O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) prometeu manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação caso seja eleito. A declaração foi feita durante o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23), quando o senador também criticou a carga tributária e o custo de vida no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante o confronto, Flávio afirmou que pretende preservar o poder de compra dos trabalhadores e negou que faria ajustes nas contas públicas à custa da população de baixa renda. A promessa ocorre em meio à discussão sobre as propostas econômicas dos candidatos, a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais.
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Flávio promete manter salário mínimo acima da inflação
Durante o debate, Flávio Bolsonaro afirmou que não pretende interromper a política de valorização real do salário mínimo, que garante reajustes superiores à inflação.
O senador declarou que pretende reorganizar a economia brasileira para recuperar o poder de compra dos consumidores, especialmente das famílias de menor renda.
“Não vou fazer economia em cima dos mais pobres, mas vou organizar essa economia para devolver o seu poder de compra”, afirmou.
A promessa representa a manutenção de uma política retomada pelo governo Lula em 2023, que prevê a correção do salário mínimo pela inflação, acrescida de ganho real conforme as regras estabelecidas na legislação.
Em 2026, o salário mínimo nacional é de R$ 1.621. O valor incorpora um reajuste real, ou seja, um aumento que supera a variação dos preços medida pelo índice de inflação utilizado no cálculo.
Senador critica impostos e poder de compra
Apesar de defender a continuidade dos aumentos reais do salário mínimo, Flávio Bolsonaro criticou a política econômica do governo federal e afirmou que os impostos reduzem os benefícios recebidos pela população.
O candidato declarou que o valor do salário mínimo não pode ser analisado isoladamente, sem considerar o custo dos alimentos, dos serviços e de outros produtos essenciais.
Durante uma das intervenções, Flávio utilizou uma provocação dirigida a Lula para questionar a tributação sobre o consumo.
“Não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”, disse o senador.
A fala ocorreu durante a discussão sobre medidas de apoio à população e o impacto das políticas econômicas sobre o orçamento doméstico.
Bolsa Família também entra no debate
Flávio Bolsonaro também questionou o poder de compra dos beneficiários do Bolsa Família e afirmou que o valor de R$ 600 permite adquirir menos alimentos atualmente.
O candidato comparou o cenário econômico com o período em que seu pai, Jair Bolsonaro (PL), ocupava a Presidência da República.
Segundo o senador, a alta dos preços compromete a capacidade de consumo das famílias, mesmo quando os benefícios sociais são mantidos.
Flávio citou ainda a redução da quantidade de produtos em determinadas embalagens, como chocolates e sabão em pó, para ilustrar suas críticas ao custo de vida.
Entretanto, o candidato não apresentou, durante essa argumentação, dados que demonstrassem uma relação direta entre as mudanças nas embalagens e medidas específicas do atual governo.
O que significa reajustar o salário mínimo acima da inflação?
O reajuste real do salário mínimo acontece quando o aumento concedido aos trabalhadores supera a inflação acumulada no período utilizado como referência.
Na prática, isso significa que o piso salarial não apenas acompanha a elevação dos preços, mas também recebe um acréscimo destinado a ampliar o poder de compra.
A atual política de valorização foi retomada pelo governo Lula em 2023. Pelas regras vigentes, o cálculo considera a inflação e o crescimento econômico, respeitando os limites estabelecidos pela legislação fiscal.
A Constituição determina a preservação do poder de compra do salário mínimo, mas reajustes acima da inflação dependem da política definida pelo governo e aprovada na legislação.
Flávio já havia defendido manutenção dos reajustes
A promessa apresentada no debate não é inédita na campanha de Flávio Bolsonaro.
Em entrevistas anteriores, o candidato afirmou que manteria os reajustes reais do salário mínimo e que não pretendia desvincular os benefícios previdenciários do piso nacional.
O senador também declarou que preservaria os investimentos mínimos obrigatórios em saúde e educação.
Apesar dessas afirmações, a campanha ainda não detalhou integralmente qual fórmula utilizaria para calcular os aumentos reais do salário mínimo durante um eventual mandato.
A definição é relevante porque a política salarial influencia não apenas os rendimentos dos trabalhadores, mas também benefícios previdenciários e despesas do orçamento federal.
Debate acontece na reta final do segundo turno
O confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorre dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
O debate da Globo é o último encontro televisionado previsto entre os candidatos antes da votação.
Durante a campanha, a economia, os impostos, a valorização do salário mínimo e os programas sociais se tornaram temas recorrentes nas discussões sobre as propostas para o próximo governo.
Os eleitores decidirão nas urnas qual dos dois candidatos ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos.