Uma mulher ameaçou um conselheiro tutelar com uma faca durante uma visita à residência da família, nesta terça-feira (20), no bairro Santos Dumont, em Maceió, Alagoas. O profissional havia ido ao imóvel para entregar uma notificação relacionada à ausência da filha da mulher, uma adolescente de 14 anos, na escola.
Durante a abordagem, a mãe teria reagido de maneira agressiva, exibido uma faca e arremessado pedras contra o veículo do Conselho Tutelar. A situação levou ao acionamento da Polícia Militar, que precisou negociar por mais de duas horas para retirar a adolescente da residência.
A operação mobilizou policiais militares, equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Corpo de Bombeiros. A adolescente foi resgatada sem ferimentos e ficou sob os cuidados de uma tia. A mãe foi encaminhada para atendimento no Hospital Portugal Ramalho.
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Conselheiro tutelar foi ameaçado durante notificação
A visita ocorreu após o Conselho Tutelar receber informações de que a adolescente não estava frequentando a escola e poderia estar sendo impedida de sair de casa.
O conselheiro foi até a residência para notificar a mãe e solicitar que ela comparecesse ao órgão para prestar esclarecimentos sobre a situação da filha.
Segundo relatos de representantes do Conselho Tutelar, a mulher reagiu à abordagem e passou a ameaçar o profissional com uma faca.
Imagens divulgadas pela imprensa local mostram a mulher segurando o objeto e fazendo gestos em direção ao conselheiro. Ela também teria lançado pedras contra o automóvel utilizado pela equipe.
Diante da ameaça, o profissional deixou o local e solicitou apoio policial.
Polícia utilizou bombas de efeito moral durante resgate
Equipes da Polícia Militar foram enviadas ao bairro Santos Dumont e iniciaram uma negociação para garantir a segurança da adolescente.
A ocorrência durou mais de duas horas e exigiu a participação de policiais especializados em gerenciamento de crises.
Durante a intervenção, foram utilizadas bombas de efeito moral e munições de borracha para controlar a situação.
Os agentes conseguiram conter a mulher e retirar a adolescente da residência. A faca utilizada durante as ameaças foi apreendida.
O Corpo de Bombeiros também participou da operação, prestando apoio às equipes de segurança e realizando o atendimento da jovem.
Apesar da mobilização, não houve registro de feridos.
Adolescente ficará sob os cuidados de uma tia
Depois do resgate, a adolescente recebeu atendimento e foi encaminhada aos cuidados de uma tia, que assumiu temporariamente sua responsabilidade.
O Conselho Tutelar informou que adotaria medidas de proteção para garantir a segurança da jovem.
A mãe foi levada ao Hospital Portugal Ramalho, unidade especializada em atendimento de saúde mental, para avaliação médica.
Havia suspeita de que a mulher estivesse passando por uma crise de saúde mental durante a ocorrência. No entanto, essa condição depende de avaliação profissional e não havia diagnóstico confirmado nas informações divulgadas.
Família já era acompanhada pelo Conselho Tutelar
De acordo com representantes do Conselho Tutelar, a situação da família já vinha sendo acompanhada há alguns meses.
Em janeiro deste ano, uma ocorrência semelhante teria sido registrada, quando a mulher também reagiu à atuação dos conselheiros e precisou ser encaminhada para atendimento hospitalar.
Na ocasião, a adolescente teria sido entregue aos cuidados do pai.
Segundo os relatos, o pai da jovem já havia apresentado denúncias relacionadas à possibilidade de a filha estar sendo impedida de sair de casa.
A adolescente também recebe acompanhamento de serviços especializados de saúde mental.
Impedir adolescente de frequentar a escola pode configurar violação de direitos
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que crianças e adolescentes têm direito à educação, à convivência familiar e comunitária e à proteção contra situações de violência e negligência.
O Conselho Tutelar é responsável por atuar quando esses direitos estão ameaçados ou violados, podendo aplicar medidas de proteção e encaminhar situações às autoridades competentes.
A ausência escolar recorrente pode motivar a intervenção do órgão, especialmente quando existem indícios de que a criança ou adolescente esteja sendo impedido de frequentar as aulas.
No caso registrado em Maceió, as circunstâncias envolvendo a permanência da jovem dentro da residência e as ameaças ao conselheiro deverão ser avaliadas pelas autoridades.
Até a divulgação das informações consultadas, não havia confirmação sobre eventual prisão da mulher ou sobre a abertura de procedimento criminal específico.
A prioridade das equipes envolvidas foi garantir a segurança da adolescente e encaminhar a família para os atendimentos necessários.