O Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizava dois registros internos para organizar suas atividades criminosas no Distrito Federal: o chamado livro branco, destinado ao cadastro de novos integrantes, e o livro preto, que reunia informações sobre rivais marcados para morrer.
Os detalhes foram revelados durante as investigações que levaram à Operação Jubilados, deflagrada por forças de segurança nesta quinta-feira (8).
Os documentos faziam parte de uma estrutura que buscava organizar a atuação da facção na capital federal. Segundo as apurações, o livro branco registrava pessoas autorizadas a ingressar no grupo, enquanto o livro preto reunia dados de possíveis alvos, principalmente integrantes do Comando Vermelho (CV).
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Como funcionavam os registros
Para entrar no livro branco, o interessado precisava ser indicado por um integrante já vinculado à facção, que assumia o papel de padrinho. Após a aprovação, o novo membro recebia um número de identificação e um apelido, conhecido no meio criminoso como “vulgo”.
Já o livro preto era utilizado para catalogar adversários. De acordo com a investigação, os registros podiam incluir nomes, fotografias, endereços, antecedentes criminais e locais de atuação dos rivais. Integrantes do PCC usavam o termo “lixo” para se referir a esses alvos.
As informações reunidas nesses documentos ajudavam a demonstrar como a organização dividia tarefas e administrava a identificação de integrantes e inimigos.
Operação atingiu estrutura da facção
A investigação identificou um núcleo conhecido como “Faculdade Brasília”, formado por cerca de 80 integrantes batizados. A comunicação ocorria principalmente por aplicativos de mensagens, por meio dos quais eram compartilhadas informações sobre armamentos, recrutamento, pontos de venda de drogas e monitoramento da rotina policial.
A Operação Jubilados foi conduzida por forças de segurança do Distrito Federal e teve como objetivo desarticular a estrutura investigada. A ação incluiu mandados de busca e apreensão e de prisão temporária em regiões administrativas do DF, além de localidades em Goiás e São Paulo.
Os investigados são suspeitos de envolvimento com organização criminosa. A responsabilização criminal depende da apuração dos fatos e das decisões judiciais.