Carga de R$ 2,5 milhões é furtada em Guarulhos e aparece à venda na internet

Câmeras flagraram movimentação irregular de placas de vídeo no aeroporto; três funcionários terceirizados são suspeitos de envolvimento e Polícia Federal deve assumir a investigação.
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Uma carga de placas de vídeo avaliada em R$ 2,5 milhões foi furtada do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, e parte dos equipamentos acabou anunciada em uma plataforma de vendas na internet. Três funcionários de uma empresa terceirizada são suspeitos de envolvimento no crime, ocorrido em 21 de setembro. Imagens de câmeras de segurança ajudaram a esclarecer como a mercadoria deixou o terminal.

O carregamento, importado dos Estados Unidos pela distribuidora de tecnologia Oderço, de Maringá (PR), continha placas de vídeo GeForce RTX 5090, utilizadas em computadores de alto desempenho e aplicações de inteligência artificial. Segundo informações publicadas pelo UOL nesta quinta-feira (22), a carga foi retirada do Terminal de Cargas (TECA) sem a autorização operacional necessária.

O caso havia sido divulgado inicialmente como desaparecimento de mercadoria. Agora, os registros de segurança e as informações reunidas pela Polícia Civil apontam para uma ação envolvendo funcionários que tinham acesso à área de armazenamento. A Polícia Federal deve assumir as investigações.

Carga de placas de vídeo avaliada em R$ 2,5 milhões desaparece no Aeroporto de Guarulhos

Câmeras mostram como carga milionária saiu do aeroporto

De acordo com o boletim de ocorrência, dois operadores de empilhadeira de uma empresa terceirizada movimentaram o carregamento sem que houvesse autorização registrada nos sistemas internos do aeroporto.

Os funcionários teriam levado o pallet até uma área próxima às docas de liberação de mercadorias. Em seguida, um terceiro trabalhador, que exercia a função de conferente, teria autorizado a saída da carga no sistema eletrônico.

A movimentação permitiu que os equipamentos fossem colocados em um caminhão Volkswagen, que deixou as dependências do terminal. As câmeras registraram o veículo e sua placa, informações que podem auxiliar na identificação dos envolvidos e no rastreamento da mercadoria.

Segundo a Polícia Civil, o carregamento descrito no boletim de ocorrência pesava 423,6 quilos e estava acondicionado em dois volumes de papelão sobre um pallet.

Placas furtadas foram encontradas à venda na internet

Um dos detalhes que ajudaram a esclarecer o caso foi a identificação de equipamentos anunciados em uma plataforma de comércio eletrônico.

Durante a apuração, policiais encontraram anúncios de placas de vídeo que apresentavam características da carga desaparecida. As imagens publicadas pelos vendedores exibiam uma etiqueta de liberação utilizada quando os produtos ainda estavam armazenados no aeroporto.

O detalhe ajudou a estabelecer uma ligação entre os itens anunciados e o carregamento furtado.

Uma das placas foi anunciada por aproximadamente R$ 32 mil, segundo informações divulgadas sobre o caso. Os equipamentos pertencem à linha RTX 5090, da Nvidia, considerada de alto desempenho e procurada tanto por jogadores quanto por empresas que trabalham com processamento de dados e inteligência artificial.

O valor de R$ 2,5 milhões corresponde ao custo estimado da mercadoria para a distribuidora. O preço total de revenda poderia ser diferente, dependendo da quantidade e das configurações dos equipamentos.

Empresa denunciou desaparecimento e cobrou explicações

A distribuidora Oderço tornou público o desaparecimento após não conseguir localizar os produtos no aeroporto.

O presidente da empresa, Oderço Matos, afirmou que a companhia atua há mais de 38 anos no mercado de tecnologia e nunca havia enfrentado uma situação semelhante em suas operações de importação.

“Eu gostaria de saber onde elas estão. Dois pallets não somem sozinhos dentro de um aeroporto internacional.”

A declaração foi feita pelo empresário em um vídeo divulgado nas redes sociais, quando ainda não havia esclarecimento público sobre a retirada da mercadoria.

Segundo a empresa, os equipamentos chegaram ao Brasil em 20 de setembro. A documentação de trânsito aduaneiro foi registrada em 24 de setembro e aprovada pela Receita Federal no dia seguinte.

A investigação, entretanto, aponta que a retirada irregular teria ocorrido em 21 de setembro, antes da conclusão desses procedimentos.

O que diz a administração do Aeroporto de Guarulhos?

A GRU Airport, concessionária responsável pela administração do aeroporto, informou que a apuração das circunstâncias do desaparecimento está sob responsabilidade das autoridades competentes.

“A apuração dos fatos está sob responsabilidade das autoridades competentes para esclarecer as circunstâncias do ocorrido.”

Anteriormente, a concessionária havia informado que comunicou o desaparecimento aos órgãos responsáveis e orientou a distribuidora sobre os procedimentos para solicitar indenização.

A empresa também afirmou que seu departamento jurídico acompanharia o caso e que mantinha contato com representantes da importadora.

Polícia Federal deve assumir investigação

O furto foi registrado na Delegacia de Atendimento ao Turista (Deatur), no Aeroporto de Guarulhos, em 24 de setembro, três dias depois da movimentação irregular apontada pela investigação.

A expectativa é que a Polícia Federal assuma a apuração, que deverá buscar esclarecer a participação dos suspeitos, identificar os responsáveis pelo transporte e descobrir o destino dos equipamentos.

Até a divulgação das informações, não havia confirmação sobre prisões relacionadas ao caso nem sobre a recuperação integral da carga.

Também não foram divulgados detalhes conclusivos sobre a participação do motorista do caminhão ou a identidade das pessoas responsáveis pelos anúncios na internet.

O caso levanta questões sobre os procedimentos de controle e segurança do maior aeroporto do Brasil, especialmente na movimentação de cargas de alto valor. A investigação deverá esclarecer como os produtos conseguiram deixar o terminal e se houve participação de outras pessoas.

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