A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) escalou o ex-procurador da República Deltan Dallagnol para analisar os documentos de sigilo bancário, fiscal e telefônico que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu apresentar nesta quinta-feira (22). A movimentação ocorre a três dias do segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo informações divulgadas pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, Dallagnol deve comparecer pessoalmente à sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para examinar o material apresentado pelo petista.
O ex-procurador estará acompanhado da advogada Maria Cláudia Bucchianeri, responsável pela equipe jurídica da campanha de Flávio, e de Fábio Portela, assessor de imprensa do candidato.
LEIA TAMBÉM
Deltan Dallagnol vai analisar documentos de Lula no TSE
A escolha de Deltan Dallagnol coloca um dos principais nomes da Operação Lava Jato no centro da disputa eleitoral envolvendo a abertura dos sigilos dos candidatos à Presidência.
O ex-procurador ganhou projeção nacional durante as investigações da Lava Jato, que apuraram esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo agentes públicos e empresas.
Eleito senador pelo Paraná nas eleições de 2026, Dallagnol foi escolhido pela campanha de Flávio para participar da análise dos documentos que Lula se comprometeu a apresentar.
Até o momento, a participação anunciada é uma iniciativa da campanha do PL. Não há confirmação de que o TSE tenha atribuído a Dallagnol uma função oficial de auditoria ou autorizado acesso irrestrito a informações protegidas.
Flávio condiciona entrega dos próprios sigilos aos documentos de Lula
A decisão de escalar Dallagnol ocorre em meio ao impasse entre as campanhas sobre quem deve apresentar primeiro os dados bancários, fiscais e telefônicos.
Flávio Bolsonaro afirma que está disposto a abrir seus sigilos, mas exige que Lula entregue inicialmente as informações prometidas.
A campanha do candidato do PL argumenta que a divulgação deve incluir não apenas os dados pessoais do presidente, mas também informações relacionadas a familiares, empresas e pessoas próximas ao governo.
Na quarta-feira (21), Flávio apresentou uma série de exigências para aceitar a abertura dos próprios dados.
Entre os pedidos estão informações sobre gastos da Presidência, registros relacionados à primeira-dama Janja, empresas de familiares de Lula e dados do ex-assessor presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
As exigências fazem parte da estratégia apresentada pela defesa do senador e não representam comprovação de irregularidades envolvendo as pessoas citadas.
Desafio começou durante debate presidencial
A disputa pela abertura dos sigilos começou durante o debate presidencial promovido pela Band, no domingo (18).
Na ocasião, Lula desafiou Flávio Bolsonaro a divulgar informações bancárias e telefônicas, propondo que os dois candidatos apresentassem os dados de suas famílias.
Na terça-feira (20), o presidente protocolou no TSE um pedido para viabilizar a divulgação de informações financeiras, fiscais e telefônicas, condicionando a medida à autorização equivalente do adversário.
A documentação apresentada pela defesa de Lula também menciona familiares e empresas vinculadas aos candidatos.
Flávio respondeu com exigências adicionais e afirmou que somente apresentaria seus documentos depois que o petista cumprisse as condições estabelecidas por sua campanha.
Sigilos ainda não foram efetivamente divulgados
Apesar das declarações dos candidatos, a apresentação de pedidos e autorizações não significa que os sigilos tenham sido efetivamente abertos ao público.
O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, foi designado relator do pedido apresentado por Lula.
A divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas depende de procedimentos legais e de autorizações válidas dos titulares ou de decisões das autoridades competentes.
Também não há confirmação, até a publicação desta matéria, de que Dallagnol já tenha examinado os documentos ou identificado qualquer irregularidade.
Disputa ocorre a três dias do segundo turno
A movimentação das campanhas acontece na reta final da eleição presidencial, cujo segundo turno está marcado para domingo (25).
Lula e Flávio Bolsonaro também têm um debate previsto para sexta-feira (23), na TV Globo, em meio à troca de cobranças sobre transparência financeira.
Enquanto a campanha petista defende a divulgação recíproca das informações, a equipe de Flávio exige que os dados apresentados pelo presidente sejam analisados antes da entrega dos documentos do senador.
A participação de Deltan Dallagnol acrescenta um novo personagem ao confronto, mas o avanço da divulgação dos sigilos ainda depende das medidas efetivamente adotadas pelas campanhas e dos encaminhamentos da Justiça Eleitoral.