A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou um canal de denúncias de censura digital para reunir relatos de usuários que enfrentaram bloqueios, remoção de publicações e restrições de alcance nas redes sociais durante as eleições de 2026. A plataforma, chamada Censura Digital, surge em meio a uma disputa entre a equipe do presidente e a Meta, responsável pelo Instagram e Facebook.
O lançamento ocorre após a empresa reconhecer falhas técnicas que afetaram ferramentas utilizadas pela campanha petista. A equipe de Lula sustenta que os episódios podem ter prejudicado a divulgação de conteúdos eleitorais e pretende reunir informações para solicitar providências à Justiça Eleitoral.

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Como funciona o canal de denúncias de censura digital de Lula?
O novo canal está disponível no endereço censuradigital.lula.com.br e permite que usuários comuniquem possíveis irregularidades relacionadas ao funcionamento das redes sociais.
Entre as situações que podem ser relatadas estão a exclusão de publicações, o bloqueio de contas, a redução do alcance de conteúdos e dificuldades para impulsionar anúncios políticos.
A plataforma disponibiliza um formulário para que os usuários descrevam os episódios. Segundo a campanha, os registros serão analisados e poderão ser encaminhados à Justiça Eleitoral.
O objetivo declarado é reunir evidências que ajudem a identificar possíveis padrões de restrição de conteúdo e avaliar se as regras das plataformas estão sendo aplicadas de maneira uniforme.
Meta reconheceu falhas que afetaram campanha de Lula
O lançamento ocorre após esclarecimentos apresentados pela Meta em um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De acordo com informações divulgadas pela campanha de Lula, a empresa reconheceu três problemas relacionados ao funcionamento de suas plataformas.
O primeiro foi a desativação indevida da conta de anúncios da campanha em 23 de setembro. O segundo envolveu uma falha técnica na contagem de visualizações de vídeos publicados no Reels, em 7 de outubro.
A companhia também informou que sete contas que violavam suas regras permaneceram ativas até o ajuizamento da ação.
A Meta atribuiu os problemas a questões técnicas e negou que houvesse perseguição política contra o presidente.
O reconhecimento dessas falhas não comprova, por si só, a existência de censura deliberada ou de interferência eleitoral. A campanha, porém, considera que os episódios justificam uma investigação mais ampla.

Campanha de Lula questiona alcance de publicações no Instagram
Além dos problemas técnicos reconhecidos pela Meta, a campanha petista questiona diferenças de desempenho entre os perfis de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente no segundo turno das eleições de 2026.
A equipe de Lula afirma que conteúdos publicados em suas redes sociais enfrentaram restrições de distribuição e dificuldades de impulsionamento.
Em reportagem publicada anteriormente pelo NC News sobre as acusações contra a Meta, a campanha relatou problemas na visibilidade das publicações e anunciou medidas junto ao TSE.
Diferenças de engajamento entre candidatos, entretanto, não demonstram isoladamente favorecimento por parte de uma plataforma. O alcance de publicações também pode variar conforme o comportamento do público, o formato dos conteúdos e outros fatores.
Denúncias poderão ser encaminhadas ao TSE
A campanha pretende utilizar os relatos recebidos pelo canal Censura Digital para embasar pedidos de apuração sobre eventuais irregularidades nas plataformas.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a ferramenta permite que pessoas que se considerem prejudicadas descrevam as ocorrências para análise da assessoria jurídica da campanha.
O envio de uma denúncia não significa que a irregularidade tenha sido comprovada. Caberá às autoridades competentes avaliar as evidências apresentadas e determinar se houve violação das regras eleitorais.
O novo site também não substitui os canais oficiais da Justiça Eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza ferramentas próprias, como o Pardal, para denúncias de possíveis irregularidades em campanhas, e o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), voltado a situações relacionadas à desinformação.

Campanha também levanta questionamentos sobre inteligência artificial
As críticas da campanha de Lula não se limitam ao Instagram e ao Facebook.
A equipe do presidente também afirma ter identificado possíveis diferenças no comportamento de ferramentas de inteligência artificial diante de solicitações relacionadas aos candidatos.
Segundo a campanha, relatos sobre respostas consideradas enviesadas e dificuldades na geração de determinados conteúdos políticos levantam questionamentos sobre os critérios utilizados por empresas de tecnologia.
Essas alegações ainda precisam ser analisadas de forma independente para determinar se decorrem de regras gerais de funcionamento, falhas técnicas ou tratamento desigual.
Campanha pretende levar denúncias a organismos internacionais
A iniciativa poderá ter desdobramentos fora do Brasil.
No comunicado de lançamento, a campanha de Lula afirmou que considera encaminhar informações a organismos internacionais, incluindo a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e observadores eleitorais.
A proposta é ampliar o acompanhamento das denúncias e solicitar maior transparência sobre os critérios utilizados pelas plataformas digitais durante o processo eleitoral.
Até o momento, a divulgação dessa intenção não representa a abertura confirmada de investigações por essas organizações.
Disputa sobre redes sociais ganha força no segundo turno de 2026
O lançamento do canal acontece em meio à intensificação dos conflitos judiciais envolvendo comunicação digital, propaganda eleitoral e circulação de informações na disputa presidencial.
Nos últimos dias, decisões do TSE também atingiram o canal de WhatsApp conhecido como Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
A ferramenta foi alvo de questionamentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro e de determinações judiciais sobre seu funcionamento.
Em 13 de outubro, a campanha petista formalizou o registro do canal perante a Justiça Eleitoral, após uma nova suspensão determinada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.
O caso foi acompanhado pelo NC News, que detalhou o registro do Exército do Lula no TSE.
Embora envolvam discussões sobre comunicação eleitoral, o Exército do Lula e o novo canal Censura Digital são ferramentas diferentes. O primeiro é utilizado para divulgação de mensagens no WhatsApp; o segundo foi criado para receber relatos de possíveis restrições nas plataformas.
O que acontece agora com as denúncias de censura digital?
Com a plataforma disponível, a campanha poderá reunir relatos de usuários e selecionar casos para eventual encaminhamento à Justiça Eleitoral.
Ainda não foi divulgado um balanço público consolidado de denúncias recebidas pelo novo canal nem um prazo para apresentação dos registros às autoridades.
A principal questão a ser esclarecida é se os episódios relatados representam falhas técnicas isoladas, aplicação regular das políticas das plataformas ou eventuais irregularidades capazes de afetar a disputa eleitoral.
A apuração dependerá da análise de documentos, dados técnicos e manifestações das empresas envolvidas.