O homem investigado por ameaçar de morte o delegado Matheus Zanatta, no Piauí, gravou um vídeo de retratação e afirmou que estava alcoolizado quando enviou as mensagens. Identificado como Carlos Lailson, ele compareceu à Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-PI) após ser alvo de uma operação policial realizada na quarta-feira (21), em Teresina.
Nas mensagens enviadas em 26 de setembro, o suspeito teria afirmado que estava armado e desafiado o delegado para uma troca de tiros. Após a identificação e a ação policial, Carlos pediu desculpas e disse estar arrependido. A retratação, entretanto, não encerra automaticamente a investigação.
Homem pede desculpas após ameaçar delegado no Piauí
O vídeo foi divulgado nesta sexta-feira (23). Nele, Carlos Lailson reconhece o comportamento e atribui as mensagens ao consumo de bebida alcoólica.
“Estava alcoolizado. E hoje estou aqui na Secretaria de Segurança para me retratar pelo ocorrido”, afirmou o investigado.
Ele também declarou que espera aprender com o episódio e que não pretende repetir a conduta.
O delegado Matheus Zanatta é superintendente de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública do Piauí e atua na coordenação de investigações e ações policiais no estado.
Suspeito desafiou delegado para troca de tiros
Segundo a investigação, as ameaças foram enviadas por meio de uma rede social no dia 26 de setembro.
Nas mensagens, o suspeito utilizou palavras ofensivas, afirmou que possuía uma arma de fogo e chegou a indicar um endereço para um possível confronto.
Entre os trechos divulgados pelas autoridades está a frase: “Oitão tá topado pra nós troca tiro”.
Em outra mensagem, o investigado desafiou o delegado a comparecer ao local indicado.
A gravidade do conteúdo levou a Superintendência de Operações Integradas a iniciar um trabalho de identificação do responsável pelos contatos.
Polícia cumpriu mandados em dois bairros de Teresina
Na quarta-feira (21), equipes da Secretaria de Segurança Pública cumpriram mandados de busca e apreensão nos bairros Pedra Mole e Planalto Ininga, na zona Leste de Teresina.
As ordens foram autorizadas pela Central de Inquéritos da capital após a apresentação dos elementos reunidos pela investigação.
Durante as diligências, os policiais apreenderam um aparelho celular que deverá ser analisado para esclarecer a origem e as circunstâncias das mensagens.
A investigação utilizou informações digitais e cruzamento de dados para identificar o suspeito e localizar endereços associados a ele.
Investigado já havia sido citado em outra denúncia de ameaça
Durante a apuração, os policiais localizaram um boletim de ocorrência anterior no qual Carlos Lailson era apontado como suspeito de ameaçar ex-empregadores e funcionários de um estabelecimento onde havia trabalhado.
Segundo o registro, as ameaças também teriam incluído referências ao uso de arma de fogo.
Esse episódio anterior é considerado pelas autoridades como parte do histórico investigativo, mas não representa, por si só, uma condenação criminal.
Embriaguez não afasta automaticamente responsabilidade criminal
A alegação de que estava alcoolizado faz parte da versão apresentada por Carlos Lailson para explicar o envio das mensagens.
De acordo com o artigo 28 do Código Penal, a embriaguez voluntária ou culposa não exclui a imputabilidade penal.
O crime de ameaça está previsto no artigo 147 da legislação e envolve a promessa de causar a outra pessoa um mal injusto e grave.
A eventual responsabilização dependerá da análise das provas, das circunstâncias do caso e dos procedimentos legais.
O que acontece agora com a investigação?
A Secretaria de Segurança Pública do Piauí informou que as investigações continuam para esclarecer todas as circunstâncias das ameaças e verificar a possível ocorrência de outros crimes.
O delegado Matheus Zanatta afirmou que ameaças não devem interferir no trabalho das forças de segurança e que as medidas adotadas buscaram identificar o responsável e reunir provas.
A polícia também poderá solicitar medidas cautelares à Justiça, conforme o andamento do procedimento.
Apesar do pedido público de desculpas, Carlos Lailson permanece na condição de investigado, e qualquer responsabilização criminal dependerá das decisões das autoridades competentes.