Benfica reduz presença de brasileiros no elenco e mudança revela nova estratégia de contratações

Clube português, que já contou com nomes como Luisão, Jonas e David Luiz, tem apenas um brasileiro no grupo principal; concorrência europeia e investimento na base ajudam a explicar a transformação.
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O Benfica, um dos clubes europeus mais conhecidos por contratar jogadores brasileiros, vive uma mudança significativa em seu elenco. Na temporada 2026/27, a equipe portuguesa conta com apenas um atleta do Brasil no grupo principal: o zagueiro Gabriel Índio, contratado após se destacar pelo Athletic, de Minas Gerais, na Série B do Campeonato Brasileiro.

A redução chama atenção pela relação histórica entre o Benfica e o futebol brasileiro. Durante décadas, o clube de Lisboa apostou em atletas do país tanto para reforçar o time quanto para desenvolver talentos que posteriormente seriam negociados com outras equipes europeias.

Agora, a combinação de concorrência internacional, valorização das promessas brasileiras e investimentos nas categorias de base ajuda a explicar por que o Benfica passou a buscar jogadores em mercados cada vez mais diversificados.

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Por que o Benfica tem cada vez menos jogadores brasileiros?

Um dos principais motivos está na transformação do mercado de transferências. O Benfica construiu parte de sua estratégia de contratações identificando jovens brasileiros com potencial para se destacar no futebol europeu.

Durante muitos anos, o clube português conseguiu contratar esses jogadores antes que seus valores de mercado aumentassem significativamente. A proximidade linguística e os vínculos históricos entre Brasil e Portugal também contribuíram para esse movimento.

Entretanto, o cenário mudou. Clubes de campeonatos financeiramente mais fortes, especialmente da Premier League, na Inglaterra, e de LaLiga, na Espanha, intensificaram a busca por jovens talentos brasileiros.

Com mais concorrentes interessados nos mesmos atletas, as negociações ficaram mais disputadas e os valores exigidos pelos clubes brasileiros aumentaram.

Diante dessa realidade, o Benfica passou a diversificar suas contratações e ampliar a atenção a outros mercados internacionais.

Gabriel Índio é o único brasileiro do elenco principal

O zagueiro Gabriel Índio representa atualmente a presença brasileira no grupo principal do Benfica.

Gabriel Índio é o único jogador brasileiro do elenco principal do Benfica na temporada 2026/27.

O defensor ganhou destaque atuando pelo Athletic, de Minas Gerais, na Série B do Campeonato Brasileiro, antes de ser contratado pelo clube português em uma negociação estimada em aproximadamente R$ 25 milhões.

Sua chegada interrompeu um período incomum na história recente do Benfica. Na temporada anterior, o clube voltou a disputar uma campanha sem jogadores brasileiros no elenco principal, algo que não acontecia desde a década de 1980.

Apesar de fazer parte do grupo comandado por Marco Silva, Gabriel Índio ainda busca conquistar espaço na equipe titular.

Benfica já teve 13 brasileiros em uma única temporada

A redução fica ainda mais evidente quando se observa a evolução do elenco ao longo dos últimos anos.

Na temporada 2009/10, primeira passagem de Jorge Jesus pelo comando da equipe, o Benfica chegou a reunir 13 jogadores brasileiros.

Na temporada 2009/10, o Benfica chegou a contar com 13 jogadores brasileiros no elenco, marcando uma época de forte presença do Brasil no clube português.

Em 2020/21, eram nove. Na temporada seguinte, o número caiu para sete, quantidade mantida em 2022/23.

A presença diminuiu novamente para cinco atletas em 2023/24 e três em 2024/25.

A saída de Arthur Cabral para o Botafogo, em 2025, encerrou a sequência de temporadas com pelo menos um brasileiro no grupo principal, iniciada após 1983/84.

A chegada de Gabriel Índio na atual temporada recuperou essa presença, mas em uma proporção muito menor do que a registrada no passado.

Investimento na base também mudou o planejamento do Benfica

Além da concorrência por jogadores brasileiros, outro fator importante é o fortalecimento das categorias de base.

O Benfica passou a investir de maneira consistente na formação de atletas, criando alternativas para abastecer a equipe principal sem depender exclusivamente de contratações internacionais.

O trabalho de desenvolvimento revelou jogadores que posteriormente ganharam projeção em grandes clubes europeus.

Entre os principais exemplos estão João Félix, Bernardo Silva, Rúben Dias e João Neves.

A formação desses atletas demonstra a capacidade do clube de desenvolver jogadores competitivos e, ao mesmo tempo, gerar receitas com futuras transferências.

Com uma estrutura de base consolidada, o Benfica consegue equilibrar melhor a utilização de jovens formados internamente com a contratação de reforços estrangeiros.

Clube português passou a buscar jogadores de outras nacionalidades

A diversificação das contratações também ajuda a explicar a diminuição da presença brasileira.

O elenco atual conta com atletas de diferentes regiões, incluindo países da Escandinávia, do Leste Europeu e da América do Sul.

Fredrik Aursnes e Andreas Schjelderup, da Noruega, Georgiy Sudakov, da Ucrânia, e Jakub Kaminski, da Polônia, estão entre os exemplos dessa estratégia.

A presença desses jogadores mostra que o Benfica não deixou de investir no mercado internacional, mas ampliou sua rede de observação e recrutamento.

A mudança permite ao clube analisar diferentes perfis técnicos e financeiros antes de realizar contratações.

Brasileiros marcaram a história do Benfica

Apesar da redução recente, jogadores brasileiros continuam ocupando um espaço importante na história do Benfica.

O zagueiro Luisão é um dos maiores exemplos dessa relação. Contratado em 2003, permaneceu no clube até 2018 e se tornou uma referência de liderança, conquistando diversos títulos nacionais.

O zagueiro Luisão marcou época no Benfica, onde atuou por 15 anos, conquistou títulos e se tornou um dos maiores ídolos brasileiros do clube.

O atacante Jonas também marcou época. Com atuações decisivas e grande capacidade de finalização, tornou-se um dos principais nomes ofensivos do clube na década passada.

Outros jogadores, como David Luiz, Ederson, Mozer, Ricardo Gomes, Valdo e Aldair, também construíram trajetórias importantes com a camisa encarnada.

Esses nomes ajudaram a fortalecer a ligação entre o Benfica e o futebol brasileiro, que se manteve por décadas como uma das principais fontes de reforços do clube.

Benfica enfrenta o Omonia pela Europa League

A discussão sobre o novo perfil do elenco acontece em meio aos compromissos do Benfica na Europa League.

Nesta quinta-feira (22), a equipe portuguesa enfrenta o Omonia Nicosia, do Chipre, pela competição continental.

O brasileiro Gabriel Índio integra o grupo, mas não é apontado como provável titular para o confronto.

A partida terá transmissão com imagens e narração em português pelo canal CNN Esportes no YouTube, em parceria com a Itatiaia, com programação a partir das 15h45 (horário de Brasília).

O duelo representa mais uma oportunidade para observar a atual composição do Benfica, que tenta manter sua competitividade europeia com um elenco formado por jogadores de diferentes nacionalidades.

A presença reduzida de brasileiros não significa necessariamente o fim das contratações no país, mas evidencia uma mudança no planejamento esportivo e financeiro de um clube historicamente ligado ao futebol do Brasil.

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