Fumaça em Manaus: como a crise do ar chegou a níveis perigosos

Com poluição extrema, aulas suspensas e avanço das queimadas, a capital amazonense enfrenta uma emergência que ameaça a saúde da população; entenda a evolução da crise
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A fumaça em Manaus transformou o céu da capital amazonense em um retrato da grave crise ambiental que atinge a região. Há semanas, a cidade enfrenta níveis alarmantes de poluição atmosférica, com a visibilidade comprometida e a saúde da população ameaçada. Neste sábado (17), a qualidade do ar atingiu índices classificados como perigosos, após uma sequência de queimadas que já provocou a suspensão de aulas, restrições a atividades ao ar livre e mudanças na rotina dos moradores.

A dimensão da crise aparece nos números. Por volta das 7h deste sábado, a plataforma internacional IQAir registrou 637 pontos no Índice de Qualidade do Ar (AQI) de Manaus, conforme levantamento divulgado pelo NC News.

A concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 394,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³), aproximadamente 79 vezes a diretriz anual de 5 µg/m³ estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O resultado representa uma medição pontual comparada a uma referência anual, e não significa que a média anual da cidade tenha atingido esse patamar.

A poluição já colocou Manaus entre as cidades com os indicadores mais alarmantes observados em comparações internacionais recentes. Entretanto, os dados disponíveis não permitem afirmar que a capital tenha ocupado oficialmente o primeiro lugar mundial, porque rankings, horários e métodos de medição podem ser diferentes.

O que os registros confirmam é uma exposição extremamente elevada a partículas prejudiciais à saúde, em uma crise que ultrapassa os limites da cidade e está diretamente associada ao avanço das queimadas na Amazônia.

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Por que Manaus está coberta de fumaça há tantas semanas?

A fumaça que atinge Manaus é resultado de uma combinação de incêndios florestais, queimadas em municípios do interior do Amazonas, focos em estados vizinhos e condições meteorológicas que dificultam a dispersão dos poluentes.

Embora a capital apresente concentrações extremamente elevadas de partículas, boa parte da fumaça não é produzida dentro de seus limites urbanos. O vento transporta os poluentes liberados pelas queimadas, permitindo que eles percorram grandes distâncias até alcançar áreas densamente povoadas.

Em comunicado divulgado em 7 de outubro, a Prefeitura de Manaus identificou queimadas nos municípios de Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes como importantes fontes da fumaça que chegava à cidade.

Naquela data, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentados pela administração municipal, o Amazonas havia registrado 749 focos de calor, dos quais apenas dois estavam em Manaus. O levantamento reforçou que a origem do problema não estava restrita ao território da capital.

A situação se agrava durante períodos de estiagem, quando a vegetação fica mais seca e o fogo encontra condições favoráveis para se espalhar. A ausência de chuvas frequentes, somada à circulação desfavorável dos ventos, também contribui para manter as partículas suspensas sobre a cidade.

Por isso, mesmo quando há redução temporária das queimadas ou melhora localizada do tempo, a fumaça pode continuar afetando Manaus. A qualidade do ar depende tanto da quantidade de poluentes emitidos quanto das condições necessárias para dispersá-los.

Como a crise evoluiu até chegar aos índices extremos de outubro?

O agravamento não aconteceu de um dia para o outro. Os registros ambientais mostram uma sequência de episódios que começou antes de outubro e ganhou intensidade nas últimas semanas.

A linha do tempo permite compreender como a fumaça deixou de ser um episódio pontual e passou a provocar restrições em escolas, espaços públicos e atividades cotidianas.

Setembro: os primeiros sinais de agravamento

Em 17 de setembro, Manaus já apresentava qualidade do ar classificada como péssima em determinados bairros. O monitoramento do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), ligado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), identificou concentração de 129,5 µg/m³ de partículas finas no bairro Compensa, na Zona Oeste.

Outras regiões, como Parque Dez, Nossa Senhora da Graça, Morro da Liberdade, Cachoeirinha e Aparecida, também registraram condições desfavoráveis.

O episódio demonstrava que a poluição atmosférica já atingia diferentes partes da cidade antes da intensificação observada em outubro.

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7 e 8 de outubro: fumaça se intensifica e prefeitura identifica origem

Na noite de 7 de outubro, a Defesa Civil de Manaus informou concentração média de 114,6 µg/m³ de partículas finas, com qualidade do ar classificada como muito ruim.

No dia seguinte, às 8h50, a prefeitura registrou média de 73,65 µg/m³, ainda considerada ruim. A oscilação mostrou que a intensidade da poluição poderia mudar em poucas horas, sem que isso representasse o fim da crise.

Ao mesmo tempo, dados do Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), baseados no monitoramento do Inpe, apontaram 644 focos de calor no estado entre 1º e 7 de outubro, contra 277 no mesmo período de 2025.

O crescimento foi de 132,5%, indicando uma aceleração expressiva dos registros de fogo no início do mês.

9 de outubro: Manaus atinge nível muito insalubre e suspende atividades

Na manhã de 9 de outubro, Manaus registrou 235 pontos no índice AQI da IQAir, classificação considerada muito insalubre. A concentração de partículas PM2,5 chegou a 160 µg/m³.

A fumaça voltou a encobrir a capital, enquanto instituições de ensino suspenderam atividades presenciais e autoridades intensificaram os alertas à população.

Naquele momento, a cidade já apresentava indicadores que representavam riscos não apenas para pessoas com doenças respiratórias, mas também para moradores sem problemas de saúde preexistentes.

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11 e 12 de outubro: poluição se espalha e permanece sobre a cidade

Em 11 de outubro, Manaus e outros cinco municípios amazonenses apresentaram qualidade do ar considerada péssima. Na capital, 13 dos 15 sensores acompanhados pelo sistema Selva registraram concentrações superiores a 140 µg/m³.

No bairro Coroado, na Zona Leste, o indicador alcançou 227,8 µg/m³. Em Petrópolis, na Zona Sul, chegou a 211,7 µg/m³.

No dia seguinte, 12 de outubro, a fumaça continuou sobre Manaus durante todo o dia. A baixa circulação atmosférica dificultou a dispersão das partículas, prolongando a exposição da população.

O período também foi marcado pela suspensão preventiva de eventos municipais ao ar livre, incluindo atividades relacionadas ao Dia das Crianças.

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14 a 16 de outubro: restrições aumentam e aulas continuam suspensas

Em 14 de outubro, a Prefeitura de Manaus anunciou a suspensão de atividades ao ar livre e em locais de aglomeração até domingo (18). A medida incluiu espaços como o Parque Municipal do Idoso, o parque Gigantes da Floresta e o parque Cidade da Criança.

Na manhã do anúncio, a concentração média de partículas finas na cidade era de 123,9 µg/m³, classificada como muito ruim.

Em 15 de outubro, uma medição noturna indicou melhora temporária, com concentração de 38 µg/m³. Apesar disso, a administração municipal manteve a suspensão das atividades escolares da rede municipal para sexta-feira (16), diante do risco de nova deterioração da qualidade do ar.

Na manhã de sexta-feira, a IQAir registrou AQI de 167 pontos, considerado insalubre. Manaus aparecia com o pior indicador entre as capitais brasileiras naquele levantamento.

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17 de outubro: poluição chega à categoria perigosa

Neste sábado (17), a crise atingiu um novo patamar nas medições divulgadas ao longo da manhã.

Por volta das 6h, a IQAir registrou AQI de 441 pontos e concentração de PM2,5 de 295,9 µg/m³. Cerca de uma hora depois, outro levantamento apresentado pelo NC News apontou AQI de 637 pontos e concentração de 394,3 µg/m³.

O sistema Selva também registrou condições classificadas como péssimas em diferentes áreas de Manaus. As medições variaram conforme os bairros, os sensores e os horários analisados.

Os dados mostram uma piora expressiva em relação aos dias anteriores, com concentrações que exigem medidas de proteção para toda a população.

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O que explica o aumento das queimadas no Amazonas?

O crescimento dos incêndios é um dos principais fatores por trás da crise atmosférica em Manaus. O problema envolve condições climáticas favoráveis à propagação do fogo e atividades humanas que provocam ignições em áreas de vegetação.

Dados do Inpe, apresentados em levantamento divulgado em outubro, apontaram 7.815 focos de calor no Amazonas entre janeiro e 12 de outubro de 2026, aumento de 116% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar da alta, o total ainda estava aproximadamente 12% abaixo da média histórica para o período e era inferior ao registrado em 2024, ano marcado por uma seca severa.

Essa diferença é importante: o aumento em relação a 2025 não significa, necessariamente, que 2026 seja o pior ano da série histórica. Entretanto, a concentração dos incêndios e as condições de transporte da fumaça podem produzir episódios de poluição extrema mesmo sem um recorde anual de focos.

Os incêndios atingem especialmente áreas do sul e sudeste do Amazonas, além de regiões associadas à expansão da ocupação humana. As queimadas também ocorrem em municípios próximos à capital e em estados vizinhos.

Parte das ocorrências está sob investigação das autoridades. Há suspeitas de incêndios provocados deliberadamente, mas a origem e a responsabilidade por cada foco dependem de apuração específica.

Qual é a relação entre a seca, o El Niño e os incêndios?

A estiagem reduz a umidade da vegetação e facilita a propagação das chamas. Quando folhas, galhos e outros materiais orgânicos estão secos, o fogo pode avançar com maior rapidez.

O fenômeno climático El Niño pode influenciar os padrões de temperatura e precipitação na Amazônia, contribuindo para condições mais secas em determinadas regiões e períodos.

Entretanto, condições climáticas favoráveis ao fogo não explicam, isoladamente, a origem de todos os incêndios. Atividades humanas, como queimadas para limpeza de terrenos, manejo inadequado do fogo e práticas ilegais de ocupação de terras, também fazem parte do problema.

As mudanças climáticas acrescentam outro fator de preocupação ao aumentar os riscos associados a eventos extremos de calor e seca.

Por que a fumaça continua mesmo quando não há incêndios em Manaus?

Os poluentes liberados pelos incêndios não permanecem necessariamente próximos ao local onde o fogo começou.

Partículas finas podem ser transportadas pelas correntes de ar e alcançar cidades situadas a dezenas ou centenas de quilômetros dos focos de queimadas.

Ao chegar à região de Manaus, a fumaça pode permanecer concentrada quando há pouca ventilação, estabilidade atmosférica ou condições que dificultem a renovação do ar.

A chuva pode ajudar a remover parte das partículas suspensas. Porém, se os incêndios continuarem emitindo grandes quantidades de fumaça, uma melhora temporária pode ser seguida por novo agravamento.

Por isso, combater o fogo na origem é fundamental para reduzir a exposição prolongada da população.

O que significa respirar um ar classificado como perigoso?

O principal indicador de preocupação na crise de Manaus é o material particulado fino, conhecido como PM2,5.

Essas partículas possuem diâmetro de até 2,5 micrômetros, dimensão muito menor do que a espessura de um fio de cabelo. Por serem extremamente pequenas, conseguem alcançar regiões profundas dos pulmões.

A exposição pode provocar inflamação, irritação das vias respiratórias e agravamento de doenças pulmonares e cardiovasculares.

Entre os sintomas associados à fumaça estão tosse, ardência nos olhos, irritação na garganta, dificuldade para respirar, chiado no peito e piora de crises de asma.

Em episódios de poluição intensa, mesmo pessoas saudáveis podem apresentar sintomas. O risco depende da concentração dos poluentes, do tempo de exposição e das condições individuais de saúde.

A Organização Mundial da Saúde estabelece diretrizes para a exposição ao PM2,5. A referência anual é de 5 µg/m³, enquanto a diretriz para a média de 24 horas é de 15 µg/m³.

Esses valores correspondem a períodos diferentes de avaliação. Portanto, uma medição horária extremamente elevada não deve ser apresentada como se representasse automaticamente a exposição média diária ou anual.

Ainda assim, os registros de centenas de microgramas por metro cúbico observados em Manaus demonstram a gravidade das concentrações atmosféricas durante a crise.

Quem corre mais riscos com a fumaça das queimadas?

Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis porque seu sistema respiratório ainda está em desenvolvimento e a quantidade de ar respirada em relação ao peso corporal é maior do que a de adultos.

Idosos também exigem atenção especial, principalmente quando apresentam doenças cardíacas, pulmonares ou outras condições crônicas.

Gestantes e pessoas com asma, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica e problemas cardiovasculares podem sofrer consequências mais graves durante episódios prolongados de poluição.

Trabalhadores que permanecem muitas horas nas ruas, como entregadores, vendedores ambulantes, agentes de trânsito e profissionais da construção civil, também podem enfrentar exposição elevada.

A gravidade do episódio não se limita aos grupos vulneráveis. Quando a qualidade do ar alcança a categoria perigosa, toda a população precisa reduzir a exposição.

Quais são os sinais de alerta para procurar atendimento médico?

Tosse persistente, irritação nos olhos e desconforto na garganta podem ocorrer durante a exposição à fumaça.

Entretanto, falta de ar intensa, dor no peito, dificuldade importante para respirar, confusão mental ou agravamento acentuado de doenças respiratórias exigem avaliação médica imediata.

Pessoas que utilizam medicamentos de controle para asma e outras doenças crônicas devem seguir as orientações de seus profissionais de saúde e não interromper o tratamento por conta própria.

Como a fumaça mudou a rotina de Manaus?

A crise ambiental deixou de ser percebida apenas na paisagem da cidade. As consequências passaram a atingir diretamente a educação, o lazer, o trabalho e a circulação de moradores.

A suspensão das aulas presenciais na rede municipal foi uma das principais medidas adotadas para reduzir a exposição de estudantes e profissionais da educação.

A restrição de atividades em parques e espaços públicos também alterou a programação de famílias, principalmente durante o período de comemorações do Dia das Crianças.

A Prefeitura de Manaus estabeleceu medidas preventivas até 18 de outubro, com possibilidade de reavaliação conforme os indicadores ambientais.

A continuidade das restrições depende de novas decisões oficiais. A melhora pontual da qualidade do ar não garante, por si só, que a exposição tenha deixado de representar riscos.

Por que a suspensão das aulas é uma medida importante?

As escolas concentram crianças e adolescentes que, durante a rotina escolar, podem realizar deslocamentos e atividades físicas em ambientes externos.

Em condições de poluição extrema, a redução da exposição é uma das principais formas de proteção.

A suspensão temporária das atividades presenciais busca diminuir o contato de estudantes e trabalhadores com o ar contaminado, especialmente durante os períodos de maior concentração de partículas.

A decisão também evidencia como a crise ambiental ultrapassou o campo da preservação da floresta e passou a comprometer serviços essenciais da capital amazonense.

O que as autoridades estão fazendo para enfrentar a crise?

As ações de resposta envolvem diferentes níveis de governo e instituições responsáveis pelo monitoramento ambiental, combate aos incêndios e proteção da saúde pública.

O Amazonas decretou situação de emergência climática em junho de 2026, com duração prevista de 180 dias. Em setembro, o governo estadual também estabeleceu restrições ao uso do fogo.

No âmbito federal, houve reconhecimento de situação de emergência em 36 municípios amazonenses, permitindo medidas de apoio e solicitação de recursos para enfrentar os efeitos dos incêndios.

Equipes de brigadistas, aeronaves e profissionais de órgãos ambientais foram mobilizadas para combater o avanço das chamas.

Segundo informações divulgadas durante a crise, as operações estaduais contavam com 11 aeronaves e aproximadamente 290 brigadistas, além de outros profissionais envolvidos na resposta.

O combate, porém, enfrenta dificuldades relacionadas à extensão territorial da Amazônia, ao acesso a áreas remotas, à persistência da estiagem e à quantidade de focos ativos.

Como o monitoramento da qualidade do ar está sendo ampliado?

Em 14 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima anunciou a ampliação do monitoramento atmosférico na Amazônia, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O projeto FioAres prevê cinco estações de monitoramento na região, com disponibilização de informações para acompanhar a concentração de partículas finas e outros indicadores ambientais.

A iniciativa busca fortalecer o acompanhamento de episódios críticos e oferecer dados que auxiliem as decisões de saúde pública.

Os detalhes podem ser consultados no comunicado oficial do Ministério do Meio Ambiente.

Além da iniciativa federal, a capital conta com monitoramentos da Defesa Civil e do sistema Selva, da Universidade do Estado do Amazonas.

Esses sistemas permitem identificar diferenças de concentração entre bairros e acompanhar a evolução da poluição ao longo do dia.

Como acompanhar a qualidade do ar em Manaus em tempo real?

A população pode consultar a plataforma IQAir, que apresenta indicadores de poluição atmosférica e classificações de risco.

Também é possível acompanhar os comunicados da Prefeitura de Manaus e os boletins ambientais do Ministério Público de Contas do Amazonas.

Os números precisam ser interpretados considerando o horário da medição, o local do sensor e o tipo de indicador utilizado.

O AQI é um índice de qualidade do ar que transforma concentrações de poluentes em categorias de risco. Já os valores expressos em µg/m³ representam a quantidade de determinado poluente em um volume de ar.

Não é correto comparar diretamente um AQI de 300 pontos com uma concentração de 300 µg/m³, pois são medidas diferentes.

Como se proteger da fumaça em Manaus?

Durante períodos de poluição intensa, a principal recomendação é reduzir a exposição ao ar contaminado.

Exercícios físicos ao ar livre devem ser evitados enquanto os indicadores permanecerem elevados, já que o esforço aumenta a quantidade de ar inalado e, consequentemente, a exposição às partículas.

Quando houver fumaça intensa do lado de fora, portas e janelas podem ser mantidas fechadas, desde que isso não provoque calor excessivo ou comprometa a segurança e a ventilação necessária do ambiente.

Para deslocamentos indispensáveis, respiradores do tipo PFF2 ou N95, bem ajustados ao rosto, oferecem proteção contra parte das partículas finas suspensas no ar. Máscaras de tecido ou cirúrgicas não proporcionam o mesmo nível de vedação e filtração.

Purificadores de ar com filtros adequados para partículas também podem contribuir para reduzir a concentração de poluentes em ambientes internos.

É importante evitar fontes adicionais de fumaça dentro de casa, como cigarros, queima de lixo e outros materiais.

A hidratação e os cuidados habituais com a saúde devem ser mantidos, mas beber água não elimina as partículas inaladas nem substitui a redução da exposição.

Quando a fumaça deve diminuir em Manaus?

Ainda não é possível estabelecer uma data segura para o fim da crise de fumaça que atinge a capital amazonense.

A melhora depende principalmente da redução dos incêndios e de condições meteorológicas que favoreçam a dispersão ou remoção dos poluentes.

Chuvas podem proporcionar alívio temporário, enquanto mudanças na direção e na intensidade dos ventos podem reduzir a concentração de partículas em determinadas áreas.

Entretanto, a continuidade das queimadas no Amazonas e em estados vizinhos pode provocar novos episódios de poluição, mesmo depois de períodos de melhora.

A evolução da situação também dependerá da eficácia das ações de prevenção, fiscalização e combate aos incêndios.

O que a crise revela sobre a vulnerabilidade de Manaus?

A sequência de episódios registrada em setembro e outubro demonstra que Manaus pode enfrentar níveis críticos de poluição mesmo quando a maior parte dos focos de incêndio está fora de seu território.

A dimensão da Amazônia, a distância entre os focos de fogo e os centros urbanos e a influência das condições meteorológicas tornam a crise um problema regional, com consequências diretas para a saúde pública.

O episódio também reforça a importância de ampliar as redes de monitoramento, divulgar alertas acessíveis à população e manter políticas de prevenção às queimadas.

Os dados de outubro mostram que não basta acompanhar apenas a quantidade de incêndios. É necessário observar também a intensidade da fumaça, a duração da exposição e os impactos sobre os moradores.

Próximos passos

A Prefeitura de Manaus deverá reavaliar as restrições às atividades ao ar livre previstas até domingo (18), conforme a evolução das condições ambientais. Novas decisões sobre aulas e funcionamento de espaços públicos dependerão dos comunicados oficiais.

Enquanto isso, órgãos ambientais e equipes de combate aos incêndios seguem diante do desafio de conter as queimadas e reduzir a emissão de poluentes na região.

A crise de Manaus mostra como os incêndios florestais podem produzir consequências muito além das áreas atingidas pelas chamas. Quando a fumaça chega às cidades, a destruição ambiental se transforma também em um problema cotidiano de saúde, mobilidade, educação e qualidade de vida.

Para os moradores, a questão mais urgente continua sendo quando será possível voltar a respirar um ar seguro. A resposta depende não apenas da chegada das chuvas, mas da redução efetiva das queimadas e da capacidade de impedir que episódios semelhantes continuem se repetindo.

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