Menos de 24 horas depois de anunciar que não participaria do debate presidencial da Band/Estadão, marcado para domingo, o senador e candidato do PL, Flávio Bolsonaro, voltou atrás, reorganizou a agenda de campanha e confirmou presença, numa tentativa de conter o desgaste político e a onda de críticas nas redes sociais.
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Pressão das redes e presença de Lula mudam cálculo
A reversão foi decidida em uma reavaliação de urgência na campanha, após a constatação de que a ausência de Flávio no estúdio traria prejuízo maior do que o risco de exposição ao vivo. No anúncio da desistência, o núcleo de comunicação temia que qualquer deslize no debate alimentasse por vários dias a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com recortes negativos e viralização nas redes.
Com a recusa inicial, Lula confirmou quase de imediato que iria ao encontro na Band e ainda provocou o adversário.
“No domingo, eu estarei no debate da TV Bandeirantes e espero que meu adversário compareça para que possamos mostrar para o povo a diferença entre os nossos projetos”, afirmou o petista.
Enquanto isso, plataformas digitais registraram forte reação à decisão de Flávio, com termos como “fujão”, “medo” e “covarde” se espalhando entre apoiadores e críticos. A leitura no comitê do PL foi de que deixar o púlpito vazio, diante de um Lula sozinho no estúdio, cristalizaria a imagem de fragilidade e poderia custar votos decisivos.

Estratégia: de evitar desgaste a buscar visibilidade
Até a guinada, a estratégia da equipe de Flávio era priorizar apenas o debate da TV Globo, mais adiante, avaliando que haveria tempo extra de preparação e menor risco de uma sequência de ataques nas redes após a sabatina.
Com o novo cálculo, a campanha concluiu que a presença na Band/Estadão é oportunidade para ampliar visibilidade e mirar eleitores indecisos, além de tentar consolidar a imagem de um Bolsonaro moderado, aposta central da comunicação do PL. A avaliação interna é de que, se o candidato mantiver serenidade e postura equilibrada, o custo de participar será menor do que o dano de se ausentar.
Aliados próximos também defendem que Lula chega ao debate com imagem desgastada e discurso considerado “envelhecido”, o que abriria espaço para um confronto mais favorável ao presidenciável do PL se ele conseguir explorar contraste de estilo e propostas.
Vídeo de recuo e reorganização da agenda
Para comunicar a mudança de rumo, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes. Nele, tenta inverter a narrativa de recuo e direciona o ataque ao adversário.
“Lula, como você é previsível. Bastou eu falar que não ia no debate da Band para você, no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate”, disse o senador.
A decisão veio acompanhada de uma rearrumação da agenda de campanha. Flávio manteve a participação em uma manifestação na Avenida Paulista, no próprio domingo do debate, mas cancelou um ato previsto em Minas Gerais no fim da tarde para priorizar a preparação final para o confronto na TV.
Campanha entra em ritmo de simulado permanente
Segundo interlocutores da campanha, a preparação de Flávio para o encontro na Band/Estadão passa a ser permanente até domingo, com foco em dados econômicos, segurança pública e programas sociais, temas centrais da disputa com Lula. O candidato será treinado para responder a ataques sem perder o tom moderado e para explorar eventuais contradições do adversário.
Dois dias antes do debate da Band, a equipe também programou uma simulação específica voltada ao debate da TV Globo, já na fase final da campanha. A ideia é usar o treino antecipado tanto para ajustar linguagem e postura quanto para municiar o presidenciável com números e argumentos para os dois confrontos.
O debate de domingo é organizado em parceria por Band e Estadão, com participação de um pool de veículos formado por TV Cultura, TV Gazeta, Jovem Pan e YouTube. Com a confirmação de Flávio e a presença já assegurada de Lula, a expectativa é de que o encontro se torne um dos momentos centrais da reta final eleitoral, pressionando as demais campanhas a intensificar o preparo e realocar recursos para a guerra de narrativas que se seguirá nas ruas e nas redes.