DF terá bancada 100% feminina no Senado, formada por Michelle, Bia e Damares

Pela primeira vez, as três cadeiras da capital serão ocupadas por mulheres; parlamentares conservadoras têm trajetória ligada ao bolsonarismo e fazem críticas ao feminismo.
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O Distrito Federal terá, a partir de fevereiro de 2027, uma bancada formada exclusivamente por mulheres no Senado Federal. Com a eleição de Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) no primeiro turno de 2026, as duas passarão a dividir a representação da capital com Damares Alves (Republicanos), que exerce mandato desde 2023. Será a primeira vez que uma unidade da Federação terá suas três cadeiras no Senado ocupadas simultaneamente por mulheres.

O resultado representa um marco na presença feminina no Congresso, mas também reúne três políticas que se identificam com o conservadorismo e têm histórico de críticas ao feminismo. Michelle, Bia e Damares são aliadas do ex-presidente Jair Bolsonaro e defendem pautas relacionadas à família, à religião e aos costumes. A nova composição também contrasta com a eleição para a Câmara dos Deputados, na qual nenhuma mulher conquistou uma das oito vagas do DF.

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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, de 44 anos, conquistou uma das duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal com 938.496 votos, equivalentes a 29,05% dos votos válidos. Foi a primeira eleição disputada por Michelle, que se tornou a candidata ao Senado mais votada da história do DF.

Nascida em Ceilândia, Michelle ganhou projeção nacional durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. Como primeira-dama, participou de iniciativas relacionadas à assistência social, especialmente voltadas a pessoas com deficiência e doenças raras.

Em 2023, assumiu a presidência do PL Mulher, estrutura partidária dedicada à participação feminina na política. No cargo, percorreu diferentes estados para apoiar candidaturas e fortalecer a presença do partido nas eleições municipais.

Na campanha de 2026, Michelle destacou valores cristãos, a defesa da família e sua ligação com o Distrito Federal. A ex-primeira-dama disputou a eleição em aliança com Bia Kicis e apoiou Celina Leão (PP) na corrida pelo governo local.

Bia Kicis deixa Câmara após dois mandatos

A deputada federal Bia Kicis, de 65 anos, foi eleita senadora com 27,44% dos votos válidos. Advogada e procuradora aposentada do Distrito Federal, ela iniciou sua trajetória eleitoral em 2018, quando conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Reeleita em 2022, Bia ganhou destaque na oposição ao governo Lula e em debates sobre o funcionamento das instituições, as regras eleitorais e as pautas de costumes.

Em 2021, tornou-se a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, um dos principais colegiados da Casa.

Entre suas posições políticas estão a defesa de mudanças nas regras eleitorais e a oposição à ampliação do acesso ao aborto. Em 2023, Bia também esteve entre os dez deputados que votaram contra o projeto destinado a fortalecer a igualdade salarial entre homens e mulheres.

Com a eleição para o Senado, ela encerrará sua passagem pela Câmara e iniciará um mandato de oito anos, até 2035.

Damares Alves completa bancada feminina

A terceira integrante da bancada será Damares Alves (Republicanos), eleita senadora pelo Distrito Federal em 2022, com 714.562 votos. Seu mandato vai até 2031.

Antes de chegar ao Senado, Damares ocupou o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos durante o governo Jair Bolsonaro.

Ligada ao movimento evangélico e a organizações de defesa da infância, a parlamentar construiu sua trajetória política com atuação em temas como proteção de crianças e adolescentes, enfrentamento da violência e defesa de valores conservadores.

No Senado, Damares integra a base de oposição ao governo Lula e mantém proximidade política com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis.

Durante as eleições de 2026, apoiou as duas candidaturas que completarão a representação feminina do Distrito Federal.

Por que a bancada é chamada de feminina, mas não feminista?

A expressão utilizada para descrever a nova bancada está relacionada às posições políticas das três senadoras, que defendem a participação das mulheres na política, mas se distanciam de movimentos e correntes feministas.

Michelle, Bia e Damares se identificam com o campo conservador e apresentam posicionamentos semelhantes em temas como aborto, religião e família.

A cientista política Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília (UnB), chama a atenção para a diferença entre a presença numérica de mulheres nos espaços de poder e a defesa de determinadas políticas de igualdade de gênero.

A composição integralmente feminina representa um avanço inédito na ocupação das cadeiras do DF, mas não significa que as parlamentares compartilhem as pautas dos movimentos feministas.

Também não significa que mulheres eleitas por diferentes partidos tenham necessariamente as mesmas prioridades legislativas.

DF não elegeu mulheres para a Câmara dos Deputados

O resultado do Senado contrasta com a disputa pelas oito cadeiras do Distrito Federal na Câmara dos Deputados. Nenhuma mulher foi eleita para representar a capital na próxima legislatura.

Entre os eleitos estão Fábio Felix (PSOL), Rafael Prudente (MDB), Alberto Fraga (PL), Thiago Manzoni (PL), Julio Cesar (Republicanos), Izalci Lucas (PL), Agnelo Queiroz (PT) e Professor Reginaldo Veras (PV).

Na eleição para o Senado, outras duas candidatas tiveram votações expressivas, mas ficaram fora das vagas disponíveis.

Leila do Vôlei (PDT), que buscava a reeleição, terminou em terceiro lugar, com 21,25% dos votos válidos. Erika Kokay (PT), deputada federal, ficou na quarta posição, com 18,91%.

O cenário evidencia uma diferença entre os resultados das duas Casas do Congresso: enquanto o DF terá três senadoras, sua bancada de deputados federais será composta apenas por homens.

Nova composição começa em fevereiro de 2027

Michelle Bolsonaro e Bia Kicis tomarão posse em fevereiro de 2027, com mandatos previstos até janeiro de 2035. Damares Alves continuará no Senado até 2031.

As três parlamentares pertencem a partidos aliados e compartilham posições conservadoras em diferentes temas, embora cada uma tenha sua própria trajetória e atuação legislativa.

Com a posse das eleitas, o Distrito Federal passará a ter uma representação inédita no Senado, marcando um novo capítulo na participação feminina na política brasileira.

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