Após polêmica com gravações sem consentimento, Meta lança óculos inteligentes sem câmera

Novo modelo mantém funções de áudio e chega em meio a críticas sobre privacidade e relatos de assédio envolvendo versões anteriores dos dispositivos.
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A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, lançou uma nova versão de seus óculos inteligentes sem câmera, em meio a uma série de críticas sobre privacidade e relatos de gravações de pessoas sem consentimento. O modelo, chamado Ray-Ban Meta Audio, mantém recursos de áudio, mas elimina a possibilidade de fotografar e filmar.

A novidade surge após os óculos inteligentes desenvolvidos pela Meta em parceria com a Ray-Ban receberem apelidos como “óculos pervertidos” e “óculos sinistros”. As expressões passaram a circular diante de denúncias de uso dos equipamentos para filmar mulheres e meninas sem autorização, com imagens posteriormente compartilhadas na internet.

Segundo reportagem da BBC News Brasil, publicada na sexta-feira (16), a empresa afirma que o novo produto estava em desenvolvimento havia dois anos e não confirma que o lançamento seja uma resposta direta às críticas. A versão sem câmera também é apresentada como uma alternativa mais barata, leve e com maior duração de bateria.

Óculos inteligentes da Meta levantam alerta sobre privacidade; entenda o que eles podem registrar

Por que os óculos inteligentes da Meta viraram alvo de críticas?

Desde o lançamento dos primeiros modelos com inteligência artificial, em 2023, os dispositivos provocam discussões sobre os limites da tecnologia e o direito à privacidade.

Diferentemente de um celular, que normalmente precisa ser apontado para registrar uma imagem, os óculos possuem câmeras discretas integradas à armação. Isso permite que o usuário fotografe ou grave vídeos enquanto utiliza o acessório de maneira semelhante a óculos convencionais.

Mark Zuckerberg utiliza óculos inteligentes durante evento na Califórnia, nos Estados Unidos, em 2025. O empresário acredita que a tecnologia poderá substituir os celulares no futuro.

A preocupação aumentou após relatos de pessoas filmadas sem autorização, especialmente mulheres e meninas. Em alguns episódios, as gravações foram divulgadas nas redes sociais, levantando questionamentos sobre assédio, exposição indevida e consentimento.

A repercussão levou estabelecimentos e instituições do Reino Unido a restringirem o uso dos dispositivos. Entre os locais mencionados pela BBC estão pubs, teatros, escolas, eventos como a Comic-Con e a base naval de Faslane, na Escócia.

As restrições refletem o receio de que câmeras integradas a acessórios de uso cotidiano possam registrar imagens em ambientes nos quais as pessoas esperam ter sua privacidade preservada.

Como funcionam os novos óculos sem câmera?

O Ray-Ban Meta Audio foi desenvolvido para manter parte das funcionalidades dos óculos inteligentes sem incluir o recurso de captura de imagens.

O dispositivo permite ouvir músicas e realizar chamadas telefônicas por meio de alto-falantes integrados à armação, com o áudio direcionado aos ouvidos do usuário.

A Meta afirma que a ausência da câmera permite oferecer uma estrutura mais leve, maior autonomia de bateria e um preço inferior ao dos modelos equipados com recursos de fotografia e vídeo.

Apesar da mudança, a novidade não representa o abandono dos óculos com câmera. A empresa continua investindo no desenvolvimento de versões capazes de registrar imagens, interpretar o ambiente e apresentar informações por meio de inteligência artificial.

Meta tenta ampliar público em meio ao debate sobre privacidade

Em entrevista à BBC, Ankit Brahmbhatt, responsável pelos produtos Meta Glasses, comentou a ampliação da linha de dispositivos.

“Temos, eu acho, algo para todos.”

A declaração foi dada quando o executivo foi questionado sobre a possibilidade de a versão sem câmera superar as vendas dos modelos anteriores.

Especialistas ouvidos pela BBC avaliam que a alternativa pode ajudar a reduzir a resistência de consumidores preocupados com a presença de câmeras em acessórios utilizados diariamente.

A analista Kate Winick, da consultoria Forrester, considera que o lançamento não significa necessariamente um recuo da Meta, mas uma estratégia para permitir que mais pessoas se familiarizem com os óculos inteligentes.

Já o analista Ben Wood, da CCS Insight, destaca que as câmeras continuam sendo importantes para o funcionamento de recursos avançados de inteligência artificial, especialmente aqueles que interpretam o ambiente ao redor do usuário.

O problema da privacidade está resolvido?

A retirada da câmera elimina a possibilidade de fotografar ou filmar diretamente pelo novo modelo, mas não encerra todas as discussões sobre privacidade envolvendo dispositivos inteligentes.

Equipamentos com microfones, conectividade e integração com serviços digitais também exigem atenção às condições de coleta, processamento e armazenamento de informações.

Nos modelos com câmera, a Meta utiliza uma luz indicadora para sinalizar quando imagens estão sendo capturadas. A empresa afirma que o recurso foi desenvolvido para tornar as gravações mais perceptíveis e orienta os usuários a respeitarem o consentimento das pessoas ao redor.

Mesmo com essas medidas, os relatos de utilização indevida demonstram que os mecanismos tecnológicos não substituem o uso responsável dos dispositivos.

Próximos passos

A Meta continua apostando nos óculos inteligentes como parte de sua estratégia para integrar inteligência artificial a produtos utilizados no cotidiano.

A empresa também prepara a expansão de versões mais avançadas, incluindo modelos capazes de exibir informações diretamente nas lentes.

O lançamento do Ray-Ban Meta Audio amplia as opções disponíveis, mas ainda não é possível afirmar se a retirada da câmera será suficiente para reduzir a resistência do público ou impulsionar as vendas.

O desempenho comercial do novo modelo e a aceitação dos consumidores deverão indicar se os óculos sem câmera terão espaço relevante nesse mercado.

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