A XP Investimentos projeta que a Caixa Seguridade (CXSE3) vai atravessar o choque da greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal com lucro ainda em alta no terceiro trimestre, o suficiente para justificar a elevação do preço-alvo das ações de R$ 20 para R$ 25 ao fim de 2027.
Qual o impacto da greve nos resultados da Caixa Seguridade no último trimestre?
Segundo os analistas da XP, “os resultados do terceiro trimestre de 2026 da Caixa Seguridade devem sofrer impacto da greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal durante o mês de setembro”, principalmente nas novas vendas de produtos de bancassurance.
O principal golpe aparece no seguro prestamista, vinculado a operações de crédito, que deve somar aproximadamente R$ 230 milhões em prêmios no ano, uma queda de 40%. A combinação entre greve e cenário de crédito mais fraco também pressiona as receitas de corretagem em vida e consórcios.
Nas contribuições de previdência, a expectativa é de cerca de R$ 6,5 bilhões, um recuo de 8% na comparação anual. As vendas de consórcios devem cair de R$ 6,8 bilhões no segundo trimestre para em torno de R$ 5,0 bilhões no terceiro, refletindo menor ritmo comercial nas agências da Caixa.
Além da paralisação em setembro, a Caixa Seguridade ainda sentiu, em julho, uma breve interrupção nas originações de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal, o que reduziu a base de contratos que costumam puxar vendas de seguros atrelados ao financiamento.
Como a XP atualizou a prévia do trimestre da Caixa Seguridade (CXSE3)?
A XP manteve uma visão construtiva sobre a Caixa Seguridade e atualizou a prévia do trimestre com projeção de lucro líquido de R$ 1.161 milhão no terceiro trimestre de 2026, o que representa alta de 2% em relação aos três meses anteriores. “Para o trimestre, o lucro líquido esperado é de R$ 1.161 milhão, representando uma alta de 2% em relação ao trimestre anterior”, escreveram os analistas.
O seguro habitacional é apontado como o grande amortecedor do impacto da greve. “O seguro habitacional deve continuar como o principal motor de crescimento da Caixa Seguridade, com prêmios emitidos crescendo cerca de 14% ao ano, para R$ 1,16 bilhão”, afirma a equipe de análise. A retomada do mercado imobiliário e a demanda por proteção atrelada ao financiamento sustentam esse avanço.
A sinistralidade consolidada, indicador que mostra a relação entre indenizações pagas e prêmios recebidos, tende a melhorar para aproximadamente 23%. A XP destaca que a menor sinistralidade em seguros de vida deve compensar um aumento ligeiro no segmento habitacional, preservando a rentabilidade da operação.
No recorte mais longo, a casa calcula que “a expectativa para o lucro de 2026 a 2028 é de alta de 2-6%”. Para o fim de 2026, a projeção é de lucro líquido de R$ 4,6 bilhões, uma expansão de 1,8%, e, para 2027, de R$ 5,2 bilhões, alta de 5,1%. “Para o final de 2026, a XP Investimentos espera um lucro líquido de R$ 4,6 bilhões, uma alta de 1,8% (…). Para 2027, a estimativa revisada calcula uma alta de 5,1%, a R$ 5,2 bilhões”, diz o relatório.
Entenda o contexto
As novas projeções levam em conta um ambiente de juros mais baixos, com Selic abaixo de 12%, o que melhora o desempenho financeiro da carteira prefixada da Caixa Seguridade. A XP avalia que, nesse cenário, os títulos tendem a render acima do CDI, reforçando o resultado financeiro a partir de 2027.
Esse impulso, somado a um maior resultado de equivalência patrimonial em seguros e previdência, deve mais que compensar a perda de receita com corretagem em prestamista, vida e consórcios. Os analistas também veem espaço para uma retomada gradual do prestamista: “Com a Selic abaixo de 12%, a penetração do prestamista poderia voltar para 40-50%, contra os cerca de 25% de atualmente”.
Na prática, o recado para quem acompanha Caixa seguridade hoje, seja via home broker, plataformas como Caixa seguridade status invest ou pelo próprio canal da Caixa seguridade na bolsa, é que a XP enxerga um choque pontual nos números de curto prazo, mas uma trajetória de lucros em crescimento apoiada em seguro habitacional, carteira financeira mais rentável e recuperação gradual dos produtos mais sensíveis ao crédito.