Subtenente do Bope morre em tiroteio com PMs no Rio; 4 feridos

Conflito entre equipes do Bope e 18º BPM resulta em morte e feridos na Gardênia Azul, Rio de Janeiro.
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O subtenente do Bope Glaucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos, morre na manhã deste domingo em um tiroteio entre policiais militares na comunidade Gardênia Azul, Zona Sudoeste do Rio, após uma operação em que equipes do próprio Bope e do 18º BPM se confundem em meio à escuridão e ao uso de viaturas descaracterizadas.

Além de Glaucio Marcelo, outros quatro policiais ficam feridos — três do Bope e um do 18º BPM (Jacarepaguá) — e são levados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Dois já recebem alta e dois passam por cirurgia, com quadro considerado estável pela direção da unidade.

O confronto ocorre na Rua Guilherme Moreira, perto da Avenida Ayrton Senna, e leva ao fechamento da via e à interdição de faixas da Ayrton Senna na altura do Espaço Hall, no sentido Linha Amarela, durante a manhã. A Delegacia de Homicídios da Capital e a Corregedoria Interna da Polícia Militar apuram as circunstâncias da ação.

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O que aconteceu no tiroteio entre policiais na Gardênia Azul?

O tiroteio começa quando uma equipe do Bope aborda um carro na Rua Guilherme Moreira, na Gardênia Azul, enquanto policiais do 18º BPM se deslocam para a mesma região após receberem informação de que homens armados estariam no local.

Segundo as primeiras informações colhidas pela própria PM, os militares do 18º BPM não sabiam que o Bope atuava ali em viaturas descaracterizadas. Ao avistarem homens armados em um ponto escuro da rua, confundem os agentes do Bope com traficantes ligados ao Comando Vermelho e disparam. A equipe do Bope também reage, acreditando estar sob ataque de criminosos.

No fogo cruzado, o subtenente Glaucio Marcelo é atingido e, mesmo socorrido, não resiste. A viatura do 18º BPM fica crivada de tiros, e imagens feitas após o confronto mostram cápsulas espalhadas pelo chão e marcas de sangue no asfalto. O local é isolado para perícia ainda na manhã deste domingo.

Quantos policiais ficaram feridos no tiroteio na Gardênia Azul?

Quatro policiais ficam feridos no confronto — três do Bope e um do 18º BPM — além do subtenente morto. Todos são encaminhados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca.

De acordo com a direção do hospital, dois deles já têm alta médica e deixam a unidade ao longo da manhã. Os outros dois passam por cirurgia e seguem internados em estado estável. Seus nomes não são divulgados oficialmente até o momento.

Investigação apura falha de comunicação e possível fogo amigo

A ocorrência é registrada inicialmente na 41ª DP (Tanque), mas segue para a Delegacia de Homicídios da Capital, que assume a investigação criminal. Paralelamente, a Corregedoria Interna da Polícia Militar, por meio da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, abre procedimento para apurar responsabilidades dentro da corporação.

As linhas de apuração incluem possível falha de comunicação entre o Bope e o 18º BPM, ausência de coordenação integrada e o uso de viaturas descaracterizadas em área de alta tensão, o que teria dificultado a identificação mútua entre os policiais. A escuridão da Rua Guilherme Moreira, alvo de queixas constantes de moradores pela falta de iluminação e asfalto precário, é apontada como fator que agrava o risco.

O inquérito deve analisar balística, imagens de câmeras da região, registros de rádio e depoimentos dos policiais envolvidos e de testemunhas para determinar de onde partiram os disparos que atingiram o subtenente e os demais agentes, além de verificar se houve descumprimento de protocolos operacionais.

Quem foi o policial morto no tiroteio da Gardênia Azul?

O subtenente morto é Glaucio Marcelo Fonseca da Silva, de 54 anos, integrante do Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio. Ele estava prestes a completar 26 anos de serviços prestados à corporação e era considerado um policial experiente em ações de choque e operações em áreas de conflito.

Em nota de pesar, assinada pelo comandante do Bope, tenente-coronel Carlos Eduardo da Silveira Monteiro, a unidade destaca a trajetória do subtenente: “Aos 54 anos de idade, o policial militar dedicou grande parte de sua vida à missão de servir e proteger. Em dezembro deste ano, completaria 26 anos de serviços prestados à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, uma trajetória marcada pelo compromisso com a farda e com a missão policial”.

O texto também expressa solidariedade aos familiares: “Neste momento de dor, o BOPE se solidariza com seus familiares e amigos, expressando sinceras condolências e desejando força e conforto para enfrentar essa irreparável perda”. Glaucio deixa três filhos: duas filhas, de 30 e 19 anos, e um menino de 7 anos.

O subtenente é irmão do sargento Heber Carvalho, também do Bope, morto durante a Operação Contenção nos complexos da Penha e do Alemão, em uma megaoperação que deixou mais de 120 mortos. A nova morte na mesma família, em circunstâncias trágicas, aprofunda o impacto emocional dentro da tropa de elite da PM.

Entenda o contexto

A Gardênia Azul, na região de Jacarepaguá, é uma área marcada por disputas de facções e constantes operações policiais. Moradores relatam que o trecho da Rua Guilherme Moreira onde ocorreu o confronto é mal iluminado e com asfalto em más condições, cenário que aumenta a sensação de insegurança e o risco de erros em ações noturnas ou em baixa visibilidade.

O caso deste domingo expõe falhas de coordenação interna da Polícia Militar, justamente em um território onde operações de diferentes unidades, como batalhões de área e grupos especiais, costumam se sobrepor. A morte de um subtenente do Bope por tiros disparados por colegas de farda aumenta a pressão por revisão de protocolos, principalmente no uso de viaturas descaracterizadas e em operações simultâneas.

Dentro da corporação, o episódio é visto como um golpe na moral da tropa e deve alimentar o debate sobre treinamento, comunicação por rádio, identificação visual entre equipes e condições de trabalho dos policiais em áreas de alto risco. As conclusões das investigações da Delegacia de Homicídios e da Corregedoria serão decisivas para eventuais mudanças de procedimento e responsabilizações administrativas e criminais.

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