Acidentes envolvendo motocicletas provocaram pelo menos 444 mortes na cidade de São Paulo entre janeiro e setembro de 2026. Segundo dados do Infosiga, sistema de estatísticas do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), as motos estiveram envolvidas em 433 acidentes fatais, representando 57% das ocorrências de trânsito com mortes registradas na capital.
O levantamento mostra que o número de vítimas é maior do que o total de motociclistas mortos, já que os acidentes também atingiram passageiros, pedestres e ocupantes de outros veículos. Dos 444 óbitos, 379 foram de pessoas que estavam em motocicletas no momento da ocorrência.
Os dados também revelam um recorde de mortes entre motociclistas nos primeiros nove meses do ano. O número de 379 vítimas representa um aumento de 4,1% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 364 mortes.
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De acordo com os dados abertos do Infosiga, as motocicletas participaram de 13.717 acidentes de trânsito na capital paulista entre janeiro e setembro. O número representa aproximadamente 41% das 33.291 ocorrências registradas no período.
Entre os acidentes envolvendo motos, 75% foram colisões entre veículos em movimento, o que reforça a preocupação com a segurança de motociclistas em ruas e avenidas movimentadas.
Das 379 pessoas que morreram enquanto estavam em motocicletas, pelo menos 337 eram condutores e outras 28 estavam na garupa. Em 14 casos, não havia informação disponível sobre a posição da vítima.
O levantamento considera ainda duas pessoas que sofreram acidentes em dezembro de 2025, mas morreram em 2026.
Mortes de motociclistas batem recorde em São Paulo
Os números de 2026 são os maiores para o período de janeiro a setembro desde 2015, quando teve início a série histórica do Infosiga.
Em comparação, nos primeiros nove meses de 2015 foram registradas 269 mortes de motociclistas. Onze anos depois, o total chegou a 379, evidenciando o crescimento da mortalidade desse grupo no trânsito paulistano.
O aumento ocorre em um cenário de maior circulação de motocicletas, utilizadas tanto para deslocamentos pessoais quanto para atividades profissionais, especialmente entregas por aplicativos.
A rotina de trabalhadores que dependem das motos também integra o debate sobre segurança viária. Jornadas prolongadas, pressão por produtividade, excesso de velocidade e infraestrutura inadequada são fatores de risco, embora os dados gerais não permitam determinar as causas individuais de cada acidente.
O que diz a Prefeitura de São Paulo?
Procurada para comentar os números, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), afirmou que mantém ações permanentes de fiscalização, educação e prevenção de acidentes.
Entre as iniciativas citadas está a Faixa Azul, sinalização destinada à circulação de motocicletas que atualmente soma 232,7 quilômetros distribuídos por 46 vias da capital.
Segundo a CET, estudos apontam redução de 26,6% na taxa de severidade dos acidentes envolvendo motociclistas que utilizam a sinalização.
A prefeitura também destacou a criação do curso gratuito “Motociclista Seguro”, iniciado em outubro, com orientações sobre técnicas de pilotagem e prevenção de acidentes.
Segurança dos motociclistas segue como desafio
Além das ações educativas, a CET afirma realizar fiscalização em pontos considerados críticos, monitoramento de acidentes e intervenções para melhorar a segurança de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
Entre as medidas estão áreas com limite de velocidade de 30 km/h, melhorias em travessias de pedestres e espaços de espera para motocicletas nos semáforos.
Os dados de 2026 ainda podem sofrer alterações, já que vítimas de acidentes graves ocorridos em setembro podem morrer posteriormente e passar a integrar as estatísticas.
O crescimento das mortes reforça a necessidade de medidas de prevenção e de atenção aos diferentes usuários das vias, especialmente motociclistas, que representam uma parcela significativa das vítimas fatais do trânsito de São Paulo.