A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, pediu ao
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que prorrogue até as 19h deste domingo (25) o horário de votação em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. A solicitação foi apresentada durante o segundo turno das eleições de 2026, após denúncias de redução na circulação de ônibus e dificuldades de deslocamento enfrentadas por eleitores.
O pedido foi encaminhado ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. A federação argumenta que a oferta de transporte público nas três cidades ficou abaixo do previsto para o dia da votação, apesar de haver compromisso de gratuidade e de circulação equivalente à dos dias úteis.
Segundo a representação, a falta de coletivos teria provocado longas esperas em pontos e terminais e impedido parte dos eleitores de chegar às seções eleitorais. A federação pediu a ampliação do horário como medida para permitir que pessoas prejudicadas pela situação ainda pudessem votar.
Até a atualização publicada pelo Metrópoles às 14h16, o pedido ainda dependia de decisão do TSE. A solicitação de prorrogação não significava que o horário de votação já havia sido alterado: o presidente da Corte aguardava informações do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) para avaliar a medida.
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Pedido envolve Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas
A federação solicitou que a votação fosse estendida por mais duas horas nos três municípios. Os advogados sustentam que a redução da oferta de transporte coletivo comprometeu o deslocamento dos eleitores e poderia impedir o exercício do direito ao voto dentro do horário regular.
Em Salvador, a entidade afirmou que a frota em circulação chegou a ficar mais de 50% abaixo do nível esperado. Vídeos e fotografias apresentados à Justiça Eleitoral foram apontados como registros de ônibus estacionados nas garagens durante o período de votação.
Em Feira de Santana e Lauro de Freitas, a federação também relatou coletivos fora de circulação, pontos lotados e períodos prolongados de espera. As informações fazem parte das alegações apresentadas no pedido, que ainda dependia de avaliação da Justiça Eleitoral.
Presidente do TSE aguardava relatório do tribunal baiano
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, informou que aguardaria um relatório do TRE-BA antes de decidir sobre a solicitação. A análise depende das informações sobre as ocorrências registradas, a situação do transporte e os possíveis efeitos sobre o comparecimento dos eleitores.
A eventual extensão do horário exigiria uma decisão expressa da Justiça Eleitoral. Até que houvesse pronunciamento oficial, permanecia válido o horário regular de votação, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, ressalvadas as regras aplicáveis a eleitores que já estivessem na fila no momento do encerramento.
O pedido apresentado pelo PT não alterava automaticamente o funcionamento das seções eleitorais. A definição caberia ao TSE, após examinar os elementos encaminhados pelo tribunal regional e os argumentos da federação.
TRE-BA determinou restabelecimento da frota em Salvador
O problema no transporte de Salvador também levou o presidente do TRE-BA a determinar o restabelecimento imediato de 100% da frota de ônibus da capital. A decisão foi tomada após uma representação da Federação Brasil da Esperança sobre a retenção de veículos nas garagens durante o segundo turno.
Além de exigir a circulação integral dos coletivos, o tribunal determinou que o serviço fosse gratuito e mantivesse frequência e itinerários compatíveis com os dias úteis. A medida deveria continuar até o encerramento da votação e pelo período necessário para o retorno dos eleitores às suas residências.
O TRE-BA também determinou a adoção de providências para fiscalizar o cumprimento da ordem e estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento. A decisão incluiu uma ordem de prisão em flagrante contra o secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza.
Ministério Público encontrou ônibus parados
Durante vistorias em garagens de empresas de transporte coletivo, integrantes do Ministério Público Eleitoral encontraram veículos fora de operação. Em uma das garagens, foram identificados 97 ônibus parados; em outra, 120 veículos estavam sem circulação.
Os registros foram utilizados no contexto das medidas cobradas para normalizar o transporte e garantir que a população pudesse se deslocar até os locais de votação. A fiscalização também buscou esclarecer por que os veículos não estavam nas ruas durante o pleito.
Prefeitura diz que serviço foi normalizado
A Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador afirmou que a operação de transporte público foi normalizada. Segundo a pasta, as interrupções no início da manhã ocorreram após a identificação de adesivos de propaganda eleitoral em ônibus nas garagens.
A Semob declarou que a situação foi resolvida após diálogo entre as equipes operacionais e representantes sindicais. A secretaria também informou ter notificado as empresas concessionárias para garantir a disponibilidade integral da frota e evitar novas interrupções.
A explicação da Prefeitura contrasta com as denúncias apresentadas pela federação partidária, que atribui à redução da frota as dificuldades enfrentadas por eleitores. A responsabilidade por eventuais irregularidades e os efeitos da situação sobre a votação dependem da apuração pelas autoridades competentes.
Prorrogação ainda dependia de decisão oficial
O pedido para estender a votação até as 19h buscava compensar, segundo a federação, o tempo perdido por eleitores que enfrentaram dificuldades para chegar às urnas. A solicitação, contudo, não representava uma autorização automática para que as seções permanecessem abertas além do horário previsto.
A decisão do TSE dependia da análise das informações encaminhadas pelo TRE-BA e das circunstâncias relatadas nos três municípios. Até a atualização inicial da notícia, não havia confirmação de que o horário de votação tivesse sido prorrogado.
O caso colocou em evidência a importância do transporte público para o acesso às urnas, especialmente para eleitores que dependem dos ônibus. A Justiça Eleitoral deverá avaliar os registros apresentados e decidir quais providências são cabíveis diante das ocorrências relatadas durante o segundo turno.