Divisão no eleitorado demonstraria ignorância sobre a causa das coisas

Para um país que sobreviveu a diversos golpes militares desde a proclamação da República, seria um paradoxo incontornável mirar o futuro sem rever o passado.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
Na eleições 2026, o eleitor brasileiro se aproxima das urnas dividido . Não apenas nos números relativos e absolutos das estatísticas. Sem pesquisar sobre a causa das coisas, os eleitores aderem, cada um a seu modo, àquele que, no senso comum, acreditam ser capaz de protegê-los dos perigos do futuro. A repartição estatística das intenções de voto indica a existência de grupos distintos, unidos, porém, por uma relação de subordinação: a busca por proteção não apenas contra os outros, mas, paradoxalmente, contra o próprio líder ao qual se sujeitam.
LEIA TAMBÉM
Pesquisa para presidente mostra empate entre Lula e Flávio

Entre números e discursos, o que o eleitor realmente conhece?

Como as palavras têm sentido, e os projetos, a retórica e os princípios de Lula e Flávio Bolsonaro são antípodas, verdade e mentira, certo e errado, confiável e duvidoso não estariam sendo devidamente escrutinados. Ou pior: os próprios conceitos sequer seriam reconhecidos ou conhecidos pelo eleitor. A diferença entre as estratégias políticas de Lula e Flávio Bolsonaro, já abordada pelo NC News, evidencia a importância de examinar não apenas os discursos de campanha, mas também os princípios e os projetos que cada candidatura representa.

A deficiência do conhecimento e a responsabilidade política

Essa deficiência não seria circunstancial. Seria renovada e referendada, ano após ano, e não apenas a cada eleição, pela própria representação política, no descaso com o conhecimento disponibilizado aos indivíduos reduzidos a números estatísticos. Uma causa e outra consequência.

O futuro do Brasil exige uma revisão do passado

Para um país que sobreviveu a diversos golpes militares desde a Proclamação da República, seria um paradoxo incontornável mirar o futuro sem rever o passado. Mas a divisão estatística das intenções de voto, em vez de aproximar-se da causa das coisas, distancia-se dela tanto empírica quanto racionalmente: um dos polos pretexta construir o futuro retornando justamente ao passado. A causa das coisas.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS | LEITURAS RELACIONADAS
Pesquisa BTG/Nexus aponta Flávio com 52% e Lula com 48% dos votos válidos no segundo turno
Quaest: Flávio Bolsonaro tem 46% e Lula, 44% no segundo turno
Lula x Flávio: quem recebe os 8,7 milhões de votos de Cury, Renan e Caiado?
Carregar Comentários