He-Man fracassa nos cinemas, mas Hollywood insiste: o streaming virou fábrica de continuações que ninguém pediu

Com bilheteria abaixo do orçamento estimado, “Mestres do Universo” ainda pode ter uma continuação. Casos como “Mortal Kombat” e “O Esquadrão Suicida” mostram como a audiência digital está transformando o significado de sucesso no cinema.
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Hollywood passou décadas tratando a bilheteria como a sentença definitiva sobre o futuro de um filme. Se arrecadasse muito, ganhava sequência. Se arrecadasse pouco, era enterrado, independentemente de sua qualidade. Mas a indústria parece estar descobrindo que existe vida depois das salas de cinema. E, para o desespero dos executivos que adoram reduzir cinema a uma planilha, o público nem sempre concorda com os números.

É nesse cenário que “Mestres do Universo”, nova adaptação de He-Man estrelada por Nicholas Galitzine, pode ganhar uma continuação mesmo depois de uma passagem comercial decepcionante pelos cinemas. O longa, lançado em junho pela Amazon MGM Studios, arrecadou aproximadamente US$ 114 milhões mundialmente, diante de um orçamento de produção estimado entre US$ 170 milhões e US$ 200 milhões. Uma diferença que, no modelo tradicional de Hollywood, seria suficiente para mandar qualquer projeto de sequência diretamente para a gaveta.

Entretanto, o filme chegou ao Prime Video apenas sete semanas depois de sua estreia nos cinemas, e o futuro da franquia pode depender também de seu desempenho na plataforma. A Amazon ainda não confirmou “Mestres do Universo 2”, mas o diretor Travis Knight já demonstrou interesse em continuar a história. O caso expõe uma transformação mais ampla: o streaming deixou de ser apenas o lugar onde os filmes vão depois de sair de cartaz e passou a participar das decisões sobre quais histórias merecem continuar.

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Para compreender a situação de “Mestres do Universo”, precisamos primeiro separar duas questões que Hollywood frequentemente mistura: o desempenho comercial de uma obra e sua capacidade de encontrar um público.

Dirigido por Travis Knight, responsável por “Bumblebee”, o novo filme acompanha o príncipe Adam em seu retorno a Eternia, onde precisa enfrentar Esqueleto e assumir sua identidade como He-Man.

A produção reúne Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Idris Elba, Alison Brie e Jared Leto, além de utilizar uma das marcas mais reconhecidas da cultura pop dos anos 1980.

No papel, parece uma fórmula comercial relativamente segura. Temos nostalgia, personagens conhecidos, efeitos visuais, um elenco internacional e uma propriedade intelectual com décadas de reconhecimento.

Mestres do Universo também foi adaptado nos anos oitenta | Foto: Reprodução

Mas Hollywood já deveria ter aprendido que nostalgia não é garantia de bilheteria. Se fosse, bastaria colocar um brinquedo antigo diante de uma câmera e esperar o dinheiro aparecer.

A arrecadação mundial de aproximadamente US$ 114 milhões ficou abaixo do orçamento estimado de produção. E esse número sequer contempla integralmente os custos de publicidade e distribuição, que podem representar despesas consideráveis para um lançamento dessa dimensão.

Também é importante lembrar que o estúdio não recebe todo o dinheiro arrecadado nas bilheterias. Parte da receita permanece com exibidores e distribuidores, conforme os contratos de cada mercado.

Portanto, quando falamos em um filme que arrecadou menos do que custou para ser produzido, estamos diante de um sinal comercial bastante negativo.

Isso não significa, porém, que a Amazon tenha perdido todo o investimento ou que a franquia esteja necessariamente condenada.

A empresa opera um modelo de negócios diferente daquele de um estúdio que depende principalmente da venda de ingressos. Além da exploração cinematográfica, pode utilizar o filme para alimentar o catálogo do Prime Video, atrair assinantes e ampliar o valor comercial da marca.

E é justamente nesse ponto que o futuro de He-Man começa a ficar interessante.

Nicholas Galitzine é He-Man na adaptação de 2026 | Foto: Reprodução

O streaming não precisa vender ingressos para transformar um filme em sucesso

Durante décadas, a lógica dos grandes estúdios era relativamente simples: um filme precisava vender ingressos suficientes para justificar seus custos e, preferencialmente, financiar uma continuação.

A televisão, o VHS, o DVD e o Blu-ray sempre participaram dessa equação. Muitos filmes encontraram uma segunda vida no mercado doméstico, construindo audiências que não haviam aparecido nas salas de cinema.

O streaming, portanto, não inventou a redescoberta de filmes. O que ele fez foi alterar a velocidade e a escala desse processo.

Hoje, uma produção pode sair de cartaz e alcançar milhões de espectadores em poucos dias, especialmente quando aparece na página inicial de uma plataforma com alcance internacional.

Existe também uma diferença fundamental entre os modelos de receita.

Quando alguém compra um ingresso, o estúdio consegue associar aquela transação a uma arrecadação específica. No streaming por assinatura, o valor de um filme é muito mais difícil de determinar.

Uma plataforma pode avaliar quantas pessoas começaram a assistir, quantas terminaram, quantos novos assinantes chegaram, quantos permaneceram no serviço e até como determinado título influencia o consumo de outras produções.

O problema é que essas informações raramente são divulgadas integralmente.

Isso cria uma situação curiosa: um filme pode fracassar publicamente nos cinemas e ser considerado valioso internamente por uma plataforma, sem que o público tenha acesso aos dados necessários para compreender essa decisão.

O sucesso deixa de ser medido exclusivamente por dinheiro arrecadado e passa a depender de uma combinação de audiência, retenção e estratégia empresarial.

Não significa que os números deixaram de importar. Significa apenas que as empresas encontraram novas maneiras de calculá-los.

O streaming tornou-se o que a TV fechada foi um dia | Foto: Reprodução

Mortal Kombat: a bilheteria foi modesta, mas a HBO Max encontrou um fenômeno

Um dos exemplos mais interessantes dessa transformação aconteceu em 2021, com “Mortal Kombat”.

A nova adaptação da franquia de videogames chegou aos cinemas durante a pandemia, em um período no qual a Warner Bros. adotou a estratégia de lançar suas produções simultaneamente nas salas americanas e na HBO Max.

O filme arrecadou aproximadamente US$ 84 milhões mundialmente, diante de um orçamento de produção estimado em US$ 50 milhões.

Não foi uma arrecadação espetacular, especialmente para uma propriedade intelectual conhecida mundialmente. Entretanto, avaliar o resultado apenas pela bilheteria seria ignorar uma parte importante da estratégia comercial.

Segundo dados da Samba TV, aproximadamente 3,8 milhões de domicílios americanos assistiram ao filme na HBO Max durante seu primeiro fim de semana.

Karl Urban, estrela de The Boys e Senhor dos Anéis, assume o manto de Johnny Cage em Mortal Kombat 2 | Foto: Reprodução

A marca superou o desempenho inicial de outras produções da Warner, incluindo “Godzilla vs. Kong”, e colocou “Mortal Kombat” entre os principais sucessos digitais daquele período.

Existe uma ressalva importante: a medição da Samba TV considera uma amostra de televisores conectados e não representa necessariamente o número total de espectadores da plataforma. Além disso, o critério utilizado para contabilizar a audiência não exigia que o filme fosse assistido integralmente.

Ainda assim, o resultado demonstrou que havia uma audiência relevante interessada na franquia, mesmo que parte desse público não estivesse disposta, ou sequer tivesse condições, de frequentar os cinemas naquele momento.

A Warner acabou desenvolvendo uma continuação, lançada em 2026.

Seria exagerado afirmar que o streaming foi o único responsável pela decisão. A popularidade dos jogos, o potencial internacional da marca e os planos de expansão da franquia também tiveram importância.

Mas o caso demonstra como uma bilheteria pouco impressionante pode conviver com uma audiência digital expressiva.

E, convenhamos, talvez o maior mérito de “Mortal Kombat” tenha sido provar que ainda existe público disposto a assistir a uma adaptação de videogame mesmo quando Hollywood insiste em acreditar que o nome da franquia é suficiente para compensar qualquer deficiência de roteiro.

Warner apostou em abordagem mais violenta para a realização de Mortal Kombat | Foto: Reprodução

O Esquadrão Suicida: o fracasso de bilheteria que ajudou a construir uma série

Outro caso bastante revelador envolve “O Esquadrão Suicida”, dirigido por James Gunn e lançado em 2021.

O filme arrecadou aproximadamente US$ 168,7 milhões mundialmente, diante de um orçamento de produção estimado em US$ 185 milhões.

Em condições tradicionais, seria um resultado preocupante para uma superprodução da DC.

O longa chegou aos cinemas em meio à pandemia e também foi disponibilizado simultaneamente na HBO Max nos Estados Unidos, fatores que tornam qualquer comparação direta com lançamentos convencionais bastante limitada.

Entretanto, a recepção digital apresentou outro cenário.

Segundo a Samba TV, aproximadamente 2,8 milhões de domicílios americanos assistiram à produção durante seu primeiro fim de semana na plataforma.

O desempenho ficou abaixo de “Mortal Kombat”, mas representou uma audiência expressiva para um filme que enfrentava dificuldades comerciais nas salas.

A Warner não produziu uma continuação cinematográfica direta de “O Esquadrão Suicida”. Em vez disso, expandiu seu universo com “Pacificador”, série estrelada por John Cena e desenvolvida pelo próprio James Gunn.

James Gunn apostou em elenco estrelado e experiente, mas pandemia sabotou a distribuição | Foto: Reprodução

Aqui, a situação merece uma distinção importante: a série já estava em desenvolvimento antes da estreia do filme. Portanto, não seria correto afirmar que o sucesso no streaming provocou sua criação.

O que aconteceu foi diferente, e talvez ainda mais significativo.

Mesmo com uma bilheteria decepcionante, o estúdio continuou explorando personagens e possibilidades narrativas daquele universo, enquanto a série encontrou espaço para construir sua própria audiência.

O resultado ajuda a desmontar a ideia de que um filme comercialmente malsucedido precisa necessariamente levar toda a sua franquia para o túmulo.

Às vezes, o problema não está no universo apresentado, mas no formato escolhido para explorá-lo.

“Pacificador” encontrou na televisão a liberdade necessária para desenvolver personagens, aprofundar relações e explorar o humor violento característico de Gunn.

É uma diferença que Hollywood costuma ignorar quando tenta transformar qualquer personagem minimamente popular em protagonista de uma superprodução de duas horas.

Nem toda história precisa de uma sequência cinematográfica. Algumas simplesmente funcionam melhor quando recebem tempo para respirar.

Apesar do fracasso de bilheteria, Esquadrão Suicida 2 garantiu duas temporadas de “O Pacificador” | Foto: Reprodução

O problema é que audiência não significa necessariamente qualidade

Até aqui, poderíamos interpretar a ascensão do streaming como uma espécie de democratização das decisões de Hollywood.

Os cinemas deixam de ser os únicos responsáveis pelo destino comercial de uma produção, e filmes que não encontraram espaço nas salas podem conquistar novas oportunidades.

Parece ótimo, mas essa lógica possui uma armadilha oculta:

As plataformas não estão necessariamente interessadas em descobrir obras injustiçadas pela crítica ou em financiar projetos artisticamente relevantes.

Elas querem audiência, mas audiência, como sabemos, não é sinônimo de qualidade.

Um filme pode alcançar milhões de visualizações porque foi muito divulgado, porque pertence a uma franquia conhecida ou simplesmente porque apareceu em destaque na página inicial de uma plataforma.

Isso não significa que o público tenha gostado da experiência, tampouco que exista demanda real por uma continuação.

É perfeitamente possível que milhões de pessoas assistam a uma produção ruim por curiosidade e nunca mais queiram encontrar aqueles personagens.

Por isso, métricas como conclusão de reprodução, recorrência de audiência e retenção de assinantes podem ser tão importantes quanto o número bruto de visualizações.

O problema é que os estúdios costumam divulgar apenas os indicadores que favorecem suas narrativas comerciais.

Quando interessa, um filme é o mais assistido da semana. Quando não interessa, ninguém explica quantas pessoas abandonaram a sessão antes da metade.

É uma forma bastante conveniente de transformar qualquer desempenho em vitória.

Audiência é lucro, as grandes empresas e produtoras buscam pelo lucro | Foto: Reprodução

He-Man precisa de uma continuação ou a Amazon precisa de mais uma franquia?

Voltamos, então, a “Mestres do Universo”.

O filme de Travis Knight deixa caminhos narrativos abertos para novas aventuras em Eternia, incluindo a possibilidade de ampliar a participação de personagens conhecidos da franquia.

Nicholas Galitzine poderia retornar como He-Man, enquanto Camila Mendes e Idris Elba também teriam espaço para continuar suas histórias.

A presença de personagens como She-Ra e Orko, além das possibilidades envolvendo Evil-Lyn, oferece material suficiente para uma continuação.

Mas deixar portas abertas não significa que exista um projeto aprovado.

Hollywood transformou cenas pós-créditos em uma espécie de promessa automática de franquia, mesmo quando os estúdios ainda não decidiram se pretendem financiar o próximo filme.

No caso de He-Man, a Amazon MGM Studios ainda não anunciou oficialmente uma sequência.

Apesar disso, o filme foi bem elogiado pelo (pouco) público que conquistou nos cinemas | Foto: Reprodução

O diretor Travis Knight demonstrou interesse em continuar a história, mas reconheceu que o futuro depende da resposta do público.

A questão central é descobrir se o desempenho no Prime Video será suficiente para justificar um novo investimento de grande porte.

Até o momento, não há dados públicos consolidados que permitam afirmar que “Mestres do Universo” se tornou um fenômeno de audiência na plataforma.

Portanto, seria precipitado anunciar que o streaming salvou a franquia.

O que existe é uma possibilidade comercial que não estaria tão evidente caso a bilheteria fosse o único critério de avaliação.

E essa possibilidade pode ser especialmente relevante para a Amazon, que controla tanto a distribuição cinematográfica quanto uma das maiores plataformas de streaming do mercado.

A empresa não precisa necessariamente avaliar o filme como um produto isolado. Pode considerar sua contribuição para o catálogo, o reconhecimento da marca e o potencial de exploração futura.

Naturalmente, isso não significa que qualquer investimento se justifique.

Produzir uma continuação de US$ 200 milhões para compensar o desempenho de um filme que já custou uma fortuna seria uma decisão difícil de defender sem indicadores consistentes de demanda.

A nostalgia pode vender brinquedos, camisetas e assinaturas. Mas ela não transforma automaticamente uma produção cara em um negócio sustentável.

He-Man apostou na nostalgia e buscará investir nisso numa eventual continuação | Foto: Reprodução

O cinema está deixando de ser o destino final dos filmes

A transformação mais interessante dessa história talvez não esteja em He-Man, Mortal Kombat ou qualquer outra franquia específica.

Está na mudança do papel desempenhado pelas salas de cinema.

Durante décadas, a estreia cinematográfica funcionou como o principal momento comercial de uma produção. Era ali que um filme precisava provar seu valor e conquistar a atenção do público.

Hoje, para empresas que também controlam plataformas digitais, o cinema pode representar apenas uma etapa de um processo muito maior.

Uma passagem pelas salas oferece publicidade, visibilidade cultural e prestígio. Depois, o filme pode ganhar uma segunda campanha de divulgação ao chegar ao streaming.

A estratégia amplia as oportunidades comerciais, mas também apresenta riscos.

Se o público percebe que determinada produção estará disponível em poucas semanas dentro de uma assinatura que já paga, o incentivo para comprar um ingresso diminui.

Isso pode criar um ciclo difícil de interromper.

Os estúdios reduzem as janelas de exclusividade porque desejam fortalecer suas plataformas. Parte dos espectadores passa a esperar pela estreia digital. As bilheterias ficam pressionadas, e os próprios estúdios utilizam esse desempenho menor como justificativa para investir ainda mais no streaming.

É uma lógica comercial compreensível, mas que pode enfraquecer a experiência cinematográfica que essas empresas afirmam querer preservar.

O cinema deixa de ser o grande acontecimento e passa a funcionar, em determinados casos, como uma vitrine temporária para produtos destinados ao consumo doméstico.

E isso não é necessariamente uma vitória para o público.

A facilidade de acesso é positiva, mas a transformação de filmes em conteúdos descartáveis, consumidos rapidamente e substituídos na semana seguinte, pode prejudicar justamente aquilo que torna o cinema uma linguagem artística diferente de outras formas de entretenimento.

A democratização do acesso ao cinema é, ironicamente, a maior ameaça ao cinema | Foto: Reprodução

Hollywood descobriu uma segunda chance, mas ainda não aprendeu o que fazer com ela

O possível futuro de “Mestres do Universo” representa uma contradição interessante da indústria contemporânea.

De um lado, temos um sistema de distribuição capaz de alcançar públicos que dificilmente frequentariam as salas de cinema para assistir a determinados filmes.

Do outro, encontramos empresas cada vez mais dependentes de franquias, marcas conhecidas e personagens que já possuem reconhecimento comercial.

O streaming ampliou as oportunidades de circulação, mas não necessariamente tornou Hollywood mais corajosa.

Pelo contrário. Em muitos casos, a possibilidade de transformar um filme em uma franquia de longo prazo parece ter aumentado o interesse dos estúdios por propriedades intelectuais antigas, em vez de incentivar novas histórias.

É compreensível que a Amazon queira explorar He-Man. A franquia possui décadas de história, personagens reconhecíveis e um universo suficientemente amplo para diferentes produções.

Mas a pergunta que deveria orientar uma continuação não é apenas quantas pessoas assistiram ao primeiro filme.

É se existe uma história que realmente mereça ser contada.

“Mortal Kombat” demonstrou que uma audiência digital pode ajudar a sustentar o interesse por uma franquia. “O Esquadrão Suicida” mostrou que um universo cinematográfico pode encontrar novas possibilidades na televisão. E “O Contador” revelou como o consumo doméstico pode prolongar a relevância comercial de personagens por quase uma década.

Nenhum desses exemplos significa que todo fracasso merece uma segunda chance.

Significa apenas que a bilheteria deixou de ser uma sentença definitiva.

No caso de “Mestres do Universo”, o futuro continua indefinido. A Amazon ainda precisa decidir se existe público suficiente para justificar outra aventura em Eternia.

Mas talvez Hollywood devesse aproveitar essa mudança para compreender algo mais importante.

Ter a possibilidade de produzir uma continuação não significa que seja necessário produzi-la.

A indústria finalmente descobriu que um filme pode sobreviver ao fracasso nos cinemas. Agora falta descobrir que nem toda história precisa sobreviver para sempre.

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