VÍDEO: Exército ucraniano usa drone para resgatar soldado ferido em operação inédita na guerra
Militar foi retirado da linha de frente por um drone de seis hélices após minas terrestres e aeronaves russas impedirem o resgate convencional; operação durou cerca de 75 minutos.
O Exército da Ucrânia divulgou imagens de uma operação considerada inédita pelos próprios militares: o resgate de um soldado ferido na linha de frente da guerra contra a Rússia utilizando um drone de grande porte. O equipamento transportou o combatente pelo ar até uma área segura, após a presença de minas terrestres e drones russos impedir a retirada por veículos convencionais.
A missão foi anunciada nesta segunda-feira (19) pela 92ª Brigada de Assalto da Ucrânia, que classificou a ação como a primeira evacuação aérea de um militar ferido diretamente de uma posição de combate com o uso de um drone. A operação envolveu diferentes unidades das Forças Armadas ucranianas e a fabricante de equipamentos militares Gurzuf Defense.
Segundo os militares, o resgate durou aproximadamente 75 minutos e envolveu um percurso operacional de 62 quilômetros. O soldado foi retirado com vida e encaminhado para atendimento médico. As autoridades ucranianas não informaram a data exata nem o local onde a operação foi realizada.
O militar resgatado integrava a 30ª Brigada Mecanizada da Ucrânia e estava em uma posição avançada quando sofreu ferimentos graves. De acordo com a fabricante Gurzuf Defense, ele havia permanecido por quase 500 dias em uma área de combate, recebendo alimentos, água, medicamentos e outros suprimentos enviados por drones.
Depois que o soldado ficou ferido, a retirada por terra foi considerada inviável. A região estava cercada por áreas minadas e sob vigilância constante de aeronaves não tripuladas russas, o que colocaria em risco as equipes responsáveis pelo socorro.
Para realizar o salvamento, as tropas utilizaram um drone pesado de seis hélices, conhecido como hexacóptero, modelo Heavy Shot Ayudag-6, desenvolvido pela Gurzuf Defense.
Primeiro, os militares enviaram equipamentos de fixação ao combatente. Em seguida, o drone foi deslocado até a posição onde ele estava, equipado com um sistema de içamento. Orientado remotamente pelos companheiros, o soldado conseguiu prender o próprio corpo ao dispositivo de resgate.
Depois da fixação, o equipamento levantou o militar do solo e o transportou suspenso até um ponto de retirada considerado mais seguro.
Vídeo mostra soldado sendo transportado pelo ar
As imagens divulgadas pelas Forças Armadas ucranianas mostram o momento em que o drone se aproxima do soldado ferido e realiza a retirada. O combatente aparece preso ao sistema de sustentação enquanto é transportado pelo ar.
O vídeo também registra militares acompanhando a operação por meio de monitores em uma sala de controle. Ao final do resgate, integrantes da equipe comemoram e aplaudem o sucesso da missão.
Segundo a 30ª Brigada Mecanizada, o soldado foi encaminhado para tratamento e reabilitação. A unidade informou que ele está fora de perigo.
Operação mobilizou diferentes unidades militares
A missão contou com a participação da 92ª Brigada de Assalto, da 30ª Brigada Mecanizada e do 10º Corpo do Exército ucraniano, além de especialistas da fabricante Gurzuf Defense.
Antes da operação, o equipamento passou por testes e adaptações para garantir maior estabilidade durante o transporte de uma pessoa. O planejamento também exigiu monitoramento do espaço aéreo e medidas de proteção contra interferências eletrônicas.
De acordo com as informações divulgadas pela fabricante, a missão durou uma hora, 14 minutos e 36 segundos. Os 62 quilômetros informados correspondem ao percurso operacional da missão, e não necessariamente à distância em linha reta entre o soldado e o ponto de resgate.
Os militares classificaram o resultado como um avanço no emprego de aeronaves não tripuladas para retirar combatentes de regiões inacessíveis por terra.
Tecnologia pode transformar resgates na guerra
O uso de drones se tornou uma das principais características da guerra entre Rússia e Ucrânia. Além de reconhecimento e ataques, os equipamentos são empregados no transporte de munições, alimentos, medicamentos e outros suprimentos para posições militares.
Mais recentemente, as forças ucranianas ampliaram a utilização de robôs terrestres para operações logísticas e retirada de feridos, reduzindo a necessidade de enviar equipes de resgate a áreas expostas a ataques.
O Ministério da Defesa da Ucrânia informou que as missões de robôs terrestres para logística e evacuação passaram de aproximadamente 7,5 mil em janeiro para mais de 25 mil em agosto de 2026.
A retirada de um soldado por um drone aéreo representa uma alternativa para situações em que nem mesmo os veículos terrestres não tripulados conseguem alcançar os feridos.
Segundo os militares, o resgate durou aproximadamente 75 minutos e envolveu um percurso operacional de 62 quilômetros. O soldado foi retirado com vida e encaminhado para atendimento médico. As autoridades ucranianas não informaram a data exata nem o local onde a operação foi realizada.
Resgate aéreo ainda apresenta riscos
Apesar do sucesso anunciado, especialistas e fabricantes alertam que esse tipo de operação não deve ser tratado como uma solução rotineira. O transporte de uma pessoa suspensa por uma aeronave não tripulada envolve riscos relacionados à estabilidade, às condições climáticas, à autonomia do equipamento e à possibilidade de ataques inimigos.
O cofundador da Gurzuf Defense, Pavlo Feldblium, afirmou que as evacuações aéreas devem ser consideradas uma alternativa de último recurso, quando não existem outras formas viáveis de retirar o militar ferido.
O caso também ocorre em um momento de desenvolvimento de drones projetados especificamente para evacuações médicas. A empresa ucraniana SkyFall, por exemplo, apresentou recentemente o StarGate, uma aeronave capaz de transportar uma pessoa em maca, ainda em fase de avaliação militar.
Embora as forças ucranianas descrevam o salvamento como o primeiro do mundo nessa modalidade, não há confirmação independente suficiente para estabelecer esse pioneirismo de maneira definitiva.
O episódio demonstra como a guerra tem acelerado a adaptação de tecnologias não tripuladas, que agora também passam a ser utilizadas em operações de salvamento de vidas no campo de batalha.