O dólar comercial encerrou esta quarta-feira (28) em queda de 0,19%, cotado a R$ 5,3402, após uma sessão de forte oscilação no mercado brasileiro. A moeda americana chegou a se aproximar de R$ 5,40 durante a tarde, mas perdeu força na reta final do pregão, acompanhando o movimento de desvalorização do dólar no exterior.
O recuo ocorreu após declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, sobre os efeitos da política monetária nos Estados Unidos. Apesar da queda, a moeda ainda acumula valorização de 6,95% na semana, refletindo a disparada registrada na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Por que o dólar caiu nesta quarta-feira?
A queda da moeda americana ganhou força no fim da tarde, após Kevin Warsh afirmar que existe um amplo consenso de que as medidas adotadas pelo Federal Reserve começam a produzir efeitos sobre a economia dos Estados Unidos.
Segundo o presidente do banco central americano, o crescimento econômico mais forte não está provocando uma nova aceleração da inflação, sinalização que contribuiu para reduzir a pressão sobre o dólar no mercado internacional.
Com isso, os rendimentos dos títulos de curto prazo do Tesouro americano também recuaram, favorecendo moedas de outros países, incluindo o real.
O dólar chegou à máxima de R$ 5,3992 durante a sessão, depois de ter atingido a mínima de R$ 5,3116 pela manhã. No fechamento, ficou em R$ 5,3402.
Federal Reserve mantém juros nos Estados Unidos
O Federal Reserve decidiu manter a taxa básica de juros americana no intervalo de 3,75% a 4% ao ano, conforme a expectativa predominante do mercado financeiro.
A decisão contou com dez votos favoráveis e dois contrários. Os integrantes Lisa Cook e Beth Hammack defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual.
Durante a coletiva de imprensa, Warsh afirmou que as próximas semanas deverão oferecer informações mais claras sobre o comportamento da economia americana.
O presidente do Fed também anunciou uma mudança no calendário de reuniões de 2027. Uma das oito reuniões anuais será dedicada exclusivamente à discussão de estratégias de política monetária, sem decisão sobre a taxa de juros.
Apesar do tom cauteloso, parte dos analistas ainda considera possível uma nova elevação dos juros americanos em dezembro, dependendo dos próximos indicadores de inflação e atividade econômica.
Rumores sobre novos impostos pressionaram o real
No Brasil, o dólar apresentou uma trajetória de alta durante parte da tarde, em meio às discussões sobre possíveis medidas tributárias do governo federal.
Entre as possibilidades mencionadas no mercado estava a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos atualmente isentos de Imposto de Renda, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
A hipótese provocou preocupação entre investidores, que passaram a avaliar os possíveis impactos de uma mudança na tributação desses produtos financeiros.
Posteriormente, informações de que a medida não estaria nos planos imediatos do governo contribuíram para reduzir a pressão sobre a moeda brasileira.
Até o fechamento do mercado, não havia anúncio oficial de uma nova cobrança de IOF sobre esses investimentos.
Dólar ainda sobe quase 7% na semana após eleição
Mesmo com a queda desta quarta-feira, o dólar permanece em patamar elevado depois da forte valorização registrada no início da semana.
Na segunda-feira (26), a moeda americana disparou 8,21%, em meio à reação dos investidores ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
Na terça-feira (27), o dólar recuou, movimento que teve continuidade nesta quarta-feira.
Com o fechamento em R$ 5,3402, a divisa acumula alta de 6,95% na semana e valorização de 3,19% no mês.
Os números mostram que a recuperação do real nas duas últimas sessões ainda não foi suficiente para compensar a disparada observada na segunda-feira.
Ibovespa fecha em queda de 2,68%
Enquanto o dólar recuou, a Bolsa de Valores brasileira terminou o dia no campo negativo.
O Ibovespa, principal índice da B3, caiu 2,68%, encerrando o pregão aos 171.006,10 pontos.
O resultado foi pressionado principalmente pelas ações de grandes bancos, em um ambiente de cautela sobre as perspectivas econômicas e fiscais do país.
Os investidores também acompanharam a indefinição sobre a futura equipe econômica do governo Lula e os possíveis desdobramentos da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
O que pode acontecer com o dólar nos próximos dias?
O comportamento do dólar continuará condicionado às expectativas sobre a política econômica brasileira e às próximas decisões do Federal Reserve.
Nos Estados Unidos, os investidores aguardam novos indicadores de inflação, emprego e atividade econômica para avaliar a possibilidade de mudanças nos juros.
No Brasil, a atenção permanece voltada às medidas fiscais do governo e à definição dos responsáveis pela condução da política econômica.
Embora a moeda americana tenha recuado nas duas últimas sessões, a volatilidade observada desde o resultado das eleições indica que o mercado ainda está ajustando suas expectativas.