O cantor e compositor Rubel ganhou repercussão nas redes sociais após a retirada do áudio de “Grão de Areia”, parceria com Xande de Pilares, de um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A gravação reúne relatos de moradores da Bahia que criticam problemas relacionados ao custo de vida e ao acesso a serviços públicos.
O parlamentar afirmou que Rubel teria acionado a gravadora Sony Music Brasil para solicitar a remoção da música. A Meta, responsável pelo Instagram, confirmou que o áudio foi indisponibilizado após uma reivindicação de direitos autorais, mas não identificou publicamente quem apresentou o pedido. O episódio provocou discussões sobre o uso de músicas em conteúdos políticos durante a campanha eleitoral.
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Quem é Rubel?
Rubel Brisolla Rodrigues, conhecido artisticamente como Rubel, nasceu em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. O cantor integra a nova geração da música popular brasileira e combina referências de MPB, folk, indie e outros estilos em suas composições.
O artista começou a estudar violão ainda na infância e teve contato com a música durante os anos escolares. Mais tarde, estudou Cinema e passou um período nos Estados Unidos, onde retomou o interesse pela composição e desenvolveu parte do repertório que daria origem ao primeiro álbum.

Álbum independente impulsionou a carreira
Rubel lançou “Pearl” em 2013, de forma independente, disponibilizando o álbum gratuitamente na internet. O trabalho ajudou a apresentar sua música a um público maior e abriu caminho para o reconhecimento nacional.
Uma das canções mais conhecidas do artista é “Quando Bate Aquela Saudade”, que ampliou sua popularidade nas plataformas digitais e passou a integrar trilhas audiovisuais. A faixa tornou-se uma referência de sua trajetória musical.
Depois de “Pearl”, o cantor lançou outros projetos, entre eles “Casas”, em 2018, e “As Palavras”, em 2023. Em 2025, apresentou o álbum “Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso?”. Ao longo da carreira, Rubel também recebeu indicações ao Grammy Latino e colaborou com artistas de diferentes vertentes da música brasileira.
Como começou a polêmica com Nikolas Ferreira?
A controvérsia surgiu após Nikolas publicar no Instagram um vídeo com o título “O Nordeste que foi esquecido”. A gravação apresenta depoimentos de moradores da Bahia sobre dificuldades cotidianas, incluindo acesso a medicamentos, saneamento, segurança e oportunidades de emprego.
O vídeo utilizava uma versão instrumental de “Grão de Areia”, música gravada por Rubel com Xande de Pilares e participação de Mestrinho. Após a retirada do áudio, Nikolas acusou o cantor de ter solicitado a remoção por meio da gravadora e criticou publicamente a atitude atribuída ao artista.
O deputado apresentou o episódio como uma tentativa de silenciar os participantes do vídeo. Essa interpretação, porém, é uma declaração do parlamentar. A confirmação pública da Meta foi de que a retirada ocorreu em razão de uma solicitação de direitos autorais, sem revelar a identidade de quem a apresentou.

O que se sabe sobre os direitos autorais da música?
O caso também chamou atenção para a diferença entre interpretar uma canção e deter os direitos necessários para autorizar seu uso em outros conteúdos. Xande de Pilares esclareceu que, como intérprete, não cabe a ele autorizar a utilização da composição em publicações digitais; essa autorização depende dos titulares dos direitos autorais.
Em plataformas como o Instagram, conteúdos que utilizam músicas protegidas podem ter o áudio restringido ou removido após uma reivindicação de direitos autorais. A utilização de uma faixa como trilha sonora de um vídeo político não garante, por si só, que o uso esteja autorizado.
A remoção da música também não significa necessariamente que o conteúdo visual tenha sido apagado. No caso em questão, a publicação continuou circulando sem o áudio original, segundo informações divulgadas durante a repercussão.
Rubel se pronunciou sobre a acusação?
Até as informações publicadas nas reportagens consultadas, Rubel e a Sony Music Brasil não haviam divulgado um esclarecimento público detalhado sobre o pedido de retirada. O espaço para manifestações dos envolvidos permanecia aberto nas apurações jornalísticas.
Sem um posicionamento público do cantor e sem a identificação do solicitante pela Meta, é importante distinguir a acusação feita por Nikolas das informações confirmadas pela plataforma.
Polêmica amplia debate sobre música e política
O episódio colocou em discussão os limites do uso de obras musicais em campanhas e publicações políticas. De um lado, Nikolas criticou a retirada do áudio e associou a medida à liberdade de expressão. De outro, a situação envolve regras de propriedade intelectual e a autorização para utilizar uma obra em determinado contexto.
O caso mostra como músicas conhecidas podem se tornar parte de disputas políticas nas redes sociais. Também reforça a importância de verificar os direitos de uso antes de incorporar trilhas protegidas a vídeos de campanha, independentemente da mensagem transmitida pela publicação.