Teste revela desgaste na tela do iPhone Duo após 3 mil dobras e expõe mecanismo

Tomografia mostra funcionamento da dobradiça do primeiro iPhone dobrável da Apple; análise também identifica riscos na tela e aumento do vinco com o uso.
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Um teste realizado com o iPhone Duo, primeiro celular dobrável da Apple, revelou que o vinco na tela interna ficou cerca de 3,5 vezes mais profundo após 3 mil movimentos de abertura e fechamento. A análise, divulgada pelo canal especializado HTX Studio, também utilizou tomografia computadorizada para mostrar o funcionamento da dobradiça e avaliar a resistência do aparelho a arranhões.

Os resultados foram divulgados na semana do lançamento comercial do smartphone, marcado para esta sexta-feira (23). O estudo mostrou que, apesar da estrutura reforçada e das tecnologias desenvolvidas para reduzir as marcas na tela, o dispositivo ainda apresenta alterações físicas após sucessivas dobras.

A equipe examinou uma unidade de avaliação sem desmontá-la, utilizando imagens de tomografia para reconstruir digitalmente os componentes internos. Também foram realizados testes de resistência com lápis de diferentes durezas e medições da profundidade do vinco antes e depois das 3 mil dobras.

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Vinco do iPhone Duo aumenta após 3 mil dobras

Um dos principais resultados da avaliação envolve a marca formada no centro da tela, exatamente na região em que o aparelho é dobrado.

Antes do teste, o vinco apresentava uma profundidade medida de 48 micrômetros, equivalente a 0,048 milímetro. Depois de 3 mil movimentos de abertura e fechamento, essa medida chegou a 167 micrômetros, aproximadamente 0,167 milímetro.

Teste do iPhone Duo revela aumento do vinco após 3 mil dobras, mostra a dobradiça por tomografia e avalia resistência da tela a riscos.

Isso representa um aumento de cerca de 248% em relação à profundidade inicial, fazendo com que a marca se tornasse aproximadamente 3,5 vezes mais profunda.

O resultado chama atenção porque a Apple apresenta a redução do vinco como uma das principais características do iPhone Duo. A fabricante utiliza uma combinação de materiais flexíveis e acabamento nanotexturizado para diminuir a percepção da dobra durante o uso.

Apesar do aumento registrado, o teste não demonstra que a tela tenha perdido suas funções ou apresentado falha estrutural. A mudança observada foi na profundidade da marca central.

Também é importante considerar que a avaliação foi realizada com uma unidade do aparelho. Portanto, os resultados não permitem afirmar que todos os iPhones Duo apresentarão exatamente o mesmo desgaste.

Tomografia revela como funciona a dobradiça

Para investigar a estrutura do celular, o HTX Studio utilizou um equipamento de tomografia computadorizada, tecnologia que permite visualizar componentes internos sem abrir o dispositivo.

A análise mostrou que a dobradiça reúne mais de 100 componentes, organizados em seis seções funcionais. O conjunto combina engrenagens, molas e peças responsáveis por controlar a resistência durante a abertura e o fechamento.

As engrenagens sincronizam os movimentos das duas metades do smartphone, fazendo com que ambas girem de maneira coordenada. Já as molas e os mecanismos de resistência ajudam a manter o aparelho aberto em diferentes posições.

Segundo as medições apresentadas pelo HTX Studio, o iPhone Duo consegue permanecer aberto em ângulos intermediários, entre aproximadamente 15 e 165 graus. Isso permite apoiar o celular parcialmente dobrado sobre uma superfície para assistir a vídeos ou realizar outras atividades.

Na região central da dobradiça também existe um espaço destinado à passagem dos cabos flexíveis que conectam os componentes eletrônicos das duas metades.

Outro detalhe identificado foi o espaço reservado para a curvatura da tela quando o dispositivo está fechado. A abertura interna chega a aproximadamente 3,85 milímetros em sua parte mais larga, permitindo que o painel se curve sem formar uma dobra completamente achatada.

Tela resiste a alguns riscos, mas não é imune a arranhões

Além da dobradiça, os pesquisadores avaliaram a resistência da tela interna utilizando lápis com diferentes níveis de dureza.

O procedimento aplicou uma carga constante de 100 gramas sobre a superfície. Com um lápis de dureza 6H, foram identificadas marcas discretas, visíveis principalmente sob iluminação intensa, mas que não podiam ser percebidas pelo toque.

Quando o teste avançou para um lápis 8H, os arranhões ficaram mais evidentes e passaram a ser perceptíveis também com os dedos.

Esses resultados indicam que o revestimento interno oferece alguma resistência a riscos, mas não elimina a possibilidade de danos provocados pelo contato com materiais mais rígidos.

A classificação utilizada no experimento corresponde à dureza de grafites de lápis e não deve ser confundida com a escala de Mohs, empregada para avaliar a resistência de minerais.

O estudo também comparou o desempenho do iPhone Duo com o de outro smartphone dobrável não identificado. Nas condições avaliadas, o modelo da Apple apresentou maior resistência aos riscos.

Apple Pencil também passou por avaliação

A compatibilidade com a Apple Pencil é uma das novidades do primeiro iPhone dobrável. O recurso amplia as possibilidades de utilização da tela interna para anotações, desenhos e atividades profissionais.

Durante os testes, os pesquisadores também pressionaram a caneta digital contra o painel para observar possíveis danos à superfície.

Segundo a avaliação, mesmo com uma força equivalente ao peso de aproximadamente 1,5 quilo, a ponta da Apple Pencil praticamente não deixou marcas visíveis.

O resultado é diferente daquele observado com os lápis de grafite mais rígidos, mas não significa que a tela seja completamente resistente a qualquer tipo de pressão ou contato.

A análise também identificou uma dificuldade prática: quando o aparelho é colocado aberto sobre uma mesa, a saliência do conjunto de câmeras traseiras pode provocar oscilações durante a escrita.

A Apple informa que o iPhone Duo é compatível com a Apple Pencil USB-C. A liberação completa dos recursos de utilização da caneta está prevista para uma atualização de software ainda em 2026.

Estrutura de titânio busca aumentar a resistência

O iPhone Duo utiliza uma estrutura de titânio grau 5, incluindo a proteção externa da dobradiça. O material foi escolhido para oferecer resistência mecânica sem comprometer o formato fino do dispositivo.

A fabricante também adotou revestimento resistente a arranhões na tela interna, Ceramic Shield nas superfícies externas e certificação IP68 de resistência à água e à poeira.

Essas características representam parte da estratégia da Apple para enfrentar um dos principais desafios dos smartphones dobráveis: conciliar telas flexíveis com resistência ao desgaste provocado pelo uso diário.

Mesmo assim, a certificação contra água e poeira não garante proteção absoluta, e a resistência pode diminuir com o desgaste natural do aparelho.

Quanto custa o iPhone Duo no Brasil?

O primeiro smartphone dobrável da Apple chega ao mercado brasileiro com preço inicial de R$ 21.999, na versão de 256 GB.

A configuração de 512 GB custa R$ 23.499, enquanto a opção de 1 TB é comercializada por R$ 26.499. A versão mais cara, com 2 TB de armazenamento, chega a R$ 30.999.

O aparelho foi apresentado em setembro e teve a pré-venda iniciada em 16 de outubro. A procura inicial provocou atrasos nas estimativas de entrega em alguns mercados internacionais.

O lançamento oficial está previsto para esta sexta-feira (23), embora a disponibilidade imediata possa variar conforme o estoque e a configuração escolhida.

O que os testes significam para os consumidores?

A avaliação do HTX Studio ajuda a explicar como a Apple desenvolveu o mecanismo de abertura do iPhone Duo e quais limitações ainda existem na tecnologia de telas dobráveis.

O aumento da profundidade do vinco após 3 mil dobras mostra que a superfície pode sofrer alterações com o uso, mesmo quando o aparelho incorpora materiais e mecanismos projetados para reduzir esse efeito.

Por outro lado, os testes também identificaram resistência a determinados níveis de pressão e arranhões, além de um sistema de dobradiça capaz de manter o smartphone em diferentes posições.

Ainda não é possível determinar, com base nesse experimento, como a tela se comportará depois de meses ou anos de utilização cotidiana. Avaliações prolongadas e testes com diferentes unidades serão necessários para estabelecer conclusões mais amplas sobre a durabilidade do primeiro iPhone dobrável da Apple.

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