“Quem é Mariana?”: Janones provoca Flávio Bolsonaro

Deputado levantou questionamento nas redes sociais a quatro dias do segundo turno; nome é associado a uma ex-assessora do senador investigada no passado, mas ligação com a nova provocação ainda não foi confirmada.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A pergunta “Quem é Mariana, Flávio?” ganhou repercussão nas redes sociais nesta quarta-feira (21), depois que o deputado federal André Janones (Rede-MG) fez uma publicação direcionada ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A provocação ocorre a quatro dias do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).

Janones afirmou ter guardado uma informação que, segundo ele, poderia ter influenciado o resultado do primeiro turno. O deputado não apresentou documentos ou provas sobre a nova declaração, mas a publicação levou internautas a buscar a identidade da mulher mencionada.

Uma das hipóteses levantadas relaciona o nome a Mariana Lúcia da Silva Ramos Mota, ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela foi citada em investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre um suposto esquema de rachadinhas. Até o momento, porém, não há confirmação de que seja essa a Mariana mencionada por Janones.

LEIA TAMBÉM

Bolsonaro mandou matar Lula? Estratégia de Janones leva pergunta aos assuntos em alta

O que Janones disse sobre Mariana e Flávio Bolsonaro?

Em publicação nas redes sociais, André Janones afirmou que havia decidido guardar uma informação durante o primeiro turno da eleição presidencial e que agora seria o momento de divulgá-la.

“Eu tive que ter muito sangue frio pra segurar essa informação até aqui, até porque poderíamos ter perdido a eleição no primeiro turno e nem ter o segundo! Mas eu arisquei e deu certo: é chegada a hora do BRASIL saber quem é a Mariana!”, escreveu o parlamentar.

A mensagem foi acompanhada da hashtag #QuemEMarianaFlavio, que passou a circular entre usuários das redes sociais.

Apesar da repercussão, Janones não explicou na publicação qual seria a informação que afirma ter guardado nem apresentou elementos que permitam verificar uma nova acusação contra o candidato do PL.

Quem é Mariana Lúcia, ex-assessora de Flávio Bolsonaro?

Mariana Lúcia da Silva Ramos Mota trabalhou como chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro durante o período em que ele exercia mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro.

O nome dela apareceu em uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro sobre a suspeita de recolhimento de parte dos salários de funcionários do antigo gabinete parlamentar.

Segundo documentos apresentados pela Promotoria à Justiça e divulgados em reportagens de 2019, Mariana teria exercido a função de arrecadar valores repassados por assessores antes de Fabrício Queiroz assumir essa atividade, conforme a hipótese investigativa.

O caso ficou conhecido como investigação das rachadinhas, expressão utilizada para descrever a prática de exigir que servidores devolvam parte da remuneração recebida pelo exercício de cargos públicos.

É importante destacar que as informações sobre a participação de Mariana correspondem a suspeitas levantadas pelos investigadores, e não a uma condenação judicial definitiva.

Investigação apontou transferências de R$ 39,4 mil

De acordo com o Ministério Público, Mariana Lúcia teria recebido R$ 39,4 mil de Jorge Luis de Souza, que também trabalhou como assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro.

Os valores teriam sido transferidos entre janeiro de 2007 e março de 2008, por meio de 15 operações bancárias.

Segundo a investigação, o montante representaria aproximadamente 45% da remuneração do servidor no período analisado.

Os investigadores também apontaram que Mariana teria realizado saques em dinheiro que somaram cerca de R$ 134 mil, equivalentes a aproximadamente 40% dos salários recebidos enquanto trabalhava no gabinete.

A Promotoria considerou essas movimentações suspeitas no contexto da apuração sobre possíveis repasses de salários de servidores.

Mariana deixou a chefia do gabinete em dezembro de 2007 e foi transferida para a Comissão de Defesa Civil da Alerj, onde permaneceu até dezembro de 2008.

Qual era a relação de Mariana com Fabrício Queiroz?

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, tornou-se um dos principais personagens das investigações sobre suspeitas de rachadinha na Alerj.

Segundo a linha de investigação apresentada pelo Ministério Público, a suposta arrecadação de valores de funcionários teria começado antes de Queiroz assumir a função apontada pelos investigadores.

Mariana Lúcia foi mencionada como uma das pessoas que teriam participado dessa atividade em um período anterior.

O relatório do Ministério Público também examinou movimentações financeiras de outros integrantes do gabinete e relações profissionais entre assessores.

As suspeitas foram divulgadas publicamente em 2019, mas sua existência não comprova, por si só, uma nova acusação relacionada à publicação feita por Janones em outubro de 2026.

Provocação acontece na reta final do segundo turno

A declaração de Janones ocorre em meio à intensificação dos confrontos políticos nas redes sociais, a poucos dias da votação que definirá o próximo presidente da República.

O deputado tem atuado na mobilização digital de apoiadores de Lula e já protagonizou outros episódios de confronto com Flávio Bolsonaro durante a campanha.

Na terça-feira (20), Janones orientou seguidores a pesquisar no Google uma acusação envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e um suposto plano contra Lula, sem apresentar provas de que o ex-presidente tivesse ordenado o crime.

A estratégia gerou repercussão e ampliou o debate sobre o uso de provocações e acusações nas redes sociais durante o período eleitoral.

O novo questionamento sobre Mariana segue a mesma dinâmica de mobilização digital, ao incentivar a curiosidade do público sem apresentar imediatamente as informações que o deputado afirma possuir.

Há provas de uma nova denúncia contra Flávio Bolsonaro?

Até a publicação desta reportagem, não havia sido apresentada documentação pública que comprovasse a existência de uma nova denúncia relacionada à pergunta feita por André Janones.

Também não foi possível confirmar que Mariana Lúcia da Silva Ramos Mota seja efetivamente a pessoa mencionada pelo deputado.

A associação entre o nome citado nas redes sociais e a antiga investigação sobre rachadinhas foi feita a partir de reportagens publicadas anteriormente.

O caso exige distinguir três situações: a provocação política de Janones, as suspeitas investigadas pelo Ministério Público em anos anteriores e a eventual existência de fatos novos, que ainda não foram demonstrados publicamente.

A pergunta sobre Mariana permanece sem esclarecimento definitivo, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro se preparam para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

Carregar Comentários