Papa Leão XIV condena pena de morte em meio a plano dos EUA de transmitir execução ao vivo

Pontífice afirma que a pena capital fere a dignidade humana; proposta de exibir o fuzilamento de um condenado provoca críticas de autoridades religiosas e representantes políticos
Redação NC News
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O papa Leão XIV declarou neste sábado (10) que a pena de morte é inadmissível e defendeu que a justiça e a segurança da população podem ser garantidas sem a execução de pessoas condenadas. A manifestação foi publicada nas redes sociais do pontífice durante o Dia Mundial contra a Pena de Morte, em meio à polêmica envolvendo os planos dos Estados Unidos de transmitir ao vivo uma execução por fuzilamento.

Na mensagem, o líder da Igreja Católica destacou que a pena capital viola a dignidade humana e ressaltou que os sistemas de detenção podem proteger a sociedade sem eliminar a possibilidade de recuperação dos condenados. Embora não tenha mencionado diretamente o caso norte-americano, a declaração ocorreu em um momento de críticas à iniciativa anunciada pelo governo dos Estados Unidos.

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Plano de transmissão provoca controvérsia nos Estados Unidos

A polêmica envolve Nidal Malik Hasan, ex-major e psiquiatra do Exército norte-americano condenado à morte pelo ataque a tiros cometido em novembro de 2009, na base militar de Fort Hood, no Texas. O episódio deixou 13 pessoas mortas e outras 32 feridas.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou que a execução por pelotão de fuzilamento poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento está previsto para 3 de dezembro, mas o presidente Donald Trump afirmou que a realização da transmissão ainda está sendo avaliada.

A proposta provocou reações contrárias de líderes religiosos e representantes políticos, inclusive integrantes do Partido Republicano. O vice-presidente JD Vance também demonstrou dúvidas sobre a exibição pública e declarou que não pretende assistir à transmissão, caso ela aconteça.

Vaticano critica transformar execução em espetáculo

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, criticou diretamente a possibilidade de exibir a morte do condenado ao público. Para ele, transformar uma execução em espetáculo é inaceitável, independentemente da gravidade dos crimes cometidos.

Parolin também reiterou que a Igreja Católica se opõe à pena de morte por considerá-la incompatível com a dignidade humana e por entender que a punição não constitui uma solução necessária para impedir novos crimes.

A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos igualmente manifestou preocupação com a iniciativa e pediu que o governo reconsiderasse a decisão. A entidade ressaltou que a gravidade do crime não justifica a transformação da execução em uma exibição pública.

Igreja Católica mantém posição contrária à pena capital

A declaração de Leão XIV segue a orientação oficial da Igreja Católica, consolidada em 2018, durante o pontificado do papa Francisco. Na ocasião, o Catecismo da Igreja Católica foi atualizado para estabelecer que a pena de morte é inadmissível por representar uma afronta à dignidade da pessoa humana.

A posição também considera que existem meios de proteger os cidadãos e aplicar a justiça sem recorrer à execução. Nesse entendimento, mesmo pessoas condenadas por crimes graves devem ter preservada a possibilidade de arrependimento e redenção.

Ao reiterar essa orientação, Leão XIV reforçou a defesa da vida e a oposição da Igreja à pena capital, em meio ao debate internacional sobre a decisão norte-americana de permitir uma possível transmissão pública de uma execução.

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