O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais, se manifestou após receber críticas de apoiadores por publicar um vídeo ao lado de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado. O parlamentar afirmou que não apoia politicamente Alcolumbre e explicou que o encontro teve como objetivo pedir que a proposta de mudança na escala de trabalho 6×1 seja colocada em votação.
A gravação foi publicada após uma reunião entre os dois políticos. No vídeo, Cleitinho anunciou que a proposta seria pautada para votação na quarta-feira (14). A publicação gerou comentários negativos de seguidores, alguns dos quais questionaram a aproximação com o presidente do Senado.
Em resposta a uma seguidora que disse ter ficado decepcionada com a gravação, Cleitinho afirmou que sempre fez campanha contra Alcolumbre, mas que precisa dialogar com quem ocupa a presidência da Casa para tentar aprovar seus projetos.
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Senador diz que encontro teve objetivo institucional
Ao justificar a publicação, Cleitinho afirmou que não votou em Alcolumbre para a presidência do Senado e que sua intenção foi pedir a inclusão da proposta na pauta de votação.
“Eu não votei no Davi e sempre fiz campanha contra, mas ele é o presidente até dezembro. Então, para que meus projetos sejam aprovados, passa por ele”, escreveu o senador, em resposta à crítica.
Cleitinho também negou que o vídeo representasse apoio político ao presidente do Senado. Segundo ele, a gravação teve caráter institucional e buscou pressionar pela votação da proposta que defende há cerca de três anos.
Vídeo provocou críticas de apoiadores bolsonaristas
A repercussão negativa veio de seguidores ligados ao bolsonarismo, grupo ao qual Cleitinho declarou apoio na disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Parte dos comentários questionou a decisão de aparecer ao lado de Alcolumbre e cobrou posicionamentos sobre outros temas políticos, incluindo pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O episódio evidencia o desafio de conciliar articulações institucionais no Congresso com as expectativas de parte da base política que apoia o senador mineiro.
Fim da escala 6×1 também divide Cleitinho e Flávio Bolsonaro
A controvérsia ocorre em meio a uma divergência sobre a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias e tem um dia de descanso.
Cleitinho defende que a proposta seja votada no Senado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, rejeita a mudança por meio da proposta de emenda à Constituição em discussão e defende um modelo de remuneração pelas horas efetivamente trabalhadas.
Apesar da diferença de posicionamento sobre o tema, Cleitinho declarou apoio à candidatura de Flávio à Presidência da República.
O que prevê a proposta sobre a escala 6×1?
A proposta em discussão busca alterar o modelo de jornada de trabalho que prevê seis dias de atividade para um de descanso. O tema envolve questões como carga horária semanal, descanso dos trabalhadores e impactos para empresas e diferentes setores da economia.
Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) é uma iniciativa destinada a alterar o texto constitucional. Para ser aprovada, precisa cumprir etapas de tramitação e obter os votos exigidos na Câmara dos Deputados e no Senado, conforme o estágio em que estiver.
Entenda o contexto
Davi Alcolumbre preside o Senado Federal, responsável por analisar projetos de lei e propostas de emenda à Constituição, entre outras atribuições. A inclusão de uma matéria na pauta de votação depende da condução dos trabalhos legislativos e das articulações políticas dentro da Casa.
O caso envolvendo Cleitinho mostra como a busca por apoio institucional para avançar com uma proposta pode gerar reações dentro da própria base política de um parlamentar. Neste episódio, a discussão sobre a escala 6×1 se somou às críticas à imagem publicada com Alcolumbre e às diferenças de posição em relação a Flávio Bolsonaro.