O mercado brasileiro do boi gordo encerrou a sexta-feira (23) com preços firmes e pequenas altas nas principais regiões produtoras. Em São Paulo, a cotação média chegou a R$ 386,25 por arroba, enquanto negócios pontuais na região de Franca alcançaram R$ 400. O movimento reflete a oferta restrita de animais prontos para abate e a necessidade de compra dos frigoríficos.
Segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado, a valorização ocorre de maneira seletiva, sem reajustes generalizados em todas as praças pecuárias. As indústrias trabalham com escalas de abate de cinco a seis dias úteis na maior parte das regiões, período que mantém a procura por novos lotes de bovinos. O setor também acompanha as expectativas de demanda chinesa no último trimestre do ano.
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Arroba chega a R$ 400 em negociações pontuais em São Paulo
Na região de Franca, no interior paulista, foram relatadas operações a R$ 400 por arroba, patamar apontado pela consultoria como uma nova máxima histórica nas negociações acompanhadas.
O analista Allan Maia, da Safras & Mercado, ressalta, entretanto, que esses negócios ainda são isolados e não representam o preço predominante no estado.
A média paulista terminou a sexta-feira em R$ 386,25, acima dos R$ 384,47 registrados no dia anterior.
A diferença representa uma valorização de aproximadamente 0,46% entre as duas referências.
O resultado mostra que o mercado permanece sustentado, mas os preços variam conforme a região, as condições comerciais e a disponibilidade de animais.
Confira as cotações do boi gordo nos principais estados
De acordo com o levantamento da Safras & Mercado, os preços médios da arroba apresentaram os seguintes valores no encerramento de sexta-feira (23):
São Paulo: R$ 386,25 por arroba, ante R$ 384,47 no dia anterior.
Goiás: R$ 371,25 por arroba, ante R$ 370,32.
Minas Gerais: R$ 380,29 por arroba, ante R$ 378,71.
Mato Grosso do Sul: R$ 380,45 por arroba, ante R$ 379,77.
Mato Grosso: R$ 360,81 por arroba, ante R$ 359,26.
Todos os estados acompanhados nesse levantamento apresentaram aumento em relação às referências anteriores.
As diferenças entre as cotações refletem características regionais, como disponibilidade de gado, demanda dos frigoríficos e condições de negociação.
Oferta limitada mantém frigoríficos ativos nas compras
A disponibilidade restrita de bovinos terminados continua sendo um dos principais fatores de sustentação das cotações.
Com escalas de abate concentradas entre cinco e seis dias úteis em grande parte das regiões, os frigoríficos precisam manter negociações frequentes para garantir o abastecimento das unidades industriais.
Quando a oferta de animais é menor, os compradores podem encontrar mais dificuldade para alongar suas programações de abate.
Esse cenário contribui para a manutenção dos preços e favorece reajustes em determinadas praças.
Entretanto, a intensidade das altas depende da demanda e das condições específicas de cada mercado regional.
China permanece no radar dos frigoríficos brasileiros
O setor pecuário também acompanha a possibilidade de maior demanda chinesa por carne bovina durante o último trimestre de 2026.
A China representa um mercado relevante para as exportações brasileiras da proteína.
Uma retomada mais consistente das compras pode influenciar a necessidade de aquisição de bovinos pela indústria exportadora.
Por enquanto, essa perspectiva é tratada como uma expectativa de mercado, e não como confirmação de aumento dos pedidos.
A evolução das negociações internacionais será um dos fatores acompanhados pelos agentes do setor nas próximas semanas.
Carne bovina encerra a semana com preços estáveis no atacado
Enquanto a arroba apresentou pequenas altas, o mercado atacadista de carne bovina terminou a semana sem alterações relevantes nas cotações.
O quarto dianteiro foi negociado a R$ 22,30 por quilo.
O quarto traseiro permaneceu em R$ 29,50 por quilo.
Já a ponta de agulha foi cotada a R$ 21 por quilo.
A menor intensidade do consumo durante a segunda quinzena do mês limita a possibilidade de novos reajustes no atacado.
Além disso, a competitividade da carne de frango e dos cortes suínos influencia as decisões de compra dos consumidores.
Indicador Cepea/Esalq também registra valorização
O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, utilizado como referência no mercado pecuário, fechou a sexta-feira (23) em R$ 381,40 por arroba à vista.
O valor representou uma alta diária de 0,22%.
A referência a prazo em São Paulo chegou a R$ 385,69 por arroba, com valorização de 0,23%.
Esses indicadores possuem metodologias próprias e, por isso, podem apresentar valores diferentes das médias regionais calculadas por consultorias privadas.
A comparação entre as referências ajuda a acompanhar o comportamento do mercado, mas exige atenção às condições de pagamento e às características de cada levantamento.
Dólar encerra a sexta-feira abaixo de R$ 5
No mercado financeiro, o dólar comercial terminou a sexta-feira cotado a R$ 4,9897 para venda, com queda de 0,96%.
Durante a sessão, a moeda norte-americana oscilou entre R$ 4,9887 e R$ 5,0558.
O câmbio é acompanhado pelo setor de proteína animal porque influencia a conversão das receitas obtidas com exportações.
A relação entre dólar, demanda internacional e preços internos, entretanto, depende de diferentes condições de mercado e não ocorre de maneira automática.
Mercado acompanha oferta de animais e ritmo de consumo
Para os próximos dias, os agentes da cadeia pecuária deverão continuar monitorando a disponibilidade de animais terminados, o tamanho das escalas de abate e o comportamento das compras dos frigoríficos.
A evolução do consumo doméstico e da demanda internacional também poderá influenciar as negociações.
Apesar da firmeza observada no fechamento da semana, os reajustes continuam ocorrendo de maneira desigual entre as regiões.
O patamar de R$ 400 por arroba registrado em Franca permanece como referência de negócios pontuais, e não como cotação média do mercado paulista.