O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) voltou a visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta terça-feira (13), após três meses de restrição determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro ocorreu na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, no Jardim Botânico, em Brasília.
Flávio chegou ao local por volta das 9h45, um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes autorizar a retomada das visitas. A decisão encerrou uma suspensão de 90 dias, imposta em julho após o descumprimento de medidas judiciais pelo ex-presidente.
A visita acontece durante a campanha do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar da autorização, o STF manteve a proibição de utilizar os encontros para atividades político-eleitorais ou divulgar mensagens de Jair Bolsonaro.
Moraes autoriza Flávio Bolsonaro a voltar a visitar o pai, mas mantém restrições
Por que Flávio Bolsonaro ficou 90 dias sem visitar o pai?
A suspensão foi determinada em julho, depois que Flávio Bolsonaro divulgou nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente em apoio à candidatura do filho à Presidência.
Na ocasião, Jair Bolsonaro estava submetido a medidas que impediam o uso de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros. Moraes considerou que a divulgação da carta representou uma tentativa de contornar as restrições judiciais.
O ministro entendeu que houve desvio de finalidade no direito de visita, já que o encontro familiar teria sido utilizado para transmitir uma manifestação política do ex-presidente.
Com isso, Flávio ficou impedido de visitar o pai durante toda a campanha do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. A suspensão terminou no último domingo (11).
O que mudou com a decisão de Alexandre de Moraes?
A defesa de Jair Bolsonaro havia solicitado ao STF o restabelecimento das visitas familiares, argumentando que a manutenção da proibição não seria necessária após o cumprimento do prazo estabelecido.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à retomada dos encontros. Ao analisar o pedido, Moraes considerou que não surgiram novos fatos que justificassem a prorrogação da suspensão.
A autorização, entretanto, não representa uma liberação irrestrita. Flávio poderá visitar o pai dentro das condições e medidas de segurança anteriormente estabelecidas, mas continua proibido de utilizar os encontros para atividades eleitorais.
Também permanece vedada a divulgação de cartas, manifestos ou declarações de Jair Bolsonaro sobre as eleições, inclusive por intermédio de outras pessoas.
Flávio comentou expectativa para o reencontro
Na segunda-feira (12), durante uma conversa com jornalistas após participar de uma celebração religiosa em Brasília, Flávio Bolsonaro falou sobre a expectativa de reencontrar o pai e criticou a decisão que havia impedido as visitas.
“Estou ansioso, há mais de três meses sem vê-lo por uma decisão sem nenhum amparo legal. Separar o filho do pai é o mais grave. Quero saber como está o rosto dele, o ânimo dele com o que está acontecendo”, declarou.
A crítica do senador se refere à suspensão determinada pelo STF. A medida havia sido fundamentada pelo ministro Alexandre de Moraes no descumprimento das restrições judiciais impostas ao ex-presidente.
Jair Bolsonaro foi condenado em 2025 a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. Atualmente, cumpre a pena em regime domiciliar, sob condições estabelecidas pela Justiça.
Próximos passos na campanha presidencial
Depois da visita ao pai, Flávio Bolsonaro tem compromissos de campanha previstos para esta terça-feira em São Paulo.
Às 15h, o candidato deve se reunir com representantes do MDB. A expectativa é de que o encontro trate do posicionamento de integrantes do partido no segundo turno presidencial.
Às 17h, está prevista a participação de Flávio no Grande Encontro do Associativismo, no Clube Atlético Monte Líbano, na capital paulista. A programação inclui representantes do setor empresarial e autoridades, entre elas o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
A agenda também prevê uma entrevista ao Anima Podcast, às 21h, ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, Flávio Bolsonaro e Lula devem intensificar suas agendas de campanha em diferentes regiões do país.