O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, encerrou esta segunda-feira (26) em queda de 13,43%, aos 177.540 pontos, no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A forte instabilidade levou a B3 a suspender temporariamente as negociações, em um movimento acompanhado pela valorização do dólar.
A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,4027, com alta de 8,21%. Durante a manhã, chegou a ser negociada a R$ 5,60, enquanto o Ibovespa registrou perdas ainda mais acentuadas. A reação ocorreu após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.
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Bolsa interrompe negociações após queda acentuada
A B3 acionou o mecanismo conhecido como circuit breaker no início das operações. A medida interrompe temporariamente as negociações quando o mercado registra quedas expressivas, permitindo que investidores reavaliem suas posições diante da volatilidade.
As operações foram retomadas às 10h40. Poucos minutos depois, às 10h46, o Ibovespa registrava recuo de 16,94%, aos 170.340 pontos. A instabilidade continuou ao longo do dia, embora parte das perdas tenha sido reduzida antes do fechamento.
O índice chegou a acumular desvalorização de 19,85% durante a sessão. Às 12h27, apresentava queda próxima de 15%, enquanto, às 15h10, o recuo era de 14,69%.
O último acionamento do circuit breaker antes desta segunda-feira havia ocorrido em março de 2020, durante a crise provocada pela pandemia de Covid-19.

Dólar chegou a R$ 5,60 durante a manhã
O mercado de câmbio também registrou forte oscilação. Às 9h30, o dólar era negociado a R$ 5,60, com valorização de aproximadamente 12,5% em relação ao fechamento anterior.
A alta perdeu intensidade durante a manhã. Às 10h51, a moeda estava cotada a R$ 5,51 e, às 11h32, recuou para R$ 5,47. No encerramento das negociações, o dólar ficou em R$ 5,4027.
Na sexta-feira (23), antes da votação, a moeda norte-americana havia encerrado o dia próxima de R$ 4,99.
A valorização do dólar pode afetar os preços de produtos importados e insumos utilizados pela indústria. Caso o movimento se mantenha, também poderá exercer pressão sobre a inflação, especialmente em setores dependentes de mercadorias cotadas na moeda norte-americana.
Por que o mercado reagiu à reeleição de Lula?
A reação dos investidores está associada à revisão das expectativas para a política econômica brasileira após o resultado eleitoral.
Parte dos participantes do mercado apostava na vitória de Flávio Bolsonaro e em uma possível mudança na condução das contas públicas. Com a reeleição de Lula, investidores passaram a reavaliar suas estratégias, especialmente em relação ao controle das despesas, à dívida pública e à trajetória dos juros.
Analistas econômicos apontam que a definição das prioridades fiscais do próximo mandato será importante para o comportamento dos ativos brasileiros.
A movimentação desta segunda-feira, entretanto, não determina necessariamente uma tendência de longo prazo. Os preços das ações e a cotação do dólar também dependem de indicadores econômicos, decisões de política monetária e acontecimentos internacionais.
Queda na Bolsa também atingiu ativos brasileiros no exterior
A instabilidade começou antes mesmo da abertura do pregão brasileiro.
Fundos negociados no exterior que acompanham o desempenho de ações brasileiras registraram fortes perdas após a divulgação do resultado presidencial.
Nos Estados Unidos, um fundo de índice associado ao mercado brasileiro chegou a apresentar queda de aproximadamente 27% nas negociações anteriores à abertura. No Japão, outro instrumento financeiro ligado a ativos brasileiros registrou recuo de cerca de 15% durante a madrugada.
Essas movimentações refletiram o ajuste das expectativas dos investidores internacionais e contribuíram para o ambiente de volatilidade observado na abertura da B3.
O que acontece após a queda do Ibovespa?
O comportamento do mercado nos próximos dias dependerá, entre outros fatores, das sinalizações do governo sobre a política econômica para o novo mandato.
Investidores devem acompanhar possíveis anúncios relacionados ao orçamento, à administração da dívida pública, ao controle de despesas e à composição da equipe econômica.
Também estarão no radar as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros e os indicadores de inflação.
Embora o fechamento desta segunda-feira tenha registrado perdas expressivas, a evolução do mercado dependerá de novos dados e das expectativas sobre a economia brasileira. A queda em um único pregão não permite concluir, isoladamente, como será o desempenho econômico do país nos próximos anos.
