Jovem de 19 anos é morta pelo ex, que alega ter atirado ‘sem querer’

Preso em Taboão da Serra, suspeito alegou ter agido por emoção; polícia investiga histórico de ameaças e agressões contra a vítima.
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Mateus Isaac Cardoso Silva, de 22 anos, confessou ter atirado contra a ex-namorada Ana Clara Soares de Oliveira, de 19 anos, durante uma discussão em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Preso na noite de terça-feira (13), ele afirmou que o disparo aconteceu “sem querer” e atribuiu sua atitude a um momento de emoção. A jovem morreu após ser atingida na cabeça na madrugada de segunda-feira (12).

A declaração foi registrada em vídeo após a prisão do suspeito. Nas imagens, Mateus aparece algemado e tenta explicar aos policiais o que aconteceu. A versão apresentada por ele contrasta com relatos de familiares e testemunhas, que apontam um histórico de agressões e ameaças contra Ana Clara.

O caso é investigado como feminicídio pelo 1º Distrito Policial de Taboão da Serra. Segundo os depoimentos reunidos pela Polícia Civil, o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e teria anunciado, semanas antes do crime, que havia comprado uma arma para matar a jovem.

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Após ser localizado pela Polícia Militar, Mateus Isaac Cardoso Silva foi levado ao 1º Distrito Policial de Taboão da Serra, onde falou sobre o disparo que matou Ana Clara.

Em um vídeo divulgado após a prisão, o suspeito afirma que não teria tido a intenção de matar a ex-namorada.

“Eu apertei sem querer, num momento de emoção.”

Durante a gravação, Mateus também questiona a própria atitude.

“Pra que que eu ia fazer isso com a menina, mano?”

Ao ser questionado sobre a posição da arma no momento do disparo, ele negou que estivesse apontando diretamente para o rosto da vítima.

A alegação de que o tiro foi acidental é a versão apresentada pelo investigado e não foi confirmada pela Polícia Civil. Os investigadores analisam os depoimentos e as provas para esclarecer a dinâmica do crime.

Jovem foi morta durante discussão em Taboão da Serra

O crime aconteceu por volta de 0h30 de segunda-feira (12), em uma residência localizada na Rua Itu, no Jardim Três Marias, em Taboão da Serra.

Segundo o boletim de ocorrência, Ana Clara e Mateus estavam temporariamente hospedados na casa de um amigo do suspeito.

O proprietário do imóvel saiu por alguns minutos, deixando os dois sozinhos. Nesse intervalo, teria ocorrido uma discussão.

De acordo com a investigação, Mateus efetuou um disparo contra a cabeça de Ana Clara, que morreu no sofá da sala.

Quando o amigo retornou, encontrou o suspeito no portão. Mateus teria contado que havia atirado na jovem e pedido ajuda, afirmando que tudo aconteceu sem querer.

Diante da recusa do amigo, o investigado fugiu utilizando a motocicleta dele e levando a arma.

Suspeito foi preso após denúncia anônima

Depois do crime, Mateus permaneceu foragido por aproximadamente um dia.

Durante esse período, teria enviado mensagens e áudios à própria mãe, nos quais admitiu o disparo contra Ana Clara.

Na noite de terça-feira (13), policiais militares receberam uma denúncia anônima indicando que o suspeito estava escondido em um imóvel no Jardim Salete, também em Taboão da Serra.

As equipes foram ao endereço, localizaram Mateus e confirmaram a existência de um mandado de prisão temporária contra ele.

Durante a abordagem, três aparelhos celulares foram apreendidos.

O suspeito foi encaminhado à delegacia e permanece à disposição da Justiça. O caso foi registrado como feminicídio consumado.

Família relata histórico de agressões e ameaças contra Ana Clara

Os depoimentos prestados à Polícia Civil apontam que Ana Clara já teria sofrido episódios de violência durante o relacionamento com Mateus.

Segundo familiares, o investigado apresentava comportamento possessivo e não aceitava o término do namoro.

A tia da vítima e a própria mãe do suspeito relataram aos investigadores episódios anteriores de agressão física.

Em uma das situações, ocorrida cerca de um mês antes da morte, Mateus teria aplicado um golpe conhecido como “mata-leão” contra a jovem.

Testemunhas também afirmaram que, aproximadamente duas semanas antes do assassinato, ele comentou com pessoas do bairro que havia comprado uma arma e pretendia matar Ana Clara.

De acordo com os relatos, a jovem chegou a mudar de bairro por medo de novas agressões.

As informações fazem parte da investigação e deverão ser confrontadas com os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

Mensagens revelam medo da vítima antes do feminicídio

Em conversas anteriores ao crime, Ana Clara teria relatado a uma amiga que sentia medo do ex-namorado.

Uma das mensagens divulgadas pela imprensa mostra a jovem manifestando o desejo de continuar vivendo.

“Amiga, eu não quero morrer não. Eu quero viver minha vida.”

O conteúdo reforça os relatos de familiares sobre o temor que Ana Clara sentia diante das ameaças atribuídas ao suspeito.

A Polícia Civil também apreendeu o celular da vítima, que poderá fornecer informações sobre o relacionamento, as conversas anteriores ao crime e possíveis ameaças.

Ana Clara foi sepultada na terça-feira

O corpo de Ana Clara Soares de Oliveira foi sepultado na terça-feira (13), no Cemitério da Saudade, em Taboão da Serra.

A jovem tinha 19 anos e, segundo familiares, havia recebido orientações para se afastar do relacionamento devido ao comportamento agressivo do ex-companheiro.

O assassinato provocou comoção entre pessoas próximas à vítima, que relataram episódios anteriores de violência e cobraram a responsabilização do suspeito.

Polícia investiga feminicídio e analisa provas do crime

A investigação está sob responsabilidade do 1º Distrito Policial de Taboão da Serra.

Os policiais deverão analisar os celulares apreendidos, ouvir testemunhas e reunir laudos periciais para esclarecer as circunstâncias do disparo.

A principal linha de investigação é a de feminicídio, crime caracterizado pelo assassinato de uma mulher por razões relacionadas à condição do sexo feminino, incluindo situações de violência doméstica e familiar.

A confissão do disparo não encerra a apuração. A polícia ainda deverá esclarecer se houve intenção de matar, como a arma foi utilizada e quais circunstâncias antecederam o crime.

Até a conclusão das investigações e eventual decisão judicial, Mateus Isaac Cardoso Silva é considerado suspeito do feminicídio.

Como denunciar violência contra a mulher

Mulheres em situação de violência podem procurar uma Delegacia de Defesa da Mulher ou qualquer unidade da Polícia Civil para registrar a ocorrência e solicitar proteção.

A Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, oferece orientações e recebe denúncias de violência.

Em situações de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo número 190.

A denúncia também pode ser feita por familiares, amigos ou testemunhas que tenham conhecimento de situações de violência doméstica.

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