Quatro pesquisas eleitorais mostram disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro; entenda os números

Levantamentos divulgados entre segunda (19) e terça-feira (20) apresentam diferenças de 0,6 a 4 pontos percentuais nos votos válidos; métodos de coleta e margens de erro ajudam a explicar os resultados.
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Quatro pesquisas eleitorais divulgadas entre segunda-feira (19) e esta terça-feira (20) apresentam um cenário de disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Os levantamentos PoderData/Aya, Real Time Big Data, AtlasIntel/Bloomberg e BTG/Nexus mostram diferenças de 0,6 a 4 pontos percentuais entre os candidatos nos votos válidos, a cinco dias da votação.

Embora Flávio Bolsonaro apareça numericamente à frente nos quatro estudos, os resultados não são idênticos do ponto de vista estatístico. Três levantamentos são apresentados como empate técnico, enquanto o PoderData/Aya registra uma diferença superior à margem de erro informada. As variações mostram a importância de considerar não apenas os percentuais, mas também a metodologia, o tamanho das amostras e os períodos de entrevistas.

A análise conjunta das pesquisas permite identificar pontos de aproximação e divergência entre os institutos, mas não estabelece uma tendência única de crescimento ou queda dos candidatos. O segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro, e os números representam as intenções de voto declaradas pelos entrevistados, sem antecipar o resultado das urnas.

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O que mostram as quatro pesquisas eleitorais?

Os levantamentos foram realizados por institutos diferentes e divulgados em um intervalo de dois dias. Todos apresentam Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula na simulação de votos válidos, que exclui votos brancos, nulos e respostas sem indicação de candidato.

Confira os resultados:

Últimas pesquisas para presidência da república | Foto: Redação NC News

A maior distância numérica aparece no PoderData/Aya e no Real Time Big Data, ambos com quatro pontos percentuais. Já o BTG/Nexus registra a menor diferença, de apenas 0,6 ponto.

Apesar das semelhanças, não é adequado calcular uma média simples dos quatro resultados como se representassem uma única pesquisa. Cada levantamento utiliza critérios próprios de amostragem e coleta.

O que os resultados têm em comum?

O principal ponto de convergência é que os quatro institutos apresentam percentuais próximos de uma divisão equilibrada do eleitorado entre os dois candidatos.

Flávio Bolsonaro registra de 50,3% a 52% dos votos válidos, enquanto Lula aparece entre 48% e 49,7%.

Isso significa que, mesmo nos levantamentos com diferenças numéricas maiores, os percentuais estão relativamente próximos da metade dos votos válidos para cada candidato.

Outro aspecto importante é que as pesquisas foram realizadas em períodos semelhantes, embora não exatamente iguais. Os levantamentos divulgados nesta semana refletem entrevistas realizadas principalmente entre 13 e 19 de outubro.

A proximidade das datas permite observar diferentes estimativas sobre um mesmo momento da campanha, mas não elimina as diferenças metodológicas.

Por que três pesquisas apontam empate técnico?

A expressão empate técnico é utilizada quando a diferença entre os candidatos não permite estabelecer uma separação estatisticamente significativa segundo os critérios adotados no levantamento.

No Real Time Big Data, a diferença é de quatro pontos percentuais, exatamente o dobro da margem de erro de dois pontos informada para cada candidato. Por isso, o resultado é apresentado como empate técnico no limite dos intervalos.

No BTG/Nexus, a distância de 0,6 ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos, caracterizando um cenário de empate técnico.

A AtlasIntel/Bloomberg também foi classificada entre os levantamentos com empate técnico na comparação publicada pela revista Veja. A classificação deve ser interpretada de acordo com os critérios estatísticos do estudo.

Já o PoderData/Aya apresenta uma diferença de quatro pontos percentuais nos votos válidos, superior ao dobro da margem de erro informada de 1,8 ponto percentual.

É importante destacar que a margem de erro divulgada para as estimativas individuais não é necessariamente igual à margem de erro da diferença entre dois candidatos. Uma avaliação estatística rigorosa depende dos procedimentos utilizados por cada instituto.

Pesquisas anteriores mostram movimentos diferentes

A comparação com as rodadas anteriores ajuda a compreender por que os resultados mais recentes não devem ser interpretados como uma tendência uniforme.

No PoderData/Aya, os candidatos apareciam numericamente empatados na pesquisa divulgada em 16 de outubro, com 50% dos votos válidos para cada um.

Na nova rodada, Flávio passou para 52% e Lula registrou 48%, ampliando a diferença numérica para quatro pontos percentuais.

A AtlasIntel/Bloomberg apresenta movimento diferente. Na pesquisa divulgada em 9 de outubro, Flávio registrava 52,8% dos votos válidos, enquanto Lula aparecia com 47,2%.

A diferença de 5,6 pontos percentuais caiu para 2,2 pontos na rodada divulgada nesta segunda-feira (19), com 51,1% para Flávio e 48,9% para Lula.

O BTG/Nexus também registrou aproximação entre os candidatos. Na pesquisa anterior, divulgada em 13 de outubro, Flávio tinha 51,6% e Lula, 48,4% dos votos válidos.

Agora, os percentuais passaram para 50,3% e 49,7%, respectivamente.

Esses movimentos mostram que os institutos identificaram alterações numéricas em direções diferentes. Entretanto, oscilações entre rodadas precisam ser avaliadas à luz da margem de erro e não comprovam, isoladamente, uma mudança efetiva na preferência do eleitorado.

Metodologias diferentes ajudam a explicar as variações

As pesquisas eleitorais utilizam amostras da população para estimar as intenções de voto. A escolha dos entrevistados, o formato das perguntas e a forma de coleta podem influenciar os resultados.

O PoderData/Aya ouviu 3 mil eleitores por telefone, entre os dias 16 e 18 de outubro. O levantamento tem margem de erro de 1,8 ponto percentual e nível de confiança de 95%.

O Real Time Big Data entrevistou 2 mil eleitores, também por telefone, entre 15 e 19 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

A AtlasIntel/Bloomberg ouviu 4.998 eleitores entre os dias 13 e 18 de outubro, utilizando recrutamento digital aleatório.

Já o BTG/Nexus entrevistou 2.002 eleitores por telefone, entre os dias 16 e 18 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Além do método de coleta, os institutos podem utilizar diferentes procedimentos para ajustar suas amostras de acordo com características demográficas e sociais da população.

Por isso, uma diferença entre resultados publicados no mesmo dia não significa necessariamente que os eleitores tenham mudado de opinião naquele intervalo.

O que os votos válidos revelam e o que deixam de fora?

Os quatro levantamentos foram comparados considerando os votos válidos, critério utilizado pela Justiça Eleitoral para determinar o resultado das eleições.

Nesse cálculo, são excluídos votos brancos, nulos e respostas de entrevistados que não indicaram um candidato.

A conversão facilita a comparação com o resultado eleitoral, mas também pode produzir percentuais diferentes daqueles apresentados quando todos os entrevistados são considerados.

No PoderData/Aya, por exemplo, Flávio registra 49% das intenções de voto totais, enquanto Lula aparece com 46%. Outros 4% declaram voto branco ou nulo e 2% não sabem responder, conforme os números arredondados divulgados pelo instituto.

No BTG/Nexus, os percentuais totais são de 46,5% para Flávio e 45,9% para Lula. Os votos brancos e nulos representam 4,7%, enquanto 2,9% não souberam ou não responderam.

Essas informações são relevantes porque mostram que parte dos entrevistados não declara preferência por nenhum dos dois candidatos.

Também é necessário considerar que intenção de voto não equivale a comparecimento às urnas. A participação efetiva dos eleitores só será conhecida após a votação.

O que é possível concluir da análise das quatro pesquisas?

A leitura conjunta dos levantamentos permite identificar três características do cenário eleitoral nesta reta final.

A primeira é a proximidade dos percentuais registrados para os dois candidatos, mesmo com diferenças numéricas entre os institutos.

A segunda é a ausência de um movimento uniforme nas séries históricas recentes. Enquanto PoderData/Aya registra ampliação da diferença em relação à rodada anterior, AtlasIntel/Bloomberg e BTG/Nexus apresentam aproximação dos percentuais.

A terceira é a importância das margens de erro e das metodologias. Resultados semelhantes podem receber interpretações estatísticas diferentes, dependendo do desenho de cada pesquisa.

Assim, os quatro estudos oferecem informações sobre as preferências declaradas pelos eleitores, mas não permitem determinar antecipadamente quem vencerá a eleição.

Novas pesquisas devem atualizar o cenário antes do segundo turno

Outros levantamentos estão previstos para os últimos dias da campanha, incluindo pesquisas dos institutos Quaest, Datafolha e Meio/Ideia.

Os estudos poderão acrescentar novas informações sobre as intenções de voto e permitir comparações com rodadas anteriores dos mesmos institutos.

Os levantamentos podem ser consultados no sistema de registro de pesquisas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúne informações sobre responsáveis, metodologia, amostragem e períodos de coleta.

A votação do segundo turno está marcada para domingo, 25 de outubro. O resultado oficial será definido pela apuração dos votos realizada pela Justiça Eleitoral.

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