Datafolha mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro

Pesquisa Datafolha revela cenário acirrado entre os dois candidatos favoritos no segundo turno presidencial.
Redação NC News
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Com 93% do eleitorado já decidido, a nova pesquisa Datafolha para o segundo turno da eleição presidencial mostra um país rachado ao meio entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O senador aparece numericamente à frente, mas dentro da margem de erro, e o instituto registra um «empate técnico» na disputa.

Flávio lidera nos válidos, Lula reage entre jovens

No cenário de votos totais, Flávio Bolsonaro tem 47% das intenções de voto, e Lula aparece com 45%. Brancos e nulos somam 6%, e 2% dos entrevistados dizem estar indecisos. Ao excluir brancos, nulos e indecisos, o quadro aperta ainda mais: «Flávio Bolsonaro segue na liderança numérica com 51% das intenções de voto válido, contra 49% de Lula», informa o Datafolha.

O levantamento foi feito com 2.520 entrevistas presenciais em 153 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 13 e 14 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-00466/2026.

Entre os jovens de 16 a 24 anos, que representam 12% do eleitorado, houve mudança importante: Lula passou a liderar, com 50%, contra 43% de Flávio Bolsonaro. Na rodada anterior do instituto, o placar nesse grupo era favorável ao candidato do PL.

Nordeste e baixa renda empurram Lula; Sul, Sudeste e evangélicos reforçam Flávio

O mapa da pesquisa confirma o país dividido por região, renda, gênero e religião. No Nordeste, Lula abre sua maior vantagem: 61% das intenções de voto, contra 32% de Flávio. Entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, o petista também lidera com folga, por 53% a 38%.

Lula ainda se sai melhor entre mulheres, com 49% a 40%, e entre católicos, em que marca 52% contra 42% de Flávio Bolsonaro. O presidente também lidera entre eleitores com escolaridade fundamental e entre pessoas que se declaram pretas, de acordo com o detalhamento do instituto.

Flávio, por sua vez, concentra suas forças em outros segmentos. Entre homens, ele tem 52% das intenções de voto, contra 40% de Lula. No eleitorado evangélico, aparece com sua maior vantagem: 62%, enquanto o petista fica em 29%.

O candidato do PL também abre frente nas regiões Sudeste e Sul, onde seu desempenho é descrito como significativamente superior ao de Lula. Na região Sul, a diferença chega a mais de 20 pontos percentuais, segundo o Datafolha. Entre eleitores com renda entre dois e cinco salários mínimos, Flávio marca 55%, contra 40% do petista.

Eleitorado está cristalizado, e voto útil ganha peso

Com a campanha entrando na reta final, o dado que mais chama a atenção é o grau de convicção do eleitorado. «Ampla maioria (93%) do eleitorado já está totalmente decidida sobre o voto escolhido para o 2º turno», registra o instituto. Entre quem declara voto em Lula, 94% dizem não pretender mudar; entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o índice chega a 95%.

Nesse cenário de baixa volatilidade, o voto útil e a capacidade de mobilizar quem já escolheu o candidato tendem a pesar mais do que grandes viradas de opinião. Entre os eleitores que votaram em Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) ou Zema (Novo) no primeiro turno, 46% migram para Flávio Bolsonaro, 27% para Lula; 23% afirmam que devem votar em branco ou nulo, e 5% seguem indecisos.

Os dados reforçam a importância de alianças e sinalizações dirigidas ao eleitorado dos candidatos que ficaram pelo caminho. Nesse grupo específico, 76% já estão totalmente decididos e 22% ainda podem mudar de ideia até o dia da votação.

Rejeição equilibrada e sensação de favoritismo pró-Flávio

A pesquisa mostra que a rejeição aos dois candidatos também está praticamente empatada. A rejeição exclusiva a Lula é de 46%, enquanto a de Flávio Bolsonaro é de 44%. Há ainda 3% que rejeitam os dois nomes e 7% que dizem não rejeitar nenhum.

Entre quem votou em Zema, Caiado, Cury ou Renan no primeiro turno, o quadro é mais duro para o presidente: 42% desse grupo rejeitam apenas Lula, 27% rejeitam só Flávio, 14% rejeitam ambos, e 16% não rejeitam nenhum.

Apesar do empate técnico nas intenções de voto, a percepção de quem deve vencer pende para o lado do senador do PL. «54% dos eleitores apontam Flávio Bolsonaro como vencedor da disputa presidencial, e 37% consideram Lula o favorito», diz o Datafolha. O restante não sabe responder.

Mesmo entre eleitores de Lula, uma parte significativa projeta vitória do adversário: 16% deles veem Flávio como provável vencedor, e 10% não arriscam palpite. Entre os que pretendem votar no senador do PL, apenas 3% consideram Lula favorito, e 6% não opinam.

Campanhas miram segmentos frágeis e nova pesquisa já tem data

O retrato de equilíbrio deve intensificar a disputa por nichos específicos do eleitorado. A campanha de Flávio Bolsonaro tende a concentrar esforços onde aparece mais fraco: entre jovens, eleitores de baixa renda e no Nordeste. Já o entorno de Lula mira especialmente evangélicos, homens e moradores das regiões Sul e Sudeste.

No campo da comunicação, aliados petistas têm associado dificuldades nas redes sociais ao ambiente das grandes plataformas. Em ato com militantes na Zona Sul do Rio, a primeira-dama Janja afirmou: «A gente está lutando contra a Meta», em referência à empresa controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp.

O mercado financeiro e setores empresariais acompanham de perto cada novo levantamento, em meio à incerteza sobre o desenho político após a eleição e ao impacto das propostas econômicas de cada campanha.

Uma nova rodada de pesquisa Datafolha sobre o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro já está registrada no TSE, sob o código BR-09709/2026. O instituto prevê realizar 2.250 entrevistas entre os dias 20 e 22 de outubro, com divulgação na sequência. Esse próximo retrato será crucial para indicar se o atual empate técnico se mantém ou se alguma tendência começa a se firmar às vésperas da votação.

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