Uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições brasileiras poderia ampliar a influência política e militar de Donald Trump na América Latina.
A avaliação é do jornal americano The New York Times, em reportagem repercutida nesta quarta-feira (14), que analisa o avanço de governos de direita na região e a estratégia dos Estados Unidos para fortalecer alianças no continente.
Segundo a publicação, candidatos de direita venceram sete eleições presidenciais latino-americanas nos últimos 18 meses. Nesse cenário, o Brasil representa um país estratégico para Washington, por reunir a maior população, o maior território e a maior economia da América Latina. A possível eleição de Flávio, aliado declarado de Trump, poderia aprofundar a aproximação entre os dois governos, especialmente no combate ao crime organizado.
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Por que uma vitória de Flávio Bolsonaro seria importante para Trump?
O New York Times destaca que o governo americano busca ampliar a cooperação com países latino-americanos em áreas como segurança pública, inteligência e combate ao narcotráfico. A aproximação com o Brasil teria peso especial devido à influência econômica e diplomática do país na região.
Flávio Bolsonaro já manifestou interesse em integrar o Brasil ao chamado Escudo das Américas, iniciativa liderada pelos Estados Unidos para coordenar ações contra organizações criminosas. O senador também defende maior colaboração com Washington no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho.
De acordo com o jornal, Flávio chegou a sinalizar, em publicações anteriores, apoio à possibilidade de uma intervenção militar americana no Brasil. Posteriormente, negou defender essa medida e afirmou que a cooperação com os Estados Unidos deveria se concentrar no compartilhamento de informações de inteligência.
Avanço da direita muda cenário político da América Latina
A reportagem relaciona a sequência de vitórias eleitorais de candidatos de direita à ampliação das alianças políticas de Trump na América Latina.
O presidente americano tem utilizado tarifas comerciais, sanções econômicas, restrições de vistos e iniciativas de cooperação militar como instrumentos de sua política externa para a região.
Uma das principais iniciativas é o Escudo das Américas, coalizão que, segundo os dados apresentados pela reportagem, reúne 18 países latino-americanos. Parte dos integrantes concordou em desenvolver operações militares conjuntas com os Estados Unidos.
Apesar disso, especialistas questionam a eficácia de algumas ações militares americanas contra o narcotráfico e alertam para os riscos de intervenções sobre a soberania dos países envolvidos.
Lula e Flávio defendem caminhos diferentes na relação com os EUA
O governo Lula tem defendido maior autonomia diplomática para o Brasil e criticado medidas americanas consideradas interferências em assuntos internos de outros países.
As divergências se intensificaram quando Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros durante o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi interpretada pelo governo brasileiro como uma tentativa de pressionar as instituições nacionais.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, sustenta que uma aproximação com os Estados Unidos pode fortalecer o combate às facções criminosas. O candidato também cita a política de segurança pública de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, como referência, embora as medidas adotadas naquele país sejam alvo de denúncias de violações de direitos humanos.
Segundo turno pode influenciar a política externa brasileira
O segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcado para 25 de outubro. O resultado definirá não apenas a Presidência da República, mas também a orientação das relações diplomáticas brasileiras nos próximos anos.
Na avaliação apresentada pelo New York Times, uma vitória de Flávio poderia ampliar a convergência entre Brasília e Washington, enquanto a reeleição de Lula manteria uma política externa voltada à defesa de maior autonomia brasileira diante das pressões americanas.
A reportagem, entretanto, apresenta uma análise de possíveis consequências políticas, e não uma previsão do resultado eleitoral. O alcance de qualquer mudança dependeria das decisões de um futuro governo, das relações comerciais do Brasil e das negociações com outros países.