No 3º bloco, Lula e Flávio trocam acusações sobre bets e segurança pública

Candidatos divergem sobre a responsabilidade pela expansão das apostas on-line; presidente também questiona atuação jurídica de Flávio em caso envolvendo a morte de uma criança
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram uma troca de acusações sobre apostas on-line e segurança pública durante o terceiro bloco do debate presidencial da TV Globo, realizado nesta sexta-feira (23), no Rio de Janeiro. O confronto ocorreu a dois dias do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).

Entre os momentos de maior destaque estiveram as divergências sobre a responsabilidade pela expansão das plataformas de apostas no Brasil e um questionamento de Lula sobre a atuação de Flávio na defesa de um policial militar acusado de envolvimento na morte de uma criança de 5 anos. Os candidatos também discutiram os efeitos das apostas sobre as famílias brasileiras.

 

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Lula defende proibição das bets e cita endividamento das famílias

O presidente Lula defendeu a medida provisória de seu governo voltada à proibição das apostas on-line no Brasil. Durante o debate, o petista afirmou que as plataformas de jogos eletrônicos têm provocado dificuldades financeiras e consequências sociais para parte da população.

Segundo Lula, os gastos com apostas podem comprometer recursos que deveriam ser destinados a necessidades básicas, como alimentação e manutenção das famílias.

“Eu sei que meu adversário não gostou, sei que outras pessoas não gostaram, mas nós acabamos com a bet porque ela está virando um inferno na vida das pessoas”, declarou o presidente.

Lula também mencionou situações de sofrimento psicológico associadas ao vício em jogos e afirmou que o problema pode atingir pessoas que comprometem a renda familiar com apostas.

A declaração foi apresentada pelo presidente como justificativa para a iniciativa do governo. O alcance efetivo da medida depende das disposições legais e de sua aplicação.

 

Flávio chama Lula de “pai do Tigrinho” e critica governo

Flávio Bolsonaro contestou o discurso de Lula e atribuiu ao governo petista responsabilidade pela expansão das plataformas de apostas eletrônicas.

O senador afirmou que o presidente teria permitido o crescimento do setor e que a tentativa de proibição ocorreu às vésperas da eleição presidencial.

“Ele é o pai do Tigrinho, ele é o pai do cassino on-line, ele criou, ele liberou”, declarou Flávio.

O candidato do PL também mencionou Lulinha, filho do presidente, durante a crítica. As afirmações foram feitas no contexto da disputa eleitoral e não constituem, por si só, comprovação de irregularidades atribuídas às pessoas citadas.

Flávio argumentou que a mudança de posição do governo sobre as apostas deveria ser analisada à luz das decisões tomadas anteriormente em relação ao funcionamento do setor.

 

Lula rebate e associa apostas ao governo Bolsonaro

Em resposta, Lula contestou as acusações e afirmou que a origem da expansão das apostas deveria ser relacionada ao período em que Jair Bolsonaro ocupava a Presidência da República.

“O Tigrinho foi criado por você em 2022”, disse o presidente ao adversário.

O petista também mencionou integrantes da família Bolsonaro durante a resposta, em uma troca de acusações sobre a responsabilidade política pelo crescimento das apostas.

A regulamentação do setor envolve diferentes medidas adotadas ao longo dos últimos anos. Por isso, as declarações dos candidatos devem ser compreendidas como posições apresentadas durante o debate, e não como uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade legal pela atividade.

 

Segurança pública entra no confronto após pergunta sobre morte de criança

O debate ganhou outro foco quando Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre sua atuação como advogado de um policial militar acusado de envolvimento na morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A menina morreu em fevereiro de 2021, após ser atingida por um disparo de fuzil durante uma ação policial.

O presidente mencionou que a mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, estava presente na plateia do debate e cobrou explicações do senador sobre sua participação na defesa jurídica do agente.

“O que leva um senador a defender um policial que deu um tiro de fuzil numa menina de 5 anos?”, questionou Lula.

Na sequência, o presidente relacionou o episódio às propostas de segurança pública defendidas pelo adversário.

“Que território é esse? O território da bala?”, perguntou.

A intervenção retomou uma controvérsia que já havia aparecido no debate realizado pela Band, no domingo (18).

 

Entenda a participação de Flávio no processo

Flávio Bolsonaro integrou a defesa jurídica do policial militar Bruno Dias Delaroli, denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pela morte de Ana Clara.

Em 2024, o senador assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para contestar a decisão que determinou o encaminhamento do acusado ao Tribunal do Júri.

O recurso foi negado, e a decisão de submeter o policial a julgamento por jurados foi mantida.

A defesa do agente contesta a versão apresentada pela acusação e sustenta que ele reagiu a uma agressão de criminosos durante o patrulhamento.

Flávio já argumentou publicamente que a atuação de um advogado não significa concordância pessoal com as condutas atribuídas ao cliente.

O policial não havia recebido condenação criminal definitiva nas informações processuais disponíveis sobre o caso. A denúncia e a decisão de levá-lo ao Tribunal do Júri não equivalem a uma sentença condenatória.

 

Terceiro bloco termina com divergências sobre políticas públicas

As discussões sobre apostas eletrônicas e segurança pública concentraram parte do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro no terceiro bloco do debate.

De um lado, Lula defendeu a iniciativa de restringir as apostas e questionou a atuação jurídica do adversário em um caso de morte durante uma ação policial. Do outro, Flávio criticou a condução do governo federal em relação ao setor de apostas e contestou as acusações relacionadas à sua atividade como advogado.

O debate, mediado pelo jornalista César Tralli, é o último encontro televisionado entre os candidatos antes do segundo turno das eleições presidenciais.

A votação está marcada para domingo (25), das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

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