparecer obrigatoriamente em todas as partidas da seleção argentina.
Em amistosos, a equipe pode optar por não utilizar o número, desde que respeite as regras aplicáveis à partida.
Foi o que aconteceu nos compromissos contra Bolívia e Burkina Faso, quando a comissão técnica preservou a camisa 10 para a despedida de Messi.
Na ocasião, o técnico Lionel Scaloni indicou que pretendia deixar a definição sobre o futuro do número para depois da última partida do atacante.
Portanto, a AFA pode realizar homenagens, preservar a camisa temporariamente ou criar ações especiais em reconhecimento ao jogador. O que não pode fazer, sob as regras utilizadas no Mundial de 2026, é eliminar definitivamente o número de uma lista completa de inscritos.
Messi encerra trajetória histórica pela seleção argentina
Lionel Messi disputou sua última partida pela Argentina na terça-feira (6), em amistoso contra Benim, no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires.
O atacante de 39 anos encerrou uma trajetória iniciada em 2005 e marcada por conquistas que transformaram sua relação com a seleção.
Entre os principais títulos estão a Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo do Catar, também em 2022, e a Copa América de 2024.
Messi também participou da campanha argentina que terminou com o vice-campeonato mundial em 2026, após a derrota para a Espanha na decisão.
Ao longo da carreira internacional, o atacante se consolidou como recordista de partidas e maior artilheiro da história da seleção argentina.
Opinião: Bruno Estrela
“Hoje, é possível dizer que Lionel Messi superou Diego Maradona e se tornou o novo rei do futebol argentino. Não se trata de diminuir a grandeza de Maradona, mas de reconhecer que Messi conseguiu reunir talento, longevidade, recordes e conquistas em uma trajetória extraordinária. Se Maradona foi o símbolo de uma geração, Messi construiu um legado que atravessou gerações e conquistou o mundo. Na minha opinião, a camisa 10 da Argentina encontrou em Messi seu maior representante da história.”
Quem poderá herdar a camisa 10 de Messi?
Com a despedida do jogador, a seleção argentina inicia uma nova fase sob o comando de Lionel Scaloni. A escolha do próximo camisa 10 ainda não foi anunciada oficialmente.
Entre os nomes mencionados como possíveis sucessores estão Nico Paz, Franco Mastantuono e Thiago Almada, além dos meio-campistas Alexis Mac Allister e Enzo Fernández.
A decisão envolve não apenas a distribuição de um número, mas também o peso simbólico de uma camisa utilizada por dois dos maiores ídolos da história do futebol argentino.
Maradona transformou a 10 em símbolo da conquista mundial de 1986. Décadas depois, Messi ampliou essa tradição ao liderar a Argentina no título de 2022.
Por enquanto, a federação pode manter o número temporariamente sem utilização em determinados jogos. Entretanto, se as regras atuais forem mantidas nos próximos Mundiais, outro jogador terá de assumir a camisa 10 da seleção argentina.