ROTA completa 56 anos e secretário de Segurança de SP comenta morte de jovem em Moema

Durante solenidade na capital paulista, Osvaldo Nico Gonçalves relembrou operações conjuntas com a tropa e falou sobre a investigação da abordagem policial que matou Gustavo Munis de Santana.
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A Polícia Militar de São Paulo realizou, na manhã desta quinta-feira (15), uma solenidade em comemoração aos 56 anos das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA). Durante o evento, realizado no 1º Batalhão de Polícia de Choque, no bairro da Luz, região central da capital, o secretário estadual da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, relembrou sua parceria com a unidade e comentou a morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, baleado por policiais militares em Moema.

Ao falar sobre a trajetória da ROTA, Nico destacou operações realizadas em conjunto com a tropa durante o período em que ocupava o cargo de delegado-geral da Polícia Civil. O secretário também recordou uma homenagem recebida dos policiais e afirmou que mantém uma relação de carinho com a unidade.

Além das comemorações, o secretário foi questionado sobre a abordagem policial que terminou com a morte de Gustavo, na madrugada de sábado (10). Nico defendeu a importância das imagens de câmeras para esclarecer a ocorrência, manifestou solidariedade à família do jovem e afirmou que as circunstâncias dos disparos continuam sendo investigadas pelas polícias Civil e Militar.

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Secretário relembra operações conjuntas com a ROTA

Durante a solenidade, Osvaldo Nico Gonçalves falou sobre a relação construída com os integrantes da ROTA ao longo de sua carreira na segurança pública.

O secretário lembrou que, quando comandava a Polícia Civil paulista, participou de operações realizadas em conjunto com a unidade e com o Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra).

“Eu tenho um orgulho muito grande, porque, quando eu fui delegado-geral de Polícia, eu fiz ocorrência de sair daqui, saiu a Garra junto com a ROTA de determinadas missões. Eu tenho orgulho disso”, afirmou.

Nico também contou que recebeu uma camisa personalizada da ROTA durante uma dessas operações e que guarda a peça até hoje em sua sala.

“Eles me deram uma camisa da ROTA, com o meu nome escrito, está lá na minha sala até hoje. Tenho muito carinho com a ROTA”, disse.

As declarações foram feitas durante a cerimônia que reuniu autoridades civis e militares para celebrar o aniversário da unidade.

ROTA celebra 56 anos de atuação em São Paulo

Criadas em 15 de outubro de 1970, as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar surgiram como uma modalidade de policiamento do 1º Batalhão de Polícia de Choque, inicialmente voltada ao enfrentamento de assaltos a bancos praticados por grupos de guerrilha durante a ditadura militar.

Ao longo das décadas, a unidade passou a atuar em diferentes operações de policiamento ostensivo e enfrentamento à criminalidade no estado de São Paulo.

A ROTA integra o Comando de Policiamento de Choque da Polícia Militar paulista e tem sua sede no Batalhão Tobias de Aguiar, na região central da capital.

O 1º Batalhão de Polícia de Choque, por sua vez, foi criado em 1891 e leva o nome de Tobias de Aguiar, político e militar brasileiro do século XIX que participou de movimentos liberais durante o período imperial.

A solenidade desta quinta-feira também contou com a concessão da Medalha Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, instituída pelo Decreto estadual nº 66.712, de 10 de maio de 2022.

A honraria reconhece civis, militares e instituições públicas ou privadas que tenham contribuído para as atividades da unidade ou prestado serviços considerados relevantes à população paulista.

Nico comenta morte de jovem durante abordagem em Moema

Durante a entrevista concedida no evento, o secretário também foi questionado sobre a morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, durante uma abordagem de policiais militares em Moema, na zona sul de São Paulo.

O caso ocorreu na madrugada de sábado (10) e passou a ser investigado pelas polícias Civil e Militar. Segundo informações divulgadas anteriormente pela Secretaria da Segurança Pública, quatro policiais efetuaram 45 disparos durante a ocorrência.

Os agentes afirmaram que interpretaram os movimentos do jovem como uma ameaça, acreditando que ele estivesse segurando uma arma. O objeto, entretanto, era um aparelho celular.

Ao comentar a atuação dos policiais, Nico afirmou que considera necessário analisar a situação enfrentada pelos agentes no momento da abordagem.

“Eu me coloco também no lugar do policial. Quem viu aquelas imagens, se não tivesse aquela imagem, como que estaria a situação desse policial aí?”, declarou.

O secretário também afirmou que Gustavo teria assumido uma posição semelhante à de alguém prestes a disparar uma arma. Essa avaliação representa a interpretação apresentada por Nico e não uma conclusão definitiva da investigação.

As imagens de câmeras de segurança divulgadas nesta semana mostram o jovem segurando um celular e realizando movimentos que aparentam simular o uso de uma arma antes de ser atingido pelos disparos.

Secretário lamenta morte e fala sobre investigação

Apesar de defender a análise do contexto enfrentado pelos policiais, Osvaldo Nico Gonçalves lamentou a morte do jovem e afirmou que não deseja situações de confronto.

“Eu sinto muito pela família dele. A gente não quer o confronto, a gente não quer nada disso”, disse.

O secretário ressaltou que os fatos serão examinados em procedimentos conduzidos pela Polícia Civil e pela Polícia Militar.

Durante a entrevista, Nico também apresentou informações sobre os disparos que atingiram Gustavo. Segundo ele, após uma conversa com o médico-legista, três tiros teriam sido responsáveis pela morte.

O secretário afirmou ainda que o jovem foi atingido por 12 disparos, incluindo munição de festim, conforme seu relato.

Os números apresentados por Nico diferem das informações divulgadas anteriormente sobre a ocorrência. Reportagens baseadas nos registros iniciais apontaram que a perícia havia identificado 27 ferimentos provocados por projéteis, após os 45 disparos efetuados pelos policiais.

A diferença entre os dados exige esclarecimento pericial, especialmente quanto à quantidade de disparos, aos ferimentos identificados e à causa da morte.

As declarações do secretário não substituem os laudos oficiais nem encerram a investigação sobre a conduta dos agentes.

Policiais envolvidos foram afastados das ruas

Após a morte de Gustavo, os quatro policiais militares envolvidos na ocorrência foram afastados das atividades operacionais.

A Secretaria da Segurança Pública informou que determinou a abertura de um Inquérito Policial Militar para apurar a atuação dos agentes, além de procedimentos de investigação conduzidos pela Polícia Civil.

As apurações incluem a análise das armas utilizadas, do celular encontrado com a vítima, das imagens de câmeras corporais e de segurança e dos exames periciais.

Gustavo tinha 20 anos e, segundo informações divulgadas após sua morte, não possuía antecedentes criminais. O jovem morava com a família e trabalhava em um hospital.

A morte provocou manifestações de familiares e questionamentos sobre o uso da força durante a abordagem policial.

Próximos passos

As investigações sobre a morte de Gustavo Munis de Santana continuam em andamento. Os procedimentos deverão esclarecer a dinâmica da abordagem, a quantidade de disparos que atingiram o jovem e se a atuação dos policiais respeitou os protocolos legais.

A análise das gravações e dos laudos periciais será fundamental para determinar as circunstâncias da ocorrência e eventual responsabilização dos envolvidos.

Enquanto isso, a Polícia Militar mantém as atividades da ROTA, que completou 56 anos nesta quinta-feira, em meio às comemorações institucionais e ao debate sobre a atuação das forças de segurança no estado de São Paulo.

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