Tudo o que se sabe até agora sobre a queda do avião no Acre: pane no motor, resgate e histórico de acidentes

Aeronave com quatro pessoas a bordo perdeu potência durante voo entre Santa Rosa do Purus e Manoel Urbano; todos sobreviveram, mas piloto sofreu ferimentos. Avião já havia enfrentado outra emergência em 2023
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Tudo o que se sabe até agora sobre a queda de avião no Acre  envolve uma pane no motor, quatro sobreviventes, um piloto ferido e uma aeronave que já havia enfrentado outra emergência durante um voo na região. O acidente ocorreu na manhã de sábado (17), por volta das 9h, nas proximidades da Aldeia Nova Moema, em Santa Rosa do Purus, quando um monomotor precisou fazer um pouso forçado nas águas do Rio Purus. O avião transportava o apresentador Marcos Bergson, um cinegrafista, uma passageira e o piloto Douglas Campos. Segundo os relatos dos ocupantes, o motor apresentou problemas cerca de 15 minutos depois da decolagem, durante o retorno para Manoel Urbano. Sem condições de alcançar uma pista, o comandante conduziu a aeronave até o rio. Todos sobreviveram. O piloto, no entanto, sofreu fraturas nas costelas e deslocamento de um ombro, conforme informações repassadas pelo apresentador. Imagens registradas por testemunhas mostram o avião parcialmente submerso e moradores tentando ajudar os ocupantes.
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Como aconteceu a queda do avião no Acre?

A aeronave havia decolado de Santa Rosa do Purus com destino a Manoel Urbano. O grupo retornava de uma viagem realizada para a gravação de uma ação do AcreCap Legal, que envolvia a entrega de um prêmio de R$ 220 mil a uma moradora da região. De acordo com Marcos Bergson, aproximadamente 15 minutos após a decolagem, o avião começou a apresentar falhas no motor. O apresentador também relatou um vazamento de óleo. Diante da perda de potência, o piloto precisou procurar um local para realizar o pouso de emergência.
“Estávamos retornando para Manoel Urbano, 15 minutos após a decolagem, o motor começou a apresentar falha. Não dava tempo de voltar e tivemos que pousar no rio”, relatou Marcos Bergson à Rede Amazônica.
Segundo o apresentador, o monomotor permaneceu planando por aproximadamente quatro minutos até alcançar o rio. A manobra permitiu que os quatro ocupantes saíssem vivos da aeronave, apesar do impacto e dos danos materiais.

Piloto relata perda do motor a mais de mil metros de altitude

Ainda no local do acidente, o piloto Douglas Campos gravou um vídeo explicando os momentos que antecederam o pouso forçado. Segundo ele, a aeronave perdeu potência quando estava a aproximadamente 3,5 mil pés de altitude, o equivalente a 1.067 metros. O comandante afirmou que as condições de visibilidade dificultaram a identificação de um local adequado para pousar. Quando conseguiu visualizar o solo, a aeronave já estava em altitude reduzida, o que limitou o tempo disponível para a manobra.
“Nós fizemos o que deu, perdemos o motor 3,5 mil pés em cima da nuvem, teto fechado, mas deve estar com teto aí 800, mil pés. Até a hora que consegui ter o visual com o solo, nós estávamos ali nos mil pés, pouco tempo para achar um local para pouso, viemos para o rio”, explicou o piloto.
O relato indica que o rio foi escolhido diante da impossibilidade de alcançar uma pista de pouso. As circunstâncias exatas da falha mecânica, entretanto, ainda dependem de apuração técnica.

Quem estava no avião e qual é o estado de saúde dos ocupantes?

Quatro pessoas estavam a bordo do monomotor no momento do acidente. Entre os ocupantes identificados estão o piloto Douglas Campos, o apresentador Marcos Bergson e um cinegrafista que acompanhava o comunicador durante a viagem. Uma quarta passageira também estava na aeronave, mas sua identidade não havia sido divulgada. O apresentador informou que o piloto sofreu fraturas nas costelas e deslocamento de um ombro. Os demais ocupantes sobreviveram, mas as informações disponíveis até a manhã deste domingo (18) não detalhavam completamente a situação clínica de cada um. Após o pouso, moradores e indígenas que estavam nas proximidades se mobilizaram para ajudar os sobreviventes. O grupo foi posteriormente resgatado por uma equipe do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e transportado de helicóptero para Rio Branco.

Imagens mostram avião afundando no Rio Purus

Vídeos registrados após o acidente mostram parte da aeronave submersa nas águas do Rio Purus. Nas imagens, moradores aparecem próximos aos destroços, tentando auxiliar os ocupantes e impedir que o avião afunde ainda mais. Um segundo registro, feito a partir de um helicóptero do Ciopaer durante o deslocamento para o resgate, mostra a situação da aeronave e a movimentação de pessoas ao redor do local. Mesmo diante dos prejuízos materiais, o piloto destacou o alívio pela sobrevivência de todos.
“Graças a Deus, todo mundo vivo, tivemos a perda financeira, bagagem, pouca coisa, nada comparado com todo mundo que está dentro”, afirmou Douglas Campos.

Avião já havia apresentado problemas em 2023

Um dos pontos que mais chamaram atenção após o acidente foi o histórico da aeronave. O mesmo avião já havia realizado um pouso forçado em abril de 2023, durante um voo entre Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus. Na ocorrência anterior, registrada em 18 de abril de 2023, a aeronave perdeu potência e precisou pousar em uma área rural de Manoel Urbano. Informações sobre o episódio indicam que o avião sofreu danos substanciais. Há divergência entre relatos publicados sobre o número de feridos naquele acidente. Enquanto uma reportagem menciona que os cinco ocupantes ficaram bem, outra, baseada em informações atribuídas ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), registra quatro feridos. Por isso, o balanço daquele episódio exige confirmação nos documentos oficiais. Também foram divulgadas referências a ocorrências anteriores envolvendo o mesmo prefixo, em 2001 e 2010. Esses registros, porém, precisam ser analisados individualmente antes de estabelecer qualquer relação entre os episódios. O histórico de pousos forçados não comprova que a falha de 2026 tenha a mesma causa dos problemas anteriores. Essa relação só poderá ser estabelecida mediante análise técnica.

Qual era o modelo do avião que caiu no rio?

A aeronave envolvida no acidente é um Neiva EMB-711C, de prefixo PT-NLE, fabricado em 1977. O modelo é um monomotor de pequeno porte, com capacidade cadastrada para quatro ocupantes, incluindo o piloto. De acordo com informações do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), mantido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião constava em situação cadastral normal e possuía certificado de aeronavegabilidade válido até 22 de abril de 2027. O cadastro também indicava que o operador era classificado como privado e que a aeronave não possuía autorização para realizar serviços comerciais de táxi aéreo.

A aeronave estava irregular?

Não é possível afirmar que o voo tenha sido irregular apenas porque o avião não tinha autorização para operar como táxi aéreo. A ausência dessa permissão impede determinadas operações comerciais, mas não significa que toda utilização privada da aeronave seja proibida. Para determinar a regularidade da viagem, seria necessário esclarecer as condições em que o transporte foi realizado, a finalidade do voo e os requisitos aplicáveis à operação. Da mesma forma, o certificado de aeronavegabilidade válido não permite concluir que todos os sistemas funcionavam adequadamente no momento do acidente. A situação cadastral e a causa de uma pane mecânica são questões diferentes.

Por que aviões são importantes para o transporte no interior do Acre?

O acidente ocorreu em uma região onde o transporte aéreo tem importância significativa para a circulação de pessoas e mercadorias. Santa Rosa do Purus não possui ligação rodoviária direta com o restante do Acre, o que torna os deslocamentos por rios e aeronaves parte importante da rotina local. Em municípios isolados da Amazônia, viagens aéreas podem reduzir trajetos que, por via fluvial, exigiriam períodos muito maiores de deslocamento. Essa dependência reforça a importância das condições de manutenção, da fiscalização e da segurança das operações. No caso do voo de sábado, a aeronave transportava profissionais que haviam participado de uma atividade em Santa Rosa do Purus e retornavam para Manoel Urbano, de onde seguiriam por terra até Rio Branco.

O que ainda falta esclarecer sobre a queda do avião?

Embora os ocupantes tenham relatado vazamento de óleo e perda de potência, a causa técnica da falha no motor ainda não havia sido oficialmente estabelecida nas informações consultadas até a manhã deste domingo (18). Entre os pontos que ainda dependem de esclarecimento estão a origem da pane mecânica, as condições de manutenção da aeronave, as circunstâncias operacionais do voo e a situação clínica atualizada dos sobreviventes. Também será necessário verificar se os problemas registrados em ocorrências anteriores possuem alguma relação com a emergência de sábado. Essa análise deve considerar documentos de manutenção, registros operacionais e eventuais investigações aeronáuticas. Até o momento, o dado mais importante está confirmado: as quatro pessoas que estavam a bordo sobreviveram ao pouso forçado no Rio Purus. Enquanto as circunstâncias da pane seguem sem conclusão técnica, o caso chama atenção pela manobra realizada pelo piloto, pelo resgate em uma região de difícil acesso e pelo histórico da aeronave.
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