O governo federal reconheceu situação de emergência em 15 municípios do Amapá por causa da vassoura-de-bruxa, uma doença que atinge plantações de mandioca e ameaça a produção de alimentos e a renda de agricultores. A medida foi oficializada pela Defesa Civil Nacional na terça-feira (13), por meio da Portaria nº 3.474, publicada no Diário Oficial da União.
Com o reconhecimento, as prefeituras afetadas poderão solicitar recursos federais para ações de defesa civil. A doença preocupa especialmente comunidades rurais e indígenas que dependem da mandioca para alimentação e produção de farinha, beiju e outros derivados.
A praga foi identificada pela primeira vez no Brasil em julho de 2024, em plantações de mandioca localizadas em terras indígenas de Oiapoque, no Amapá. Desde então, o avanço da doença levou à adoção de medidas emergenciais para tentar conter a disseminação do fungo.
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Quais municípios do Amapá estão em situação de emergência?
A portaria federal reconhece a emergência nos municípios de Amapá, Calçoene, Cutias, Ferreira Gomes, Itaubal, Laranjal do Jari, Macapá, Mazagão, Oiapoque, Pedra Branca do Amapari, Porto Grande, Pracuúba, Santana, Serra do Navio e Tartarugalzinho.
A decisão abrange 15 dos 16 municípios do estado. Vitória do Jari é o único que não aparece na lista de reconhecimento federal.
O reconhecimento não significa que recursos serão transferidos automaticamente. Cada prefeitura deverá apresentar um plano de trabalho com as ações necessárias e os valores solicitados.
O que é a vassoura-de-bruxa e por que ela ameaça a mandioca?
A vassoura-de-bruxa da mandioca é uma doença causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, também conhecido como Ceratobasidium theobromae.
A infecção provoca alterações no crescimento da planta, incluindo brotos anormais, ramos finos e deformações que lembram uma vassoura, característica que deu origem ao nome da doença.
Com o agravamento da infecção, a mandioca pode apresentar folhas amareladas, murcha, secamento dos ramos e morte dos tecidos vegetais. Em situações graves, a doença compromete o desenvolvimento das raízes e pode provocar perdas severas nas lavouras.
O problema é especialmente preocupante porque a mandioca é uma das principais culturas alimentares da Amazônia. Além do consumo direto, ela sustenta a produção de farinha e outros alimentos tradicionais, sendo também fonte de renda para pequenos agricultores.
Doença já provocou emergência fitossanitária no Amapá e Pará
O avanço da vassoura-de-bruxa não é recente. Em 2025, o Ministério da Agricultura e Pecuária declarou emergência fitossanitária nos estados do Amapá e Pará, diante da ameaça representada pela doença.
A medida foi prorrogada em janeiro de 2026 e integra um conjunto de ações de prevenção, fiscalização e controle da praga.
Entre as recomendações do Ministério da Agricultura estão a eliminação de plantas contaminadas, a limpeza e desinfecção de ferramentas agrícolas e o controle da circulação de materiais vegetais entre áreas atingidas e regiões ainda livres da doença.
Esses cuidados são importantes porque o fungo pode permanecer no solo e ser transportado por materiais contaminados, favorecendo o surgimento de novos focos.
Como os municípios poderão receber recursos federais?
Com a situação de emergência reconhecida, as prefeituras poderão encaminhar pedidos de apoio financeiro ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
As solicitações devem ser registradas no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), acompanhadas dos planos de trabalho que detalham as necessidades de cada município.
A Defesa Civil Nacional avaliará as ações propostas e os valores solicitados. Caso os pedidos sejam aprovados, uma nova portaria será publicada no Diário Oficial da União, autorizando a liberação dos recursos.
O próximo passo será a apresentação e análise dessas solicitações. Até o momento, o reconhecimento federal não estabelece um valor único de repasse para os 15 municípios.
A prioridade é ampliar a capacidade de resposta das administrações locais diante de uma doença que ameaça não apenas a produção agrícola, mas também a segurança alimentar e a subsistência de famílias no Amapá.