O uso excessivo de celulares, tablets e videogames pode prejudicar o desenvolvimento das crianças, especialmente quando substitui brincadeiras, atividades físicas e momentos de convivência familiar. O alerta foi feito pelo médico pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria, durante uma edição especial do quadro Fala, Dr., exibido no NC News Acontece em comemoração ao Dia das Crianças.
Na entrevista, o especialista explicou que a tecnologia pode contribuir para o aprendizado, mas exige acompanhamento dos responsáveis e limites de tempo de acordo com a faixa etária. Ele também chamou a atenção para a exposição precoce às telas e para a importância de preservar experiências fundamentais da infância, como brincar, conversar e praticar esportes.
Ao longo da conversa, o pediatra apresentou orientações para os pais, discutiu o papel das ferramentas digitais na educação e alertou para os efeitos do comportamento sedentário sobre a saúde infantil.
Como proteger crianças e adolescentes dos riscos no ambiente online
Crianças estão tendo contato com telas cada vez mais cedo
Ao ser questionado sobre a presença de smartphones e tablets na rotina infantil, Nelson Douglas Ejzenbaum destacou que o contato com dispositivos digitais depende, principalmente, das decisões dos adultos responsáveis.
“Não são as crianças que nascem no mundo digital, e sim os pais que fornecem esse mundo digital para as crianças. E isso tem que ser feito com muito cuidado.”
Segundo o médico, o acesso precoce e sem supervisão pode interferir em experiências importantes para o desenvolvimento, principalmente quando ocupa o tempo destinado à interação com outras pessoas e às brincadeiras.
Durante o programa, o especialista apresentou as seguintes recomendações de tempo de tela:
- Menores de 2 anos: evitar a exposição às telas.
- De 2 a 5 anos: até uma hora diária.
- De 5 a 10 anos: até duas horas diárias.
- Acima de 10 anos: avaliar o uso conforme a rotina escolar e social, com limite de três horas para entretenimento, segundo a orientação apresentada pelo entrevistado.
Os limites foram apresentados pelo pediatra durante a entrevista. A definição do uso adequado também deve considerar o conteúdo acessado, a finalidade da atividade e as necessidades individuais de cada criança.
Tecnologia também pode ajudar no aprendizado
Apesar dos alertas, o especialista ressaltou que os recursos digitais podem trazer benefícios quando utilizados com objetivos educativos.
Ferramentas de pesquisa, plataformas de aprendizagem e recursos de inteligência artificial foram citados como possibilidades para ampliar o acesso das crianças ao conhecimento.
“A gente pode ensinar muito mais uma criança usando tecnologia. Isso não tira o prejuízo que o excesso de tecnologia causa.”
Para o pediatra, a diferença está na forma como os dispositivos são utilizados. Atividades como estudar, pesquisar, aprender habilidades e interagir com colegas podem contribuir para o desenvolvimento quando são acompanhadas pelos responsáveis.
Ele também alertou para o uso de telas como uma maneira de manter a criança ocupada enquanto os adultos realizam outras tarefas.
“Quando você inverte esse eixo e coloca a criança no mundo digital para que ela simplesmente fique parada para você poder fazer suas funções, isso coloca a criança em perigo.”
Brincadeiras e convivência familiar são fundamentais
Outro ponto abordado no Fala, Dr. foi a necessidade de equilibrar o tempo diante das telas com atividades fora do ambiente digital.
O médico defendeu que os responsáveis incentivem jogos de tabuleiro, brincadeiras com bola, atividades ao ar livre, esportes e conversas em família.
“A gente tem que tomar o cuidado de pôr nossos filhos para pensar, para brincar, para se divertir, para ter esporte, contato interpessoal, estudar. Tudo isso tem que ser muito bem dosado.”
O especialista também destacou a importância do chamado tempo de qualidade, período em que pais e filhos compartilham experiências e fortalecem os vínculos familiares.
Segundo ele, a convivência cotidiana contribui para o desenvolvimento de habilidades sociais, emocionais e cognitivas que não devem depender exclusivamente de ferramentas digitais.
Celular ou brinquedo tradicional? Pediatra orienta famílias
Durante a edição especial do Dia das Crianças, a entrevista também abordou uma dúvida comum entre os responsáveis: como agir quando os filhos preferem celulares e tablets a presentes tradicionais, como bolas, bonecas e jogos.
Nelson Douglas Ejzenbaum afirmou que não considera necessariamente errado oferecer um presente tecnológico, desde que ele não substitua outras experiências da infância.
“Saiba o seu valor e saiba o valor do seu filho. Saiba que ele merece um mundo onde ele pode brincar.”
O médico recomendou que as famílias mantenham momentos de lazer compartilhado, independentemente dos dispositivos disponíveis em casa.
“Eu não vejo nada errado em você dar um presente tecnológico pro seu filho, mas lembre que você tem que brincar de bola, de esconde-esconde, levar ele no mar, se for possível, num parque, brincar com animais, ter contato familiar, conversar.”
Para o especialista, a presença ativa dos responsáveis é essencial para que a tecnologia seja apenas uma das ferramentas de desenvolvimento, e não o centro da rotina infantil.
Sedentarismo e obesidade também preocupam
Na parte final da entrevista, o pediatra chamou a atenção para a relação entre o excesso de tempo sentado diante de dispositivos eletrônicos e a redução das atividades físicas.
“Cuidado com a pandemia de obesidade. Quanto mais seu filho fica parado na frente de uma tela, menos ele brinca. Mais ele engorda, menos ele se desenvolve.”
A declaração reforçou a necessidade de oferecer oportunidades para que as crianças se movimentem, pratiquem esportes e participem de atividades recreativas.
O médico destacou que o equilíbrio entre tecnologia, brincadeiras e convivência familiar deve fazer parte das decisões dos responsáveis desde os primeiros anos de vida.
Especial do NC News Acontece debate infância na era digital
A entrevista com Nelson Douglas Ejzenbaum integrou a programação especial do NC News Acontece para o Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro.
No quadro Fala, Dr., a equipe discutiu quatro pontos centrais: os benefícios da tecnologia, a importância das brincadeiras, os riscos da exposição excessiva às telas e as formas de encontrar equilíbrio na rotina infantil.
Ao encerrar a participação, o pediatra se colocou à disposição para esclarecer dúvidas e reforçou a importância de manter o diálogo sobre a relação entre crianças e tecnologia.
O especial destacou que o uso de ferramentas digitais não precisa excluir as brincadeiras tradicionais, desde que haja supervisão, limites e participação ativa da família.