Casal foragido por duplo homicídio em Alagoas é preso em Paraty, no Rio
Homem e mulher são investigados pela morte de duas pessoas em 2022, diante da filha bebê das vítimas; polícia apura ligação dos suspeitos com o Comando Vermelho.
Um homem e uma mulher procurados pela Justiça de Alagoas por suspeita de envolvimento em um duplo homicídio foram presos na manhã desta terça-feira (20), na comunidade Ilha das Cobras, em Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro. A prisão ocorreu durante uma ação integrada entre policiais civis fluminenses e investigadores alagoanos, após o compartilhamento de informações de inteligência sobre o paradeiro dos suspeitos.
Os presos foram identificados como Weverton Faustino da Silva e Raiane Santos de Melo. Segundo a Polícia Civil, os dois são investigados pela morte de Camila Bilar de Oliveira, de 26 anos, e José Marcelo Lopes dos Santos Filho, de 23, assassinados em novembro de 2022, no município de Marechal Deodoro, em Alagoas. Contra ambos havia mandados de prisão preventiva pelo crime de homicídio qualificado.
De acordo com as investigações, as vítimas foram mortas a tiros dentro da própria residência, durante a madrugada. A filha do casal, que ainda era bebê na época, estava no imóvel e sobreviveu ao ataque. A polícia também apura a informação de que os responsáveis pelo crime teriam gravado vídeos durante a execução. Após os assassinatos, os investigados teriam deixado Alagoas e passado a viver no litoral fluminense.
Como aconteceu o duplo homicídio investigado em Alagoas?
O crime que motivou os mandados de prisão aconteceu em novembro de 2022, no município de Marechal Deodoro, localizado na Região Metropolitana de Maceió. As vítimas, Camila Bilar de Oliveira e José Marcelo Lopes dos Santos Filho, estavam em casa quando foram surpreendidas pelos autores dos disparos.
Segundo a investigação conduzida pela Polícia Civil de Alagoas, os suspeitos invadiram a residência durante a madrugada e atiraram contra o casal. Camila tinha 26 anos, enquanto José Marcelo tinha 23. Os dois morreram em decorrência do ataque.
Um dos aspectos mais graves do caso é a presença da filha das vítimas no imóvel. A criança, que ainda era bebê, estava na residência no momento dos disparos. Apesar da violência do ataque, ela não foi atingida e sobreviveu.
Os investigadores também apontam que os responsáveis pelo homicídio teriam registrado imagens durante a ação criminosa. A informação faz parte da apuração policial e poderá ser considerada no esclarecimento das circunstâncias e da participação individual dos investigados.
Os elementos reunidos durante a investigação levaram à expedição de mandados de prisão preventiva contra Weverton e Raiane. A prisão preventiva é uma medida cautelar determinada pela Justiça e não representa, por si só, uma condenação definitiva.
Quem são os suspeitos presos em Paraty?
Weverton Faustino da Silva e Raiane Santos de Melo eram procurados pela Justiça alagoana por suspeita de participação no assassinato de Camila e José Marcelo. Conforme as informações divulgadas pela Polícia Civil, os dois teriam deixado Alagoas depois do crime e se estabelecido no estado do Rio de Janeiro.
As investigações apontam que ambos possuíam ligação com o tráfico de drogas associado ao Comando Vermelho em Alagoas. A polícia também suspeita que, depois da mudança para Paraty, eles passaram a atuar em atividades relacionadas à expansão da organização criminosa na região.
Essas informações são tratadas pelas autoridades como elementos de investigação. A eventual participação dos presos em uma organização criminosa, assim como as responsabilidades individuais pelo duplo homicídio, deverá ser analisada nos procedimentos policiais e judiciais correspondentes.
Até a divulgação das informações sobre a operação, não foram apresentados detalhes sobre a atividade profissional dos investigados em Paraty, o período exato em que chegaram à cidade ou a existência de outras pessoas que teriam auxiliado na permanência deles no município
Como a Polícia Civil localizou os foragidos na Ilha das Cobras?
A prisão ocorreu na manhã de terça-feira (20), na comunidade Ilha das Cobras, em Paraty, município turístico da Costa Verde fluminense. A operação foi realizada por agentes da 167ª Delegacia de Polícia (Paraty) e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
O trabalho contou com informações repassadas por investigadores de Alagoas, responsáveis pela apuração do crime ocorrido em Marechal Deodoro. A cooperação entre as corporações permitiu identificar a localização dos suspeitos e organizar o cumprimento das ordens judiciais.
De acordo com a Polícia Civil, a atuação conjunta foi fundamental para localizar os investigados fora do estado onde o crime aconteceu. O caso envolve uma situação em que pessoas procuradas pela Justiça de uma unidade da Federação são encontradas em outra região do país.
As autoridades não detalharam, nas informações disponibilizadas, se houve resistência durante a abordagem ou apreensão de armas, drogas e outros materiais no momento da prisão.
Depois de localizados, Weverton e Raiane foram detidos para o cumprimento dos mandados de prisão preventiva e encaminhados aos procedimentos legais.
Polícia investiga ligação dos presos com o Comando Vermelho
Além da suspeita de participação no duplo homicídio, a Polícia Civil investiga possíveis vínculos de Weverton e Raiane com o Comando Vermelho, facção criminosa que atua em diferentes estados brasileiros.
Segundo as informações policiais, os investigados integrariam atividades relacionadas ao tráfico de drogas em Alagoas. Após a mudança para o Rio de Janeiro, teriam passado a atuar na expansão da facção na região de Paraty.
A apuração busca compreender se a permanência dos suspeitos no município estava relacionada apenas à tentativa de evitar a prisão pelo homicídio ou se também envolvia atividades criminosas na Costa Verde.
A polícia não informou, no material divulgado, quais funções específicas os dois exerceriam dentro da organização, nem apresentou detalhes sobre possíveis crimes praticados por eles em Paraty.
Por isso, a suposta ligação com o Comando Vermelho permanece como uma informação atribuída à investigação, sem que a prisão por homicídio seja confundida com uma condenação por participação em organização criminosa.
Investigadores apontam possível ligação com liderança criminosa de Alagoas
Outro ponto investigado é a possível relação dos presos com José Emerson da Silva, conhecido como “Nem Catenga”. Ele é apontado pela Polícia Civil como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Alagoas e também é procurado pela Justiça.
Segundo a corporação, José Emerson estaria escondido no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A informação sobre o possível paradeiro é baseada nas apurações policiais e não representa confirmação de que ele esteja atualmente no local.
Os investigadores trabalham para esclarecer se existe uma conexão entre a movimentação dos suspeitos presos em Paraty e a atuação de integrantes da organização criminosa em diferentes regiões do estado.
O compartilhamento de informações entre as polícias também poderá contribuir para identificar outras pessoas eventualmente envolvidas nas atividades investigadas.
O que é o Projeto Captura, que participou da prisão?
A operação integra o Projeto Captura, iniciativa coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em cooperação com forças policiais estaduais. O programa tem como objetivo localizar e prender pessoas procuradas pela Justiça, especialmente em casos considerados prioritários pelas autoridades.
O trabalho envolve o compartilhamento de informações entre órgãos de segurança pública, análise de dados de inteligência e realização de diligências para identificar o paradeiro de pessoas com mandados de prisão em aberto.
Uma das dificuldades enfrentadas pelas equipes é a possibilidade de investigados deixarem o estado de origem e passarem a viver em outras regiões do país. Nesses casos, a troca de informações entre delegacias e unidades especializadas permite que os mandados sejam cumpridos mesmo fora do território onde o processo teve início.
O Projeto Captura também atua na localização de suspeitos de crimes graves e de pessoas apontadas como integrantes de organizações criminosas. A iniciativa busca fortalecer a cooperação entre os estados e ampliar a capacidade de cumprimento de decisões judiciais.
No caso de Paraty, a participação das equipes do Rio de Janeiro e de Alagoas foi decisiva para a localização de dois investigados por um crime cometido quase quatro anos antes.
O que acontece com os suspeitos após a prisão?
Após a prisão, Weverton Faustino da Silva e Raiane Santos de Melo serão submetidos aos procedimentos previstos na legislação, incluindo a audiência de custódia. Nessa etapa, o Judiciário analisa a legalidade da prisão e as condições em que ela foi realizada.
Os dois permanecerão à disposição da Justiça, responsável por definir os próximos encaminhamentos relacionados aos mandados de prisão preventiva expedidos em Alagoas.
A prisão dos investigados não encerra automaticamente o processo sobre o duplo homicídio. As autoridades ainda deverão dar continuidade aos procedimentos necessários para esclarecer as circunstâncias do crime e estabelecer as responsabilidades individuais.
Também poderão ser aprofundadas as apurações sobre a possível ligação dos presos com o tráfico de drogas e com integrantes de organizações criminosas que atuam em diferentes estados.
O caso permanece sob acompanhamento das autoridades policiais e judiciais. Até eventual decisão condenatória, os dois devem ser tratados como investigados pelo assassinato de Camila Bilar de Oliveira e José Marcelo Lopes dos Santos Filho.