Os dez maiores bilionários do Brasil acompanhados pelo Índice de Bilionários da Bloomberg registraram uma perda patrimonial conjunta de US$ 11,42 bilhões, aproximadamente R$ 61 bilhões, desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25). O levantamento considera a variação das fortunas entre o último dia útil antes do segundo turno e terça-feira (27). Nove dos dez empresários analisados tiveram redução no patrimônio durante o período.
O banqueiro André Esteves, ligado ao BTG Pactual, registrou a maior perda individual, de US$ 3,6 bilhões, aproximadamente R$ 19 bilhões. Na sequência aparece Jorge Moll, fundador da Rede D’Or São Luiz, cuja fortuna familiar diminuiu US$ 2,6 bilhões, cerca de R$ 13 bilhões. As perdas acompanharam a forte desvalorização de ações na Bolsa brasileira após o resultado eleitoral, embora parte dos ativos tenha apresentado recuperação nas negociações seguintes.
Bilionários brasileiros perdem R$ 75,6 bi em um dia após queda histórica da Bolsa
André Esteves e Jorge Moll concentram as maiores perdas
O levantamento da Bloomberg acompanha diariamente as mudanças no patrimônio de grandes empresários, considerando principalmente a valorização ou desvalorização de participações em empresas, além das oscilações cambiais.
André Esteves foi um dos principais afetados pela queda das ações do setor financeiro. O BTG Pactual esteve entre os bancos que sofreram forte desvalorização no primeiro pregão depois da eleição presidencial.
O empresário Jorge Moll e sua família também registraram uma redução expressiva no patrimônio. O grupo está ligado à Rede D’Or São Luiz, uma das maiores empresas de serviços hospitalares do país.
A queda no valor das ações dessas companhias reduziu as estimativas das fortunas de seus principais acionistas.
Família Moreira Salles perdeu mais de US$ 3,7 bilhões
Outro grupo atingido pela turbulência financeira foi a família Moreira Salles, tradicionalmente ligada ao Itaú Unibanco e a investimentos em diferentes setores da economia.
Segundo os dados divulgados, Fernando Moreira Salles, Pedro Moreira Salles, Walther Moreira Salles e João Moreira Salles acumularam perdas superiores a US$ 3,72 bilhões.
Na conversão aproximada pela cotação utilizada no levantamento, a redução representa cerca de R$ 20 bilhões.
As mudanças no patrimônio desses empresários refletem a variação do valor de mercado das empresas e dos investimentos aos quais estão associados.
Como parte dessas fortunas está vinculada a participações acionárias, as estimativas podem mudar diariamente, acompanhando o desempenho dos mercados financeiros.
Jorge Paulo Lemann foi exceção entre os bilionários
Enquanto nove dos dez empresários analisados registraram redução patrimonial, Jorge Paulo Lemann apresentou valorização de sua fortuna.
Segundo o índice da Bloomberg, o patrimônio do empresário suíço-brasileiro aumentou aproximadamente US$ 300 milhões, equivalentes a cerca de R$ 1,6 bilhão, durante o período analisado.
Lemann possui investimentos em diferentes empresas e setores, incluindo o mercado internacional de bebidas e alimentos.
O desempenho positivo mostra que os efeitos da turbulência financeira não foram iguais para todos os grandes investidores brasileiros.
A composição das carteiras de investimentos, a exposição ao mercado nacional e a cotação do dólar podem influenciar os resultados individuais.
Bolsa brasileira teve queda histórica após as eleições
A redução das fortunas ocorreu em meio à forte reação do mercado financeiro à reeleição de Lula.
Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, o Ibovespa encerrou o dia com queda de 13,88%, aos 176.608 pontos.
Durante a sessão, a desvalorização ultrapassou 10%, provocando o acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos bruscos de preços.
O dólar também apresentou forte valorização, encerrando o pregão com alta de 8,21%, cotado a R$ 5,4027.
Entre os fatores apontados por analistas para explicar a reação estavam a frustração de expectativas de parte dos investidores sobre o resultado eleitoral e as preocupações relacionadas à política fiscal do próximo mandato.
Essas avaliações ajudam a contextualizar a volatilidade, mas não significam que todas as perdas registradas pelos empresários possam ser atribuídas exclusivamente ao resultado das urnas.
Perdas patrimoniais não significam dinheiro retirado das contas
Apesar dos valores bilionários, a redução estimada das fortunas não representa necessariamente dinheiro perdido em operações de venda de ações ou retirado de contas bancárias.
Grande parte do patrimônio dos empresários é calculada com base no valor de mercado de suas participações em companhias de capital aberto.
Quando as ações dessas empresas caem, o valor estimado da participação dos acionistas também diminui, mesmo que eles continuem com a mesma quantidade de papéis.
Da mesma forma, quando os ativos voltam a subir, essas fortunas podem recuperar parte do valor perdido.
O câmbio também interfere nos cálculos, especialmente porque o índice da Bloomberg apresenta os patrimônios em dólares.
Por isso, oscilações na moeda americana podem alterar o valor das riquezas estimadas mesmo quando não há mudanças significativas em determinados investimentos.
Parte das fortunas já apresentou recuperação
Os dados mostram que as perdas acumuladas até terça-feira (27) foram menores do que as registradas imediatamente após a forte queda da Bolsa na segunda-feira (26).
Naquele primeiro pregão depois da eleição, dez bilionários acompanhados pelo índice haviam perdido conjuntamente US$ 14 bilhões, aproximadamente R$ 75,6 bilhões.
O levantamento atualizado indica perda acumulada de US$ 11,42 bilhões, sinalizando uma recuperação parcial dos patrimônios monitorados.
A diferença entre os dois resultados é de aproximadamente US$ 2,58 bilhões, ou cerca de R$ 14 bilhões, considerando as conversões utilizadas nas reportagens.
Essa recuperação não elimina as perdas registradas no período, mas demonstra como o valor das grandes fortunas pode oscilar rapidamente conforme o comportamento dos ativos financeiros.
Próximos passos
O comportamento das fortunas dos bilionários brasileiros continuará relacionado ao desempenho das ações, às taxas de câmbio e às expectativas dos investidores sobre a economia nacional.
As próximas decisões de política econômica, as sinalizações sobre as contas públicas e os movimentos do mercado internacional poderão influenciar os preços dos ativos brasileiros.
O levantamento da Bloomberg é atualizado diariamente. Por isso, os valores registrados até terça-feira (27) representam uma fotografia daquele período e não um resultado definitivo das perdas patrimoniais após a eleição.