Sobe para 40 o número de brasileiros mortos na guerra da Ucrânia; outros 108 estão desaparecidos

Novo balanço do Itamaraty reúne informações oficiais dos governos da Rússia e da Ucrânia e mostra aumento nos registros de mortes e desaparecimentos de brasileiros envolvidos no conflito
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O número de brasileiros mortos na guerra entre Rússia e Ucrânia chegou a 40, segundo um balanço atualizado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) nesta terça-feira (13). O Itamaraty também contabiliza 108 brasileiros desaparecidos em combate. Os dados consideram cidadãos que se alistaram para lutar pelos dois lados do conflito, iniciado em fevereiro de 2022.

Entre os mortos, 38 integravam as forças ucranianas e dois combatiam pelo lado russo. Já entre os desaparecidos, 98 estavam vinculados ao Exército da Ucrânia e dez às forças da Rússia. As informações foram repassadas ao governo brasileiro pelas autoridades dos dois países.

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Número de brasileiros mortos e desaparecidos aumenta

O levantamento anterior do Itamaraty apontava 38 brasileiros mortos e 102 desaparecidos. Com a atualização, foram acrescentadas duas mortes e seis ocorrências de desaparecimento, elevando para 148 o total de brasileiros nessas duas situações.

O Ministério das Relações Exteriores ressalta que a classificação de desaparecido em combate, conhecida internacionalmente pela expressão inglesa “missing in action” (MIA), não significa que a morte tenha sido confirmada.

Por esse motivo, os 108 desaparecidos não são incluídos na contagem oficial de mortos. A distinção é importante porque o paradeiro de militares pode permanecer desconhecido por longos períodos, especialmente em regiões onde os confrontos dificultam as operações de busca e identificação.

O governo brasileiro também informou que não possui dados consolidados sobre a quantidade total de cidadãos que se alistaram para participar da guerra.

 

Embaixadas brasileiras acompanham os casos

Segundo o Itamaraty, as embaixadas do Brasil em Kiev, capital da Ucrânia, e em Moscou, na Rússia, mantêm contato com as autoridades locais para acompanhar a situação dos brasileiros envolvidos no conflito.

As representações diplomáticas trabalham para obter informações sobre mortes e desaparecimentos e comunicar os familiares no Brasil. Entretanto, as condições de segurança, as dificuldades de deslocamento e as restrições impostas pela guerra podem atrasar a confirmação das ocorrências.

O ministério também presta assistência consular dentro das possibilidades existentes, incluindo orientações às famílias e, em determinadas circunstâncias, pequenos auxílios a cidadãos em situação de vulnerabilidade.

A pasta não informou quantas famílias foram notificadas sobre mortes ou desaparecimentos nem quantos brasileiros receberam assistência financeira.

 

Itamaraty alerta brasileiros sobre riscos de alistamento

O governo brasileiro mantém orientações para desencorajar a participação de cidadãos em conflitos armados no exterior. Desde maio de 2025, o Ministério das Relações Exteriores alerta para os riscos de viagens às regiões próximas às frentes de combate na Ucrânia.

Em julho daquele ano, a chancelaria publicou um comunicado específico sobre os perigos do ingresso em forças militares estrangeiras. A orientação foi atualizada em setembro de 2026 e passou a recomendar expressamente que brasileiros recusem propostas de trabalho ou alistamento em exércitos de outros países.

O Itamaraty destaca que contratos assinados pelos combatentes e as condições do conflito podem limitar a atuação das autoridades consulares brasileiras.

O ministério também esclarece que o governo federal não tem obrigação de custear passagens ou despesas de retorno ao Brasil de cidadãos que estejam no exterior.

Além dos riscos físicos, brasileiros envolvidos em conflitos internacionais podem ser responsabilizados judicialmente por crimes praticados fora do país quando houver previsão na legislação brasileira e nos tratados internacionais aplicáveis.

 

Brasileiros relatam ataques em território ucraniano

O novo balanço foi divulgado em meio a relatos de brasileiros que permanecem em áreas atingidas pelos confrontos.

Um dos episódios recentes envolve Lucas Candido, voluntário no Exército ucraniano, que publicou nas redes sociais imagens de um ataque russo ao prédio onde estava hospedado, na cidade de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia.

Outros dois brasileiros, identificados como Thiago e Gabriel, também estavam no apartamento. Após a explosão, Gabriel relatou que colegas ficaram feridos e que ele sofreu um machucado na perna, mas afirmou que o grupo estava bem.

O episódio evidencia os riscos enfrentados por estrangeiros que se deslocam para participar da guerra, inclusive fora das posições diretamente envolvidas nos combates.

 

Guerra entre Rússia e Ucrânia entra no quinto ano

A invasão russa em larga escala da Ucrânia começou em fevereiro de 2022. Desde então, o conflito provocou mortes, deslocamentos populacionais e danos à infraestrutura dos dois países.

Nesta terça-feira (13), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Ucrânia havia suspendido por dois dias os ataques contra instalações energéticas russas após o anúncio de uma proposta de cessar-fogo energético pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo Zelensky, a Rússia não teria adotado a mesma postura e continuou atacando instalações de energia e outras estruturas consideradas críticas pela Ucrânia.

O governo russo não confirmou oficialmente sua adesão à trégua. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, informou que as conversas sobre o assunto continuavam em andamento.

Enquanto as negociações prosseguem, as autoridades brasileiras seguem acompanhando os casos de cidadãos envolvidos na guerra e orientando familiares que buscam informações sobre mortos e desaparecidos.

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