Lula e Flávio discutem SUS, saidinhas e escala 6×1 em debate

Candidatos apresentaram propostas para a saúde pública, divergiram sobre a saída temporária de presos e trocaram críticas sobre inflação, segurança e poder de compra
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram novos confrontos durante o debate presidencial da Band, neste domingo (18), em São Paulo. Saúde pública, saídas temporárias de presos e o fim da escala de trabalho 6×1 estiveram entre os principais assuntos discutidos pelos candidatos, que também trocaram críticas sobre inflação, segurança pública e poder de compra. Lula e Flávio seguem em debate ao vivo.

Flávio prometeu modernizar o Sistema Único de Saúde (SUS) com tecnologia e inteligência artificial, defendeu restrições às saídas temporárias e afirmou ter votado a favor do fim da escala 6×1. Lula questionou as propostas do adversário, defendeu a ressocialização de presos que cumprem os requisitos legais e comparou os indicadores econômicos de seu governo com os da gestão de Jair Bolsonaro.

As discussões ocorreram no primeiro encontro direto entre os dois candidatos no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro. Em alguns momentos, a mediação precisou interromper os participantes para garantir o cumprimento das regras.

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Flávio promete levar “padrão Einstein” ao SUS

Questionado sobre o financiamento da saúde pública, Flávio Bolsonaro anunciou que pretende levar ao SUS um modelo de atendimento inspirado no Hospital Israelita Albert Einstein. O candidato afirmou ter escolhido Cláudio Lottenberg para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo.

Entre as propostas apresentadas estão a criação de um prontuário eletrônico unificado, a integração de informações de pacientes das redes municipal, estadual, federal e privada, além da ampliação da telemedicina e do uso de inteligência artificial para orientar atendimentos.

Segundo Flávio, o objetivo seria reduzir filas, facilitar o acesso a consultas e permitir que os pacientes sejam encaminhados às unidades de saúde mais adequadas às suas necessidades.

“Eu quero colocar padrão Einstein no SUS, aquele mesmo atendimento com tecnologia, com médicos, com hora marcada, sem fila, que tem na rede privada, eu quero levar para o SUS.”

A pergunta original tratava da necessidade de ampliar o financiamento do SUS, diante da diferença entre o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado à saúde pública e os parâmetros considerados necessários por especialistas. Apesar das propostas de modernização, Flávio não detalhou, nesse trecho, de onde viriam os recursos adicionais.

Lula questiona proposta e relembra pandemia

Na resposta, Lula questionou se a proposta apresentada pelo adversário representaria uma tentativa de privatização do SUS. O presidente também criticou a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo Jair Bolsonaro, atribuindo à gestão anterior responsabilidade por mortes que, segundo ele, poderiam ter sido evitadas.

Lula defendeu os investimentos realizados em suas administrações e afirmou que o fortalecimento da rede pública exige conhecimento sobre o funcionamento das unidades de saúde e as necessidades da população.

A referência de Flávio ao Hospital Albert Einstein, por si só, não demonstra uma proposta de privatização do SUS. O senador apresentou a instituição como exemplo de qualidade e tecnologia no atendimento.

Durante a resposta, Flávio interrompeu Lula e solicitou direito de resposta. A mediação pediu respeito ao tempo do presidente e negou a solicitação, permitindo a continuidade da fala.

Saídas temporárias de presos provocam confronto

Em outro momento do debate, Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre as saídas temporárias de presos, conhecidas como “saidinhas”. O senador mencionou dois casos de assassinatos que, segundo seu relato, teriam sido cometidos por detentos beneficiados pelo mecanismo.

Flávio citou a morte de uma mulher na véspera do Natal de 2023 e o assassinato de um policial militar em Minas Gerais. Ao abordar os episódios, criticou a posição de Lula durante a tramitação da legislação que restringiu as saídas temporárias.

Os detalhes dos casos mencionados, incluindo a situação prisional dos autores e as circunstâncias dos crimes, precisam ser confirmados em registros oficiais. As acusações foram apresentadas pelo candidato durante o confronto.

Flávio perguntou se Lula era favorável ou contrário à concessão do benefício e afirmou que a prioridade deveria ser a proteção das vítimas.

Lula defende ressocialização e critérios legais

Lula respondeu que não considera adequado retirar direitos de todos os detentos por causa de crimes cometidos por pessoas beneficiadas por saídas temporárias. O presidente argumentou que o sistema prisional também deve oferecer oportunidades de ressocialização.

“Não é porque um cidadão saiu e cometeu um erro que você vai punir milhares de pessoas que conquistaram o direito de sair dentro da Justiça brasileira.”

O presidente defendeu a manutenção de benefícios para presos que cumpram os requisitos legais, tenham bom comportamento e estejam em processo de reintegração à sociedade. Também afirmou que pessoas condenadas por crimes violentos não deveriam ter acesso às saídas.

A legislação brasileira já passou por mudanças sobre o assunto. A Lei nº 14.843, de 2024, restringiu as saídas temporárias, e a aplicação das regras depende dos critérios legais e das decisões judiciais em cada caso.

Flávio diz que votou a favor do fim da escala 6×1

O debate também abordou o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa um. Flávio Bolsonaro afirmou que votou a favor da mudança depois de conversar com trabalhadores durante viagens pelo país.

O senador disse que ouviu pedidos por mais tempo de descanso e afirmou estar disposto a rever posições quando considera que uma mudança pode beneficiar a população.

“Eu rodei esse Brasil inteiro, eu ouvi você, trabalhador. Eu ouvi de você que queria ter esse direito a mais um dia de folga. Por isso eu votei a favor.”

Flávio argumentou, porém, que a ampliação do descanso semanal precisa ser acompanhada de melhores condições econômicas e de segurança. Segundo ele, os trabalhadores enfrentam dificuldades para aproveitar os dias de folga devido à criminalidade, ao preço dos alimentos e ao endividamento.

O candidato também comparou o poder de compra do Bolsa Família durante os governos de Jair Bolsonaro e Lula, afirmando que a alta dos preços reduziu a quantidade de produtos que as famílias conseguem adquirir.

Lula rebate críticas e compara inflação dos alimentos

Lula respondeu criticando a experiência de Flávio Bolsonaro com a realidade dos trabalhadores e afirmou que seu governo recuperou a política de valorização do salário mínimo.

O presidente reconheceu que o custo de vida continua elevado, mas sustentou que a inflação dos alimentos foi maior durante a gestão anterior. No debate, citou uma alta de 56,17% no governo Jair Bolsonaro e de aproximadamente 13% em seu mandato.

Os percentuais foram apresentados por Lula e exigem conferência das séries oficiais, dos períodos de comparação e dos índices utilizados antes de serem tratados como dados consolidados.

O petista também afirmou que o salário mínimo passou a permitir a compra de uma quantidade maior de cestas básicas. Segundo ele, o poder de compra teria avançado de 1,8 para 2,2 cestas, com a meta de alcançar patamares ainda mais elevados.

Lula defendeu a continuidade dos reajustes do salário mínimo acima da inflação e destacou os efeitos dessa política sobre aposentados e pensionistas.

“É por isso que eu vou continuar aumentando o salário mínimo, porque é uma perspectiva de gerar maior poder de compra.”

Diesel e guerra entram na discussão econômica

Ao encerrar sua resposta, Lula também mencionou os subsídios ao diesel como uma medida destinada a reduzir os efeitos econômicos da guerra sobre os preços no Brasil.

Após a declaração, Flávio Bolsonaro pediu direito de resposta. A solicitação foi negada pela mediação, que relembrou aos participantes a necessidade de sinalizar os pedidos conforme as regras estabelecidas para o encontro.

Na sequência, os apresentadores anunciaram uma nova rodada de confronto direto, com Lula responsável pela primeira pergunta.

Segundo turno acontece em 25 de outubro

O debate da Band acontece na última semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro. Os confrontos sobre saúde, segurança pública, direitos trabalhistas e economia expuseram diferenças entre as propostas apresentadas pelos candidatos.

Outro debate está previsto para sexta-feira (23), na TV Globo. Até a votação, Lula e Flávio Bolsonaro devem continuar apresentando suas propostas e respondendo a questionamentos sobre os temas discutidos durante a campanha.

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