Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, revelam que Roberto Justus passou meses cobrando uma solução para um investimento na SteelCorp, empresa da qual é sócio. Os diálogos, divulgados pelo Poder360 em 1º de outubro, mostram reclamações sobre a dificuldade de contato com o então banqueiro, preocupações com as contas da companhia e até a possibilidade de recorrer à recuperação judicial.
O impasse envolvia um investimento negociado em 2024, estruturado como dívida conversível em ações. Embora recursos tenham sido envolvidos na operação, a transformação do investimento em participação societária não ocorreu como previsto. Em uma das mensagens, Justus afirmou que a situação colocava em risco a continuidade da SteelCorp.
A assessoria do empresário esclareceu que a referência à recuperação judicial foi utilizada como estratégia de negociação, sem representar a intenção efetiva de apresentar um pedido à Justiça. Segundo a equipe de Justus, o acordo acabou encerrado antes da liquidação do Banco Master e da prisão de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025.
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O que Roberto Justus disse a Daniel Vorcaro?
As cobranças começaram pelo menos em dezembro de 2024, quando Roberto Justus demonstrou insatisfação com a demora para concluir o investimento negociado meses antes.
Em mensagem enviada em 21 de dezembro daquele ano, o empresário afirmou que tentava contato com Vorcaro havia dias e lembrou que um contrato tinha sido assinado em agosto.
Justus também disse que havia confiado na parceria e deixado de buscar alternativas de financiamento para a SteelCorp.
A reclamação se intensificou ao longo de 2025, quando a empresa passou a enfrentar dificuldades relacionadas à contabilização do investimento e à necessidade de obter recursos.
Em janeiro, Justus mencionou uma dívida de curto prazo que precisava ser quitada com urgência. Nos meses seguintes, voltou a cobrar a conclusão da operação.
Em abril, afirmou que os compromissos assumidos pela companhia estavam provocando dificuldades financeiras e mencionou R$ 80 milhões que, segundo ele, continuavam registrados como dívida.
Justus chegou a falar em recuperação judicial
O momento mais delicado das conversas ocorreu em 1º de setembro de 2025.
Na ocasião, Justus demonstrou decepção com a dificuldade de conseguir uma reunião com Vorcaro e afirmou que precisava discutir a situação financeira da SteelCorp.
Ele relacionou a permanência do investimento como dívida no balanço da companhia à possibilidade de recorrer à recuperação judicial.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira para empresas que enfrentam dificuldades econômico-financeiras e precisam negociar suas obrigações com credores.
Entretanto, a assessoria de Justus informou posteriormente que a menção ao procedimento teve caráter de pressão durante a negociação.
Segundo a equipe, não se tratava do anúncio de um pedido iminente de recuperação judicial.
Não há confirmação de que a SteelCorp tenha apresentado à Justiça um pedido relacionado ao episódio.
Vorcaro afirmou que havia cumprido os aportes combinados
As mensagens também registram a posição de Daniel Vorcaro sobre o impasse.
Ao responder às cobranças, o então banqueiro afirmou que os aportes financeiros acertados haviam sido realizados, mas que a conversão do investimento em participação societária enfrentava dificuldades técnicas e jurídicas.
Vorcaro também declarou que tinha interesse em concluir a operação e que buscaria uma solução com a gestora responsável pelo negócio.
Essa resposta é importante porque diferencia duas etapas da negociação: a disponibilização de recursos e a conversão desses valores em participação acionária.
Portanto, os diálogos não sustentam a afirmação de que nenhum dinheiro tenha sido investido na SteelCorp.
O problema descrito nas conversas estava relacionado principalmente à estrutura financeira e societária da operação.
Negociação envolveu proposta de R$ 130 milhões
Após meses de cobranças, Justus e Vorcaro passaram a discutir uma alternativa para encerrar a relação empresarial.
Em setembro de 2025, os dois negociaram a possibilidade de converter notas comerciais em participação societária e, posteriormente, realizar a recompra dessa participação.
Segundo as mensagens analisadas pelo Poder360, a operação envolvia aproximadamente R$ 143 milhões em notas comerciais.
Justus apresentou uma proposta de recompra por R$ 130 milhões, com pagamentos distribuídos ao longo de cinco anos.
O modelo incluía pagamentos anuais, antecipações vinculadas à disponibilidade de recursos e uma parcela final de R$ 65 milhões, com correção pelo IPCA.
As conversas mostram que os empresários discutiram as condições da proposta, mas não permitem comprovar, isoladamente, que todas as etapas tenham sido executadas nos termos inicialmente negociados.
Roberto Justus esclareceu que Vorcaro não se tornou sócio da SteelCorp
Após a divulgação das mensagens, a assessoria de Roberto Justus apresentou esclarecimentos sobre o negócio.
Segundo a nota encaminhada ao Poder360, o investimento havia sido negociado em 2024 por meio de um instrumento de dívida que poderia ser convertido em ações.
A equipe explicou que as tratativas continuaram durante 2025, mas a conversão não foi efetivada.
Dessa forma, Daniel Vorcaro não chegou a se tornar sócio da SteelCorp.
A assessoria também afirmou que Justus decidiu encerrar a relação empresarial para preservar a companhia.
Segundo essa manifestação, a situação foi resolvida antes da liquidação do Banco Master e da prisão de Vorcaro.
A nota não apresenta, por si só, todos os documentos contábeis e contratuais necessários para detalhar a execução financeira do encerramento.
O que a prisão de Daniel Vorcaro tem a ver com as mensagens?
Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando se preparava para viajar ao exterior.
A prisão ocorreu no contexto das investigações sobre operações financeiras envolvendo o Banco Master.
No dia seguinte, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da instituição.
As mensagens com Roberto Justus foram identificadas no material extraído do celular de Vorcaro e posteriormente divulgadas pela imprensa.
Entretanto, a existência dessas conversas não demonstra que Justus tenha participado de irregularidades investigadas no caso Master.
A negociação da SteelCorp deve ser analisada separadamente das suspeitas envolvendo a instituição financeira.
Até o momento, não foram apresentados elementos que indiquem responsabilidade criminal de Roberto Justus em razão dos diálogos divulgados.
Justus também comemorou anúncio de venda do Master à Fictor
O material apresentado sobre as conversas inclui uma mensagem atribuída a Justus em 17 de novembro de 2025, na qual ele comemorava a notícia de uma possível venda do Banco Master ao grupo Fictor.
A negociação havia sido anunciada como uma alternativa para a situação financeira da instituição, mas não chegou a ser concluída.
A manifestação atribuída a Justus demonstra a reação do empresário ao anúncio da operação naquele momento.
Não há, contudo, elementos suficientes para afirmar que ele tivesse conhecimento de eventuais irregularidades investigadas no banco.
A tentativa de venda à Fictor e o investimento na SteelCorp são operações distintas e não devem ser tratadas como um único negócio.
Qual é a situação da SteelCorp após o impasse?
A SteelCorp atua no setor de construção industrializada e tem Roberto Justus entre seus principais executivos e investidores.
Durante as negociações com Vorcaro, o empresário relatou dificuldades para obter novos financiamentos e preocupações com o balanço da companhia.
A assessoria de Justus afirmou que o objetivo das tratativas posteriores foi encerrar a relação com o então banqueiro e preservar as atividades da empresa.
Essa manifestação indica que o impasse societário foi superado, mas não permite concluir, sem demonstrações financeiras atualizadas, qual foi o impacto definitivo da negociação sobre o caixa e o patrimônio da SteelCorp.
O episódio expõe uma disputa empresarial envolvendo a estruturação de um investimento, a contabilização de recursos e a tentativa de encerrar uma relação comercial.
As mensagens não constituem, por si só, prova de ilegalidade na operação ou de participação de Roberto Justus nos fatos investigados no caso Banco Master.