Professores e outros servidores da Escola Classe Café sem Troco, localizada na zona rural do Distrito Federal, denunciam episódios de perseguição e assédio moral atribuídos à gestão da unidade. Segundo os relatos publicados pelo g1, os problemas começaram há mais de dois anos e se intensificaram após denúncias contra a diretora.
Treze servidores relataram condutas que consideram abusivas, e oito apresentaram atestados médicos, conforme as informações divulgadas. Parte dos profissionais já retornou ao trabalho, enquanto outros permanecem afastados. A relação entre os problemas de saúde e as situações denunciadas é apontada pelos funcionários, mas não foi confirmada de forma independente.
LEIA TAMBÉM
Professor é afastado após acusação de assédio em escola técnica; mensagens viram peça central do caso
Diretora retornou antes da conclusão da apuração
A diretora havia sido afastada em fevereiro para responder a um processo administrativo e retornou à escola após cerca de 60 dias, segundo os relatos reunidos pelo g1. Os servidores afirmam que a investigação ainda não havia sido concluída quando ela voltou às atividades.
Em uma carta encaminhada à governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), integrantes da equipe escolar descreveram dificuldades de diálogo, problemas na condução da unidade e situações que classificam como intimidação e retaliação. Os profissionais pediram providências diante do que consideram um ambiente de trabalho prejudicial.
Entre os relatos estão reuniões individuais que, segundo os servidores, eram usadas para pressionar funcionários que discordavam da gestão. Os denunciantes também afirmaram que a diretora interferia na rotina de trabalho e em decisões pedagógicas da escola.
Queixas incluem mudanças na rotina pedagógica
As reclamações não se limitam às relações profissionais. Os servidores também questionam decisões sobre distribuição de turmas, metodologias de ensino e uso de materiais didáticos. Segundo os relatos, em 2024 a diretora apresentou uma cartilha de alfabetização própria, que teria sido proposta em substituição a livros utilizados pela Secretaria de Educação.
A secretaria, entretanto, considerou improcedente a denúncia específica sobre a utilização de cartilhas não autorizadas, conforme as informações divulgadas. Esse posicionamento não equivale a uma conclusão sobre todas as demais acusações apresentadas pelos funcionários.
Outra queixa diz respeito à suposta pressão para evitar a reprovação de alunos do quinto ano, o que, segundo os professores, teria como objetivo melhorar os indicadores de aprovação e o resultado da escola no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Trata-se de uma alegação dos servidores, não de uma irregularidade comprovada nas informações disponíveis.
Há boletins de ocorrência e pedido de apoio jurídico
Duas das denúncias foram registradas em boletins de ocorrência, de acordo com os relatos publicados. Em um dos casos, apresentado em 2025, um educador afirmou que foi impedido de usar uma sala para atender estudantes e precisou realizar os atendimentos em um corredor. Posteriormente, segundo a denúncia, o espaço teria sido ocupado por entulhos.
Os servidores também procuraram o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) e receberam orientação jurídica. O sindicato informou ter participado de uma reunião com os profissionais no fim de setembro, mas não detalhou quais medidas adotou depois do encontro.
Secretaria diz que processo corre sob sigilo
Procurada, a Secretaria de Educação do Distrito Federal informou que o processo administrativo tramita sob sigilo. A pasta não esclareceu publicamente por que a apuração ainda não havia sido concluída, conforme as informações disponíveis.
Até o momento, os relatos apresentados pelos profissionais constituem denúncias que precisam ser apuradas. Não há, nas informações consultadas, confirmação de uma decisão administrativa definitiva que responsabilize a diretora pelas condutas apontadas.
O caso segue sem conclusão pública sobre o processo administrativo. A apuração deverá esclarecer as acusações, considerar os documentos e depoimentos apresentados e determinar se houve infrações funcionais.