Uma pintura de Claude Monet que permaneceu por décadas longe dos olhos do público foi vendida por 50 milhões de euros, aproximadamente R$ 282 milhões, em um leilão realizado na quinta-feira (22), em Paris. A obra, intitulada “Íris”, tornou-se a mais cara já arrematada em um leilão na França.
A venda aconteceu na Sotheby’s e mobilizou colecionadores internacionais. A disputa durou cerca de 45 minutos e terminou com a aquisição da pintura por um colecionador asiático, cuja identidade não foi divulgada.
O resultado superou as expectativas da casa de leilões. Antes da venda, a tela estava avaliada entre 22 milhões e 30 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 124 milhões e R$ 170 milhões.
LEIA TAMBÉM
PF faz operação no Alto da Boa Vista para recuperar pintura peruana do século XVII
Quadro de Monet supera recorde histórico na França
A venda de “Íris” estabeleceu um novo recorde para o mercado francês de leilões de arte.
Até então, a maior quantia registrada no país havia sido alcançada em 2010, quando a obra “Cabeça de Cariátide”, de Amedeo Modigliani, foi vendida por 43,2 milhões de euros.
Com os 50 milhões de euros pagos pela pintura de Monet, o recorde anterior foi superado em 6,8 milhões de euros.
A disputa ocorreu por telefone e envolveu seis interessados, segundo informações divulgadas pela agência Reuters.
O valor final também ficou consideravelmente acima da estimativa máxima estabelecida pela Sotheby’s antes do leilão.

Obra ficou escondida do público durante décadas
Um dos aspectos mais surpreendentes da venda é a história da pintura.
“Íris” fazia parte da coleção particular da família Schlumberger, ligada a uma tradicional dinastia de industriais franceses.
A obra havia sido adquirida pela colecionadora Jeanne Schlumberger diretamente da família de Claude Monet.
Desde então, permaneceu em uma mansão particular em Paris, sem ser apresentada publicamente.
Durante décadas, a pintura era conhecida principalmente por meio de uma fotografia em preto e branco.
Segundo a Sotheby’s, a obra conservava características originais, sem intervenções como aplicação de verniz ou reentelamento.
O que mostra a pintura “Íris”?
A tela retrata flores de íris, um dos elementos presentes nos jardins cultivados por Monet em sua propriedade em Giverny, na França.
A pintura mede aproximadamente 1,60 metro de altura por 1,80 metro de largura e foi produzida nos últimos anos de vida do artista.
Nessa fase, Monet explorava cada vez mais as relações entre luz, cor e natureza, utilizando pinceladas expressivas e composições que se aproximavam da abstração.
Os jardins de Giverny foram uma de suas principais fontes de inspiração e também deram origem a obras célebres da série das ninfeias.

Outras pinturas de Monet também foram leiloadas
A venda recordista aconteceu durante uma semana de negociações de obras do artista francês.
Entre os outros trabalhos comercializados estava “Salgueiro-Chorão”, vendido por aproximadamente 9,6 milhões de euros, cerca de R$ 54 milhões.
Outra pintura, “O Sena em Vernon”, alcançou cerca de 4,2 milhões de euros, equivalentes a R$ 23,7 milhões.
As obras integravam uma série de leilões realizados em Paris durante a semana da feira internacional Art Basel Paris.
Quem foi Claude Monet?
Claude Monet nasceu em Paris, em 1840, e morreu em Giverny, em 1926, aos 86 anos.
É considerado um dos principais representantes do impressionismo, movimento artístico que revolucionou a pintura europeia no século XIX.
Seu trabalho se destacou pela observação da luz natural, pelas variações de cores e pela tentativa de registrar as mudanças de uma paisagem em diferentes momentos.
A pintura “Impressão, Nascer do Sol”, apresentada em 1874, ajudou a dar nome ao movimento impressionista.
Cem anos após a morte do artista, suas obras continuam entre as mais valorizadas do mercado internacional.
O leilão de “Íris” reforça esse reconhecimento e demonstra como pinturas preservadas em coleções particulares ainda podem alcançar valores históricos quando chegam ao mercado.