A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (21) que não se opõe às condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura de sigilos bancários e telefônicos. Entre as exigências do candidato do PL está a divulgação de dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete pessoal de Lula.
O porta-voz da campanha petista, Camilo Santana, afirmou que o presidente aceita as condições, desde que Flávio também cumpra as solicitações feitas por Lula ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha informou que pretende apresentar uma resposta formal nesta quinta-feira (22), às 11h. Até a publicação desta reportagem, Marcola não havia confirmado publicamente se autoriza a abertura dos próprios sigilos.
Lula condiciona abertura de sigilos ao mesmo gesto de Flávio Bolsonaro e protocola pedido no TSE
Campanha de Lula cobra reciprocidade de Flávio
O impasse começou após Lula desafiar Flávio Bolsonaro a autorizar a divulgação de informações bancárias e telefônicas durante o debate presidencial da Band, realizado no domingo (18). O presidente apresentou posteriormente um documento ao TSE autorizando a abertura de seus sigilos e solicitando medida equivalente do adversário.
Flávio aceitou discutir a divulgação dos próprios dados, mas condicionou a decisão à abertura de informações de pessoas e instituições ligadas ao presidente. Entre os pedidos estão os sigilos de Marcola, dados do Instituto Lula e informações sobre despesas do cartão corporativo da Presidência e da primeira-dama, Janja da Silva.

Quem é Marcola, citado nas exigências
Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, foi chefe de gabinete pessoal de Lula. Ele é citado em investigações da Polícia Federal relacionadas a suspeitas envolvendo a empresária Roberta Luchsinger e possíveis conexões com pessoas próximas ao presidente.
A existência de investigação ou a menção de uma pessoa em apurações policiais não representa comprovação de culpa. As suspeitas precisam ser analisadas pelas autoridades competentes, e eventuais responsabilidades dependem de provas e decisões judiciais.

Campanha petista questiona empresa ligada a Willer Tomaz
Além das exigências envolvendo Marcola, a campanha de Lula cobrou que Flávio mantenha no pedido de abertura de sigilos informações relacionadas à Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz. Segundo informações divulgadas sobre o caso, documentos analisados pela Polícia Federal indicariam que o senador foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da companhia.
Esse tipo de cadastro pode permitir o acesso e o gerenciamento de uma conta, mas não comprova, por si só, participação societária ou prática ilegal. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam manter negócios em conjunto.

Pedido de abertura de sigilo ainda depende de providências
As declarações das campanhas não significam que os sigilos tenham sido efetivamente quebrados nem que os dados estejam disponíveis para consulta pública. A divulgação depende das autorizações e dos procedimentos legais aplicáveis a cada pessoa e informação.
O pedido apresentado por Lula ao TSE prevê a divulgação de informações referentes aos últimos oito anos e inclui familiares. Flávio, por sua vez, apresentou exigências que abrangem um período mais amplo e outras pessoas, empresas e registros ligados ao presidente.
Disputa sobre sigilos ocorre antes do segundo turno
A troca de exigências ocorre na reta final da campanha presidencial, a quatro dias do segundo turno, marcado para domingo (25). O tema passou a integrar o confronto entre os candidatos após o debate da Band e pode voltar a ser discutido no debate previsto para sexta-feira (23), na TV Globo.
O próximo passo anunciado pela campanha petista é formalizar a resposta às condições apresentadas por Flávio. Até que as autorizações sejam efetivadas e os procedimentos legais concluídos, não é possível afirmar que os sigilos dos envolvidos tenham sido abertos.