Eleitores utilizaram barcos para chegar aos locais de votação no Amazonas neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em áreas onde as estradas não oferecem acesso adequado, os rios são parte fundamental do deslocamento até as seções eleitorais.
Na comunidade do Lago do Catalão, em Iranduba, o eleitor Afonso Alves Neves, de 45 anos, chegou de embarcação para votar, segundo registro divulgado pela agência AFP. A cena evidencia os desafios enfrentados por moradores de localidades amazônicas, onde a distância e as condições de navegação podem tornar o acesso às urnas mais demorado.
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Governo prevê transporte para comunidades tradicionais
O governo federal adotou medidas para viabilizar o deslocamento de indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e famílias assentadas até os locais de votação. O plano prevê transporte terrestre ou fluvial, de acordo com as condições de cada comunidade e a disponibilidade logística.
Quando não for possível disponibilizar diretamente um veículo ou uma embarcação, o plano admite o ressarcimento de despesas, desde que haja autorização prévia e comprovação posterior dos gastos. A iniciativa busca reduzir obstáculos de deslocamento e garantir que moradores de áreas remotas possam exercer o direito ao voto.
Milhares de eleitores dependem de transporte fluvial
Dados apresentados pela
Procuradoria-Geral da República indicam que cerca de 7,2 mil eleitores indígenas dependem de transporte para votar no segundo turno. Desse total, aproximadamente 4.770 precisam se deslocar por via fluvial.
As distâncias, a dispersão das comunidades e as variações no nível dos rios tornam a organização das viagens um desafio logístico. Em algumas localidades, o percurso até a seção eleitoral exige horas de navegação; em outras, pode demandar mais de um meio de transporte.
Justiça Eleitoral mantém controle sobre as operações
As medidas de transporte estão vinculadas a decisões da
Justiça Eleitoral. O presidente do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, autorizou o uso de veículos e embarcações de órgãos federais no transporte de eleitores indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais, dentro do plano logístico aprovado.
A autorização buscou simplificar a organização de deslocamentos previamente planejados, diante do risco de que exigências burocráticas inviabilizassem o atendimento de parte dos eleitores. As viagens, contudo, devem seguir as condições estabelecidas pela Justiça Eleitoral, com rotas e operações sujeitas a controle.
Distância e acesso continuam sendo desafios no Amazonas
O transporte fluvial tem papel central na realização das eleições em diferentes regiões do Amazonas. Em comunidades sem ligação rodoviária ou com acesso terrestre limitado, barcos e outras embarcações são necessários tanto para o deslocamento de eleitores quanto para etapas da logística eleitoral.
Além das longas distâncias, a estiagem pode reduzir o nível dos rios, dificultar a navegação e exigir alterações nos trajetos. Essas condições reforçam a necessidade de planejamento e articulação entre órgãos públicos, Justiça Eleitoral e representantes das comunidades.
A chegada de eleitores de barco neste segundo turno mostra como as características geográficas da Amazônia influenciam o acesso à votação. Para parte da população, o exercício do direito ao voto depende de uma operação de transporte adaptada às condições locais.